segunda-feira, junho 18, 2012

Aprendendo Sempre

COMO NASCE UM TERREIRO DE UMBANDA


Para explicar melhor este tema, vou contar uma breve história fictícia, mas que ocorre em muitas ocasiões.

Geralmente , o adepto de hoje da Umbanda é aquela pessoa que depois de passar por médicos, curandeiros, pastores, padres, adivinhos, gurus e outros tantos, encontra alguém que lhe sussurra ao ouvido:

- Eu conheço uma Mãe de Santo que vai resolver a sua vida.

Pacientemente, ele vai, com muita desconfiança, ao terreiro e ao chegar, encontra várias pessoas vestidas de branco e quase pensa que foi levado a um hospital, pois está diante de enfermeiros.

Passado um pouco, ele ouve os atabaques soarem e tem “inicio” uma cantoria”, totalmente desconhecida para ele.

Depois de ouvir alguns cânticos, algumas pessoas vestidas de branco se ajoelham, batem no peito e soltam um grito longo e estridente; outras se abaixam como tivessem muita idade.

Nesse momento, ele está muito confuso e pensa que foi parar num manicômio. Sente uma vontade enorme de se ir embora, mas alguém o chama e resolve entrar.

Alguém lhe diz:

- Venha falar com o Preto Velho.

-Com quem? Pergunta ele, sem entender nada do que se passa á sua volta.

- Com o “Pai João”, - esclarece a pessoa vestida de branco.

Ele olha para a frente, e para os lados do terreiro, e fala:

Não vejo nenhum Preto Velho, - nem vai ver, responde a pessoa de branco – ele está incorporado na “Mãe Laurentina”, o chefe do terreiro.

- Venha, ele está á sua espera.

Ele, então, ajoelha-se à sua frente, em um banquinho de madeira, e leva logo com uma baforada de cachimbo na cara. Não consegue entender nada do que fala a entidade, pois é um tal “mi zi fio” e “mi zi fio” para cá e para lá, e nada......não entende nada mesmo. Finalmente, um Cambono percebe o embaraço em que se encontra e, traduz tudo aquilo que o Preto Velho falou.

Após alguma conversa com a entidade, ele fica a saber que é médium e que necessita de se vestir de branco para começar a trabalhar no terreiro. Se ele for uma pessoa vaidosa, vai pensar:

“Que bom, sou médium”. Mas se é uma pessoa humilde, pensa: “E agora? O que é que eu faço com isto?”

Mais tarde, o cambono explica-lhe que, ao começar a trabalhar no terreiro, a sua vida irá melhorar gradualmente.

Como ele já passou por vários lugares e nada mais tem a perder, concorda com a idéia e, na semana seguinte, já começam os seus trabalho de Desenvolvimento Mediúnico.

Após algum tempo de trabalho espiritual, tal como cambonear as Entidades, e desenvolvendo a sua mediunidade, ele sente a sua vida mais equilibrada e quando menos espera ajoelha-se, bate no peito e grita. Ocorre nesse momento, a sua primeira incorporação. Passa o tempo e ele servindo de “cavalo” às suas entidades, começa a aprender o porquê da ritualística, e começa a entender melhor a Doutrina Umbandista.

Num tempo inesperado, realiza o grande ritual do Bori e assenta as suas Entidades e começa a dar consultas e passes mediúnicos.Cada vez mais, as suas Entidades são procuradas pelos assistentes. Começa então o seu maior problema; os ciúmes de alguns médiuns mal preparados mental e espiritualmente.

Um dia, um desses Médiuns, chega ao pé da Mãe de Santo e diz: “Ele está a querer o teu lugar”.

A mãe de Santo determina, então muito democraticamente: “ A partir de hoje, cada médium só pode dar três consultas”. A situação torna-se cada vez mais complicada e totalmente insustentável e um dia ele pega na imagem da sua entidade e, se depara que está fora do terreiro.

Vai para casa, coloca a imagem em cima do armário do seu quarto e, se é mulher, deita-se e chora a noite inteira; se é homem, fala meia dúzia de palavrões, jura que nunca mais volta a incorporar e pensa que os seus problemas acabaram. Grande Engano: é aí que eles começam.

Alguns assistentes que se consultavam com as suas Entidades ficam preocupados com a sua ausência e começam a indagar o seu paradeiro.

Alguém chega a estas pessoas e diz: ”Olha, ele não trabalha mais aqui, mas sei aonde ele mora”. Começa então uma romaria a casa do médium e essas pessoas pedem-lhe que os ajude, pois estavam a ser consultadas pelas suas Entidades e os trabalhos ficaram pela metade. Pedem então que o médium incorpore pelo menos uma vez para terminar o trabalho que tinha sido começado.

O médium tira a imagem de cima do armário e, ali mesmo, na sala ou na cozinha, incorpora as Entidades para atender aquelas pessoas.

A procura pelo médium torna-se cada vez mais intensa e os trabalhos passam a ser realizados na garagem. Nessa altura, alguém mais preocupado diz: “Vamos abrir legalmente um terreiro antes que a polícia nos prenda”. Está funcionando mais um terreiro de umbanda com seus novos adeptos.

Quando o terreiro é bem dirigido, cresce material e espiritualmente, aumentando cada vez mais o número de médiuns, cambonos e assistentes. Se o terreiro não é bem dirigido, dará origem a novos médiuns descontentes, que possivelmente, originarão outros terreiros.

Esse é um dos motivos do crescimento da Umbanda, muitas vezes de forma desordenada, muitas vezes sem a devida preparação de seus dirigentes.

E sem entender nada, a sua missão estava realmente a começar......!

Texto extraído do livro"Iniciação á Umbanda" de Ronaldo Antonio Linares, Diamantino Fernandes Trindade e Wagner Veneziani costa - Editora Madras

terça-feira, junho 05, 2012

Hoje é dia de festa: Santa Sara e o Povo Cigano

Todos os anos a Aldeia celebra Santa Sara Kali e o povo Cigano com uma grande festa, normalmente realizada fora do templo e organizada pelos filhos e seguidores da casa, em agradecimento por todas as graças e bençãos recebidas no último ano.
Como sempre a festa foi muito bonita e o ambiente transbordava alegria e a energia leve e mística típica dos ciganos e ciganas.
Flores, comidas, música e uma bela fogueira completaram a grande festa dos nossos queridos andarilhos do mundo.
Salve Santa Sara! Salve os Ciganos! Opcha!!


O altar de Santa Sara Kali

Os ciganos e ciganas chegando para a festa.

A fogueira foi apreciada pelos ciganos e ciganas.

E todos dançavam lindamente.



domingo, junho 03, 2012

Umbanda, eu curto!

Os Mentores/Guias não adivinham nosso futuro, não nos mandam fazer A ou B. Sua função é nos orientar, aquietar e até mesmo estimular para que tenhamos uma vida plena, saudável e cheia de realizações. E isso tudo depende, em grande medida, de nós mesmos.

Por Daniel Marques
Editor – Umbanda, eu curto!

Essência Cigana

Grupos de Ciganos e suas danças:

Os Ciganos Espanhóis (Kalons) tem sua dança típica, a Rumba Gitema que é semelhante ao Flamenco onde predomina o uso de saias longas com muitos babados.
Os Ciganos Húngaros usam em suas danças um pandeiro com fitas coloridas.
Na Rússia, os Ciganos dançam agitando seus lenços que cobrem o quadril ou usam como xale.
No Oriente, a característica marcante está no movimento do quadril, que revela força, graça e sensualidade.
Na Iuguslávia, o Kôlo, uma dança folclórica usa movimento dos pés e mãos sincronizados.
As ares mais usadas na vestimenta cigana são o vermelho que significa a vida e espanta o mau olhado. O dourado que significa a prosperidade, e o estampado que representa a união com a natureza. As ciganas só usam branco no primeiro dia aos dias que compõesm o casamento e o preto pode estar presente nas roupas sem nenhuma interdição.

Oráculos
Os ciganos fazem uso de seus oráculos adivinhadores comunhando das forças da natureza. Ar, Fogo, Terra e Água.

Os Ciganos são muito conhecidos pelos seus oráculos adivinhatórios, não só a cartomancia e a quiromancia (leitura das mãos), mais uma dezena de outros oráculos, como a bola de cristal, teimancia (leitura através da borra do chá), cafeomancia (leitura através da borra do café), dadomancia (oráculo dos dados), hidromancia (leitura através da água em um copo), entre outros.
O uso das ervas é muito grande dentro da cultura cigana, e essas Entidades tem sempre uma receita, encantamento ou simpatia para receitar, usam muitas flores, frutas, folhas em geral e muitos incensos.

No Brasil são encontrados seis diferentes clãs (grupos) de ciganos: Lavora, Kalon, Hoharano (Roharanó), Kalderash, Matchuaija e Tchurari. Os Ciganos também fazem uso de incensos que são utilizadas sempre com algum propósito não apenas para perfumar o ambiente.

domingo, maio 20, 2012

Saravá os Pretos Velhos

O dia 13 de Maio é duplamente importante na Aldeia do Sultão.
Além de ser a data de fundação do templo que neste ano completou 12 anos é a data em que todos nós na Umbanda celebramos os Pretos Velhos.
Uma das mais difundidas linhas de trabalho da Umbanda com uma legião de fiéis e admiradores enorme, nossos pais e mães "velhos" nos ensinam, nos amparam e socorrem sempre.
Com muito amor e carinho recebemos estas queridas entidades mais uma vez para celebrar e agradecer por toda a proteção e todas as bençãos.
Saravá os Pretos Velhos! Adorei as Almas!


Salve o Sr. Ogum.




Salve as Almas!

A mesa sendo abençoada.

Fartura traz fartura.

terça-feira, maio 15, 2012

Umbanda, Eu Curto!

Mobilize seus pensamentos e sua energia para o bem. De nada adianta ficar se ocupando do que pode vir de ruim. Elimine o negativo de sua rotina, pois obstáculos sempre surgirão e terão de ser enfrentados com força e positividade!

Por Alexandre Negrini Turina
Editor - Umbanda, eu curto!

segunda-feira, maio 14, 2012

Hoje é dia de festa: Saravá Ogum


Neste ano a festa em homenagem à Orixá Ogum foi realizada no dia 24 de Abril e contou com a presença de um grande amigo da casa, Pai Marcelo Cunha e filhos.
Mais uma vez a Aldeia esteve toda enfeitada e cheia de alegria para festejar esse grande Orixá.
Todos puderam celebrar a presença do grande cavaleiro de Aruanda e sentir-se abençoados por sua luz e força.
Ao fim dos festejos todos foram bem-vindos a degustar as comidas ofertadas e abençoadas por Ogum.
Mais um ano e mais uma festa cheia de fé.
Parabéns à todos os filhos por mais uma festa e obrigado à todos que compareceram.
Saravá o Senhor Ogum!













domingo, maio 13, 2012

1 ano de blog.

13 de maio é uma data muito especial para nós. Essa data marca o inicio dos trabalhos da Aldeia, nos anos 2000. São mais de 10 anos de história, de lutas, de amigos conquistados, de palavras de sabedoria... Tantas coisas, tantos momentos...

Tínhamos uma ideia de divulgar esses momentos e decidimos criar um blog, algo que nossos amigos pudessem ver, algo que pudéssemos compartilhar. Em 13 de maio de 2011, depois meses planejando e trocando ideias, o nosso blog entrou no ar com esse objetivo, dividir com vocês o que vivenciamos na nossa religião.

Em 1 ano, tivemos nossos altos e baixos, nossos momentos de puro bloqueio criativo ou de escassez de tempo, mas sempre buscamos manter viva a chama do blog. Decidimos então trazer novidades aos nossos amigos e leitores.

A partir de hoje, divulgaremos nossos videos aqui, em nosso blog. O canal do Blog Aldeia do Sultão está no ar no youtube. Nossas festas, giras e momentos que fazem parte da nossa história.



Abrimos nossos trabalhos com esse vídeo, gravado no dia 11 de fevereiro de 2012. Em breve divulgaremos mais videos e videos dos eventos que acontecem na Aldeia.

A partir de hoje também lançamos um novo layout para o nosso blog. Com o estilo "magazine" você terá acesso a todos os nossos textos com um simples rolar de paginas. Para ler a postagem completa, basta clicar que uma janela com o post completo aparecerá. Um layout simples e completo para melhorar cada vez mais a pagina sobre a nossa casa.

Nós da Aldeia de Caridade Iemanjá e Cacique Sultão das Matas queremos agradecer aos nossos amigos e irmãos que fizeram parte da nossa história de alegria, fé e devoção.

Saravá

segunda-feira, abril 23, 2012

Ogum


Orixá Ogum, Orixá da lei, da guerra, do ferro e dos caminhos.
Usa vermelho e branco, armado de espada, que usa nas guerras justas e ditadoras da ordem.
Suas ervas são a espada e lança de São Jorge, manga, pitanga, abre caminho, jurubeba e guiné. Sua flor é o cravo vermelho ou branco.
Ogum come peixe assado, feijoada, cará e milho, e bebe cerveja branca.
É sincretizado com São Jorge, santo católico cuja história conta ter sido um soldado que morreu nos campos de batalha assim como o Orixá que lutou em muitas guerras. Ogum assim como São Jorge traz uma espada, sua arma de guerra como símbolo de coragem o que o caracteriza como guerreiro.
Sua saudação, “Ogum nhê”, significa: “Ogum sobreviveu forte” relembrando mais uma vez que ele é o Orixá da guerra. Também se fala “Patakori Ogum”, que significa: “Importante, supremo, Orixá Ogum em nossa cabeça”.
Ogum é o Orixá da lei, pois respeita e exige respeito por tudo que é correto e direito, não admite trapaças ou atitudes que visam prejudicar o próximo.
É o Orixá do ferro, pois com ele desenvolveu as ferramentas e as armas, é também associado à agricultura e a tecnologia.
Ogum é o dono dos caminhos junto com Orixá Exu, seu irmão companheiro. Cuida das estradas que levam cada um ao seu destino, seja estrada material ou espiritual.
À Ogum são feitas oferendas que pedem abertura de caminhos, proteção, fechamento de corpo... Suas cantigas contam que ele vence demandas, derruba mandingueiro, ganha batalhas onde quer que sejam que protege e luta por seus filhos e é tido pelos outros Orixás como o soldado leal que a todos ajuda.

Eu tenho sete espadas pra me defender (bis)
Eu tenho Ogum na minha companhia (bis)
Se Ogum é meu Pai, Ogum é meu guia,
Se Ogum vem salvar,
            Venha com Deus e a Virgem Maria.

Ogum também é considerado na Umbanda como o Pai de todos os seres humanos independente do Orixá de cabeça, pois ele atua em todos os planos e lugares defendendo todos os filhos de Deus.
Ogum zela pela lei, e quando ela é descumprida, Ogum põe em prática as penas por tê-la descumprido.
Suas giras são movimentadas, os Caboclos de Ogum, espíritos que incorporam e trabalham na irradiação do Orixá costumam dançar e emitir pequenos sons que não são palavras, e também brados. Salvo em necessidades extremas um Caboclo de Ogum não fala quando incorporado. Podem portar espadas de metal, espadas de São Jorge ou ainda a lança de São Jorge, que são empunhadas com muita braveza e postura. Também pode ocorrer, mas com raridade um Caboclo fumar ou beber.
É o único Orixá cujo seus mensageiros possuem nomes próprios: Ogum Iara, Beira-mar, Naruê, Sete Ondas, Sete Espadas, Rompe-mato, Megê e etc. 
No Brasil, Ogum é festejado em 23 de abril e a ele rendem-se grandes festas e também procissões. É um dos Orixás de maior culto no país.


Arquétipo de seus Filhos

O arquétipo de Ogum é o das pessoas violentas, briguentas e impulsivas, incapazes de perdoar as ofensas de que foram vitimas. Das pessoas que perseguem energicamente seus objetivos e não se desencorajam facilmente. Daquelas que nos momentos difíceis triunfam onde qualquer outro teria abandonado o combate e perdido toda a esperança. Das que possuem humor mutável, passando de furiosos acessos de raiva ao mais tranqüilo dos comportamentos. Finalmente, é o arquétipo das pessoas impetuosas e arrogantes, daquelas que se arriscam a melindrar os outros por certa falta de discrição quando lhe prestam serviços, mas que, devido à sinceridade e franqueza de suas intenções, tornam-se difíceis de serem odiadas. (Verger)*

Fator: Ordenador.
No positivo: são leais, vigorosos no amparo dos seus afins, protetores, ciumentos dos seus, não abandonam seus amigos à própria sorte e dão a vida para salvar alguém.
No negativo: são irredutíveis e tentam impor-se a todo custo.
Apreciam: Viagens, competições, esportes violentos, discussões acaloradas, comidas e bebidas fortes e mulheres que se apaixonam por eles.
Não apreciam: A monotonia, o sedentarismo, as musicas suaves ou melancólicas, os trabalhos que devem ficar incomunicáveis ou presos a um mesmo lugar.


 * Trecho retirado do livro “Orixás” de Pierre Verger, 1996.
Por Thiago Sá

Saravá Ogum!!! Salve São Jorge!

Que o senhor dos caminhos, dono da tecnologia e Pai de todos os filhos de Umbanda nos abençoe sempre!
Saravá Senhor Ogum! Ogunhê!!!!