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segunda-feira, março 30, 2015

A missão de um Sacerdote.

Uma missão espiritual, mediúnica e sacerdotal, na maioria das vezes, é um compromisso assumido antes de encarnar. Uma missão como esta deve ser algo que dê um sentido para sua vida e para sua encarnação. É servir a algo maior que nós mesmos. Ter uma missão é sentir que existe algo muito especial a ser realizado por nós nesta encarnação. Claro, todos nascem com algo para realizar em vida. No entanto, o sacerdote nasce com a missão de conduzir e orientar pessoas.
Muitos se perguntam como saber ou ter certeza que têm mesmo esta missão? É muito simples, podemos começar dizendo que nunca será uma obrigação. Uma missão como esta é algo sentido no coração, é algo que se deseja e quer realizar, sem esperar nada em troca. Uma missão sacerdotal deve ser sempre um virtuosismo e, claro, “a virtude não espera recompensa”.  A missão sacerdotal é uma missão consigo mesmo, com o Astral, seus Guias, Orixás e com a Umbanda.
Mas antes de descobrirmos uma missão sacerdotal, em primeiríssimo lugar, descobrimos aptidão, interesse e inclinação pela espiritualidade para depois nos identificarmos com a mediunidade. Portanto, antes de conhecer e trabalhar sua missão sacerdotal, é preciso conhecer e trabalhar sua missão mediúnica. Estamos falando da Umbanda, uma religião mediúnica em que os sacerdotes são médiuns de incorporação. Apenas depois de alguns anos trabalhando como médium de incorporação desenvolvido o suficiente para dar passe e consulta, é que este umbandista pode assumir uma missão sacerdotal, o que deverá ser determinado e/ou confirmado por seus Guias espirituais. Mas não basta apenas este médium incorporar um Caboclo ou Preto Velho; antes de assumir uma missão sacerdotal, este médium deve incorporar os valores deste Caboclo, do Preto Velho, da Criança, etc.
O médium deve antes ser ele mesmo quem mais recebeu ajuda destes Guias, para então assumir uma missão junto dos mesmos para ajudar a muitos mais.  Sabemos que a missão mediúnica umbandista passa obrigatoriamente pelo fundamento mais básico da religião, muito bem definido por Zélio de Moraes e o Caboclo das Sete Encruzilhadas: “a manifestação do espírito para a prática da caridade” e “ensinar a quem sabe menos e aprender com quem sabe mais”.  Mas, não podemos esquecer que cada um dá o que tem, cada um faz o que pode e cada um é o que é. Não se espera melancias num pé de laranjas.  Mas também podemos dizer que Deus capacita os escolhidos e que todos são chamados, escolhidos são os que se dedicam mais.
O que quero dizer é que fazer a caridade é importante, ajudar o próximo é bom, mas antes deve-se ajudar a si mesmo se tornando alguém melhor para si e para o próximo. Precisamos entender o que é a caridade, pois esta mesma caridade tem sido objeto de vaidade, quando muitos acreditam estar comprando um pedaço do céu com a sua “caridade”. A maior caridade que podemos dar e receber é a consciência de nossa vida e da realidade que nos cerca. Costumam alegar que incorporar espíritos para evoluir é caridade, como uma obrigação de trabalhar na Umbanda para evoluir, ou trabalhar com espíritos para que eles possam evoluir. Como se não houvessem outras formas e meios de nós ou os espíritos evoluírem.
Num primeiro momento, pode até parecer uma verdade, que esta é a missão: evoluir. No entanto, com o tempo, passa a ser moeda de troca; estamos barganhando nossa evolução e comprando um pedacinho do céu, ou de Aruanda, por meio de uma obrigação, ou trabalho forçado.
O ponto é que uma missão é algo que você faz sem esperar nada em troca, nem evolução, nem pedaço do céu, nem nada. Missão é algo que fazemos de graça e assim é com nosso Guias também, que trabalham por amor a nós e ao próximo. Mesmo as entidades de menos luz, quando estão trabalhando, é porque receberam algo de bom e querem compartilhar. Na Lei e na luz não se barganha, não se negocia doação ou entrega.
Me lembro de ter ouvido uma história em que um homem muito doente, ao ser tratado por Madre Tereza de Calcutá, lhe disse assim: “Madre, eu não faria este seu trabalho por dinheiro nenhum no mundo!”, ao que ela lhe respondeu: “Eu também não!”. Nenhum dos grandes mestres da humanidade, dos grande missionários, fizeram nada esperando algo em troca.
Por isso, uma missão é sempre um AMOR, algo que é inexplicável para quem não tem, não sentiu ou não viveu.  O sacerdote é quase sempre alguém que sente em seu coração que já recebeu muito da religião, que aprendeu, cresceu, viveu, se levantou e quer de alguma forma retribuir.
Mãe Zilméia de Moraes, filha carnal de Zélio de Moraes, dizia que a única diferença entre ela a os médiuns da corrente era a responsabilidade. O sacerdote é um médium de incorporação com mais responsabilidade, com mais atribuições.  O sacerdote, em sua missão, vai atuar como mestre e orientador e, dentro desta missão, talvez, o mais importante que ele tenha a realizar é ajudar cada um dos seus médiuns a encontrarem seus mestres pessoais. A grande missão deste sacerdote é criar ambiente e condições para que cada médium de incorporação consiga um contato real e verdadeiro com seus Guias espirituais. A missão do mestre pessoal, dos Guias espirituais, é ensinar seu médium a tornar-se mestre de si mesmo, o que quer dizer simplesmente ajudá-lo a aprender com a vida.
Quando chegar neste ponto, o médium não precisa mais de sacerdote, nem de religião. Ele abandona todas as muletas espirituais, deixa de ser um pedinte e então descobre que está na Umbanda por amor e não por necessidade, muito menos por obrigação.
A missão do sacerdote não é brincadeira e não pode ser banalizada ou profanada. Entre outras atribuições, podemos dizer que a missão do sacerdote é conhecer a si mesmo, conhecer melhor o ser humano, ser feliz, se autorrealizar e ajudar a todos em sua volta nestas mesmas questões.

sexta-feira, outubro 24, 2014

Sobre Exu.

O que é Exu? e qual a diferença entre Exú Orixá e Exú de umbanda?

Exú orixá é um dos Deuses africanos que representa a dinâmica e o inicio de tudo, este Orixá tem varios nomes só diversificando de região o pais ao qual ele foi ou é cultuado. Veja os mais comuns ao qual este ser é chamado: Eleguá, Elebara, Bara (aquele que habita o corpo), Akesan (exú de ifá), Iangi (exú do inicio da criação), Ona...n (Exú senhor dos caminhos), Exú Tiriri (aquele que encherga tudo), este são apenas alguns de muitos nomes aos quais este Orixá é conhecido dentro da religião africana e também no Candomblé.

Conta uma das lendas que Exú Yangi fez parte da criação do mundo, tendo como papel de mensageiro de Deus (olodumare), asssim foi ordenado que viesse a terra para saber se ela já poderia ser habitada pelos seres humanos e os Orixás. Chegando aqui não quis mais voltar a Orun (ceú), então percebe-se que logo este orixá novamente foi o primeiro orixá e ser a chegar na terra, por isso ele é o primeiro a ser reverenciado no Culto como: Agrados, Matanças, Primeiro do Xirê (canticos), etc. As Cidades africanas que ele é mais cultuado são: Ekiti, Ketu (onde se tornou rei), Ondo, Inebu, etc.

O que é Exu de Umbanda?

Exú de Umbanda não é Exú Orixá. Por que? Exú na Umbanda são entidades ou espíritos de luz que tem por missão ajudar seus protegidos dando lhes orientação em forma de consultas de adivinhação, pois estes incorporados em seus mediuns respondem com a verdade aquilo que o consulente quer saber com a finalidade de lhe avisar de algum mal ou bem que esteja preste a acontecer, com o intuito de impedir algum mal ou lhe mostrar algum bem em seus caminhos (sua vida).

No Candomblé esses Exús que não são Orixás são conhecidos como Ecuru ou Ekuru (próprios Eguns ancestrais) que no Candomblé já pertencem a outro típico de culto, na Africa existe um culto típico somente para este tipo de espírito (O culto aos Eguns ou Elesé Egum). Então como podem ver

Exú Orixá não se manifesta em Giras de Exú na Umbanda, porém, algumas casas de candomblé cultuam Exús Ekurus (entidades), pois alguns devotos já vieram antes de se iniciar dentro do culto ao Orixá (candomblé) da religião da Umbanda, então ja traziam estas entidades que as vezes não querem deixar de dar suas consultas e orientações aos seus devotos. Casas de Santo como na nação de Angola tem por natureza cultuar essas entidades, mas hoje em dia é muito comum dentro do candomblé assentar estes Exús mo no Ketu, Jeje, Engenho velho, etc. Escute Pontos de Exú na Umbanda no final do artigo.

sexta-feira, outubro 17, 2014

Aprendendo Sempre: A bebida e a Comida na Umbanda

Segunda a história do Mestre Jesus na Bíblia Sagrada, um dia antes de sua prisão Cristo realizou uma ceia onde reuniu seus apóstolos proferindo as seguintes palavras:
Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. 
(1 Coríntios 11:24)
Este cálice (vinho) é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim.
(1 Coríntios 11:25)



 Lendo estas belas passagens da Bíblia Sagrada, podemos entender em uma visão livre da Igreja Católica – e livre de qualquer Igreja que tem como base a Bíblia ou Cristo – que a Santa Ceia foi um ritual “Mágico” na qual Mestre Jesus ensinou aos apóstolos um ritual para que eles pudessem se conectar à força espiritual de Cristo que vos levaria a Deus.
Neste ritual, Cristo transforma o pão em sua carne e o vinho em seu sangue, ambos elementos sagrados que purificariam e uniriam seus apóstolos ao amor e fé do Mestre Jesus. Mas, olhando com atenção esse ritual, Cristo transforma simples alimentos em componentes mágicos, assim despertando o lado sagrado da vida, o lado sagrado do alimento, da bebida, da união.
Agora, com isso em mente, voltamos nossa atenção para os rituais de Umbanda e seus rituais tão criticados sem fundamento.
Temos as famosas e criticadas oferendas, na qual muito se fala em desperdício de alimento, que são oferecidas às Divindades (Orixás) para “n” motivos que os seres humanos necessitem no momento e, se assim posso me aventurar, associo as oferendas de alimentos ou as mesas feitas dentro dos Terreiros de Umbanda com alimentos que homenageiam os Guias como a Santa Ceia, pois o mesmo ato que Cristo teve ao consagrar aquele alimento aos seus apóstolos, também nós fazemos com os alimentos e bebidas em nossas oferendas; nós as consagramos aos Orixás, pedindo que irradiem suas energias vivas e divinas para que possam ser direcionadas em nossas vidas, nos trazendo paz, conforto, amor, entre outros sentimentos.
Mas também é importante frisar que toda oferenda ou mesa pode e deve sim ser aproveitada pela comunidade ou pelo Terreiro, assim não desperdiçando o axé ali imantado.
Da mesma forma que a oferenda foi associada à Santa Ceia, associo também a bebida que os Guias bebem com o cálice que Cristo ofereceu aos seus apóstolos.
No momento que Cristo oferece o vinho a todos, ele consagra e transmuta o vinho, virando assim uma bebida purificadora e assim também é nos Terreiros de Umbanda, pois quando um Guia pega seu copo e faz seus rituais de consagração, nesse momento aquela bebida deixa de ter um significado pejorativo e passa a se tornar um líquido mágico, composto por energias fortes, capazes de purificar energias densas internas tanto do médium incorporado como do consulente em atendimento.
Não quero causar discussões com esse texto, pois os Guias de Umbanda bebem por um fundamento já difundido na Umbanda e não porque Jesus o fez. As oferendas por si antecedem o nascimento de Cristo e sempre foram um ritual de agradecimento que hoje na Umbanda também já é fundamentada e bem difundida no meio.
O que quero passar nesse texto é que o julgamento entre as religiões e seus rituais são fúteis e sem base no estudo, pois facilmente podemos conectar pontos de rituais, doutrinas e crenças, como fizemos na história da Santa Ceia com o que acontece nos Templos de Umbanda.
Nós, umbandistas, somos cristãos, pois seguimos e admiramos os ensinamentos de Cristo e, além disso, respeitamos todas as religiões. Antes de criticar qualquer ritual de nossa religião, olhe e estude a sua religião, pois muito do que se fala pode ser uma inversão de valores.
                                      
                                                                                                                       Por Nikolas Peripolli

 
 

domingo, agosto 10, 2014

Aprendendo Sempre - Os Cambones

Cambone é uma atividade exercida nos terreiros de Umbanda e que merece uma atenção especial dada a sua importância como auxiliar das entidades, dos médiuns e dos dirigentes do Terreiro.
Como auxiliar das entidades, cabe ao cambone ser o interprete da mensagem entre a entidade e o consulente, além de um defensor da entidade e da integridade física do médium. Cabe a ele cuidar do material da entidade, orientar o que acontece em sua volta e também ajudar o entendimento do consulente, pois a linguagem do espírito nem sempre é entendida, mas ao cambone fica claro já pela sua intimidade com o comportamento do espírito que ele serve.
Por outro lado a posição do cambone nem sempre é confortável pois algumas vezes cabe a ele fiscalizar também o comportamento da entidade que, se por uma razão ou outra, fugir da normalidade deve imediatamente avisar a direção do terreiro. O limite da intimidade do consulente com o espírito ou o médium deve ser fiscalizado pelo cambone para evitar mal entendidos e desajustes de informações. Finalmente ao cambone é dada uma oportunidade especial de conhecer mais a Umbanda e a forma das entidades trabalharem porque seu contato é direto. Como o cambone tem como obrigação ouvir o que o espírito ouve e fala, seu conhecimento, em cada consulta, aumenta consideravelmente.
Quando eu comecei na Umbanda fiz questão de ser cambone e desempenhei esse papel durante muito tempo e posso afirmar que até hoje ele tem uma importancia direta no meu comportamento como médium e Pai de Santo.
Apenas como informação a quem quiser, estamos divulgando um aviso aos cambones do Terreiro do Pai Maneco elaborado pela Mirtes Rodrigues, responsável como assistente dos cambones na gira que dirijo.

Funções

  • Servir a entidade e ao médium
  • Colaborar material e espiritualmente com o médium e com a entidade, antes, durante e depois do trabalho.
  • Orientar o consulente quando não entende, banhos, entregas, novas consultas, vibrações e o que for necessário.
  • Prestar muita atenção na consulta, para não ser infringida nenhuma regra ou regulamento da casa, e notando alguma anormalidade deve ser comunicado a chefe de cambono ou à hierarquia e, conforme o caso, o pai-de-santo.
  • Deve apresentar honestidade e sigilo absoluto, não devendo nunca contar a ninguém o teor das consultas.
  • Não pode incorporar quando está atendendo a uma entidade, exceto quando autorizado pela entidade a quem estiver servindo.

Antes e durante os trabalhos:

  • Levar todo material da entidade para seu respectivo lugar no terreiro (pemba, velas, ponteiros, bebida, fósforo, tabua, charutos, palheiros, cigarros, ervas, e eventuais outros materiais)
  • Servir a  entidade em tudo que ela precisar.
  • Não deixar de ouvir, mesmo que por solicitação do consulente, as consultas feitas às entidades e as respostas por elas dadas. Em caso de determinação da entidade para se afastar durante uma consulta, avisar imediatamente o pai-de-santo ou a entidade que nele estiver incorporada.
  • Durante a vibração, ficar atento à entidade e ao trabalho que ela realiza, sem contudo ser necessário ficar ao lado da entidade, a não ser que a mesma solicite.
  • Autorizado o atendimento, enquanto risca o ponto e firma seu trabalho, fornecendo-lhe os materiais necessários.
  • Conversar com a entidade quanto ao numero de consultas e o tempo disponível, sendo que ele não pode dizer para ao consulente.

Após os atendimentos:

  • Conversar com a entidade, pedindo orientações quanto ao destino das sobras de material utilizado.
  • Levantar o ponto riscado da seguinte forma: retirar ponteiros, velas e outros materiais do ponto, e jogar cachaça sobre o ponto riscado, em forma de cruz, e com as mãos, apagar o ponto riscado. Depois pode retirar do local e limpar na torneira da pia com água.
  • Guardar e recolher o material, deixando o local limpo.

Orientações gerais:

  • Ao se locomover pelo ambiente do ritual não furar nem costurar a corrente, evitando bater nos médiuns.
  • Ao afastar-se da função, seja por um período ou não, auxiliar o novo cambono, passando orientações a respeito do trabalho com as entidades.
  • Não aproveitar-se da função para fazer consultas em nome de parentes, amigos, sobrecarregando o trabalho das entidades.
  • Não manter diálogo com  assistência.
  • Qualquer dificuldade em orientar os consulentes, pedir auxilio a hierarquia
  • Não atrapalhar o encerramento dos trabalhos levantando o ponto ou guardando os materiais.
  • Durante a abertura e encerramento dos trabalhos, todos devem estar na corrente.

Cambones:

  • Servir também é um aprendizado.
  • O trabalho do cambone  é tão importante quanto ao do médium e entidade.
  • A responsabilidade mediúnica do cambone é tão importante quanto a de qualquer outro médium.
  • O médium que camboneia, não atrapalha seu desenvolvimento. A experiência como cambono lhe é importantíssima no aprendizado.
  • Orientar a entidade quanto aos cuidados com o médium.
  • Avisar de qualquer situação constrangedora a hierarquia.
  • Levantar o perfil das entidades, visto que quem esta de fora, tem maior percepção e entendimento da entidade.

quarta-feira, julho 02, 2014

Cantando a Umbanda

Cantar pros Orixás não está limitado só aos terreiros, tendas, centros e templos.
Principalmente quando é com tanta paixão e alegria como o Monobloco canta.
Saravá os Orixás!

quarta-feira, maio 28, 2014

Cantando a Umbanda

Zeca Pagodinho cantando pra seu Orixá protetor, Ogum. Participação especial de Jorge BenJor.

Saravá!

terça-feira, maio 13, 2014

13 de Maio - Dia dos Pretos Velhos



 
Apesar de toda a história de dor, injustiça e sofrimento enfrentado pelos negros no Brasil, após passarem pela sofrida expiação, desencarnaram e alcançaram a evolução.
Foram acolhidos por Zambi e Oxalá na Aruanda e hoje em dia baixam em nossos terreiros, trazendo a paz, a sabedoria e, principalmente, ensinando-nos a importância  do amor ao próximo, da humildade e da caridade.
Devemos aos pretos velhos todos os conhecimentos dos Orixás, pois o culto à Eles nasceu no continente africano.
As sessões de pretos velhos são marcadas pela calmaria que invade o terreiro. Uma sensação de paz e amor toma conta do ambiente, fazendo com que os filhos de fé sintam essa energia de luz e de sabedoria que se manifesta.
Os atabaques são tocados de maneira mais leve, mais suave. Assim como com qualquer outra entidade, todo o respeito é prestado para com nossos vovôs e vovós. Geralmente, tais entidades chegam arcadas, demonstrando o peso da idade e o sofrimento que tiveram.Os pretos velhos quando manifestados, gostam de sentar em seu “toco” (um banquinho), fumar seu “pito” (cachimbo ou palheiro) e auxiliar aqueles que precisam. Com sábios ensinamentos, sabem tocar na ferida moral de cada filho de fé, ensinando a maneira correta de se viver, qual seja: Com amor ao próximo, com amor em Deus e com a prática constante da caridade.
Os pretos velhos não gostam de luxo. Preferem que seus médiuns estejam com a boa e velha roupa branca, miçanga e muita disposição para ajudar quem precisa. Atuam também no campo da cura, aliviando, com receitas simples e humildes, as dores dos enfermos que batem em nossas portas.
Nossos vovôs e vovós também são “mandigueiros”. Desmancham qualquer magia feita, tiram de cima do obsediado todas as cargas negativas e “maus olhados”, além de abrirem os caminhos e dar muita proteção no dia-a-dia.
Geralmente, utilizam em seus benzimentos e trabalhos a arruda, o guiné, o rosário, o crucifixo, água com mel, vinho, cachaça, velas, fumo, etc.
São entidades ligadas a Linha das Santas Almas e a vibração de Omulú, apesar de existirem pretos e pretas velhas de outros Orixás, como por exemplo,  a linha de Quenguelê de onde vêm pretos velhos de Xangô. Sua linha também é conhecida como “Yorimá”.
Os pretos velhos representam a resignação, a humildade, a superação, o amor incondicional, a caridade desinteressada. Atendem a todos, independentemente da cor, classe social e religião e repudiam qualquer forma de promoção e cobrança.
Nossos vovôs e vovós também podem ser o guia chefe de um terreiro e comandar as sessões de desenvolvimento, apesar de tal encargo ser mais comum aos caboclos.
Os pretos velhos também são organizados em falages, nas quais, inúmeros espíritos se agrupam sob o mesmo nome.  As mais conhecidas são: Pai Joaquim; Pai Francisco; Pai Maneco; Pai João; Pai José; Pai Mané; Pai Antônio; Pai Roberto; Pai Cipriano; Pai Tomaz; Pai Jobim; Pai Roberto; Pai Guiné; Pai Jacó; Pai Benedito; Rei Congo, Pai Anacleto, Vó Cambinda; Vó Cecília; Vó Maria Conga; Vó Catarina; Vó Ana; Vó Quitéria; Vó Benedita; Vó Cambinda; Vó Rita; Vó Rosa; Tia Catarina, Tia Luiza, Mãe Justina, etc.
Esses nomes são adicionados, geralmente, ao nome do local de onde viveram ou de onde vieram. Por exemplo: Pai João de Angola; Pai José de Aruanda; Mãe Maria de Minas; Pai João do Congo, Pai Cipriano das Almas e assim por diante.
Suas cores são o preto e branco e também o amarelo.
Sua saudação é “Adorei as almas!”
 
*Fonte: Falando de Umbanda

quarta-feira, abril 02, 2014

Cantando a Umbanda

Martinho da Vila, grande cantor e compositor com mais de 45 anos de carreira, sempre ligado a religiosidade afro. Sempre com muito orgulho e respeito.
Essa canção, praticamente uma gira completa é uma louvação de fé aos nossos Orixás.
Imperdível.

Saravá!

segunda-feira, abril 08, 2013

Quotidiano Umbandista - O Limite da Caridade


                Chega mais um dia de trabalho espiritual, os médiuns vão chegando e se arrumando, assim como a Mãe-de-Santo que já tem tudo pronto, todos tomam seus lugares e dá-se início a gira.

            Os Orixás chegam dançando, e dançando vão embora. Os Caboclos chegam dando seus gritos característicos, logo dão início a prática da caridade.

            Da assistência sai uma senhora, é sua primeira vez na casa, direciona-se ao Caboclo e conta o que lhe aflige, o Caboclo lhe receita um descarrego e ela logo se dispõe a fazê-lo. A senhora espera o fim da sessão e vai falar com a Mãe-de-Santo, que lhe indica o dia e horário para que o descarrego seja feito.

            No dia combinado e no horário também, a Mãe-de-Santo, um Cambone e um filho da casa aguardam por vinte minutos até a chegada da senhora que inclusive reclama do local onde parou o carro.

            O descarrego é preparado, usa-se vela, pólvora, pemba, todos ingredientes do próprio terreiro, a senhora nada trouxe, tudo é feito conforme determinou o Caboclo, encerrado tudo a senhora diz “Até logo” e sai, é daquelas que não vai mais voltar, não agradeceu, não pagou e nem mesmo irá lembrar do rosto do Caboclo que lhe ajudou quando seu martírio passar.

            “— O papel a mim confiado pelos Orixás foi feito, o dela, ela ainda irá descobrir”. Diz a Mãe-de-Santo vendo o espanto de seus médiuns perante a situação.

            Meu Axé a todos, Salve a Umbanda!                                        17 / 06 / 2002
 
 
O Jornal Tambor foi uma das publicações direcionadas à religiões afro-descendentes mais importantes no início dos anos 2000. Criado e idealizado pela Yalorixá Sandra Epega o jornal sempre pregou pelo diálogo inter-religioso, cultura de paz e sempre deu espaço para todos as tradições religiosas.
Nosso irmão e colaborador do blog, Thiago Sá foi colunista do jornal por quase três anos e sua coluna, Quotidiano Umbandista descrevia situações corriqueiras ao dia a dia dos templos umbandistas. Sempre descritas como ficção.
O blog Aldeia do Sultão acha pertinente trazer de volta alguns do textos publicados ao invés de deixa-los guardados num arquivo de computador ou numa gaveta.

quarta-feira, fevereiro 20, 2013

Quotidiano Umbandista - Umbanda: Ele Veste a Camisa


Se tem uma coisa de que ele se orgulha, é de ser umbandista. Não no sentido da vaidade, mas por fazer parte de uma religião tão bela quanto às outras, tão especial quanto às outras e tão difamada como poucas.

Tem respeito por toda e qualquer doutrina religiosa, mas a Umbanda em todos os sentidos é sua religião durante as 24 horas do dia.

Luta por ela no que for preciso, não obriga ninguém a aceita-la, mas a defende e pede respeito.

Nunca, em todos esses anos pensou em se afastar do convívio dos Guias e Orixás, como se isso fosse possível, já que eles estão conosco desde nosso nascimento.

Sua fé não é incondicional, pois a fé não deve ser cega, sua fé é respeitosa e compreensiva, sabe distinguir desejo de merecimento, favor de caridade.

Em todos esses anos conviveu com as diferentes mentalidades daqueles que buscaram a Umbanda. Um número tão grande de pessoas que vieram em busca de soluções imediatas, de socorro e de ajuda espiritual que conseguiram e nunca mais voltaram. Outros tantos que entraram na Umbanda como quem entra num clube a fim de diversão e não suportaram por muito tempo.

E tantos outros trazidos pelos Orixás que abriram seus corações e hoje são os umbandistas sérios como ele que levam a Umbanda sempre para o caminho da evolução.

Esses são poucos, mas seus trabalhos perduram e mesmo que o plantio seja delicado e demorado, quando começam a dar frutos não param mais. São pessoas que se permitiram ter a vida tocada pela Umbanda e hoje tocam a Umbanda com a própria vida.

            Ele nunca cometeu loucuras pelos Orixás, tem discernimento para entender que Orixá não pede sacrifícios humanos, mas sim disposição e entusiasmo para se conseguir o que lhe foi pedido.

Ele entende que como médium ele não é nada mais do que um instrumento usado pelas Entidades, não consegue se ver como um ser especial dotado de poderes como um super herói. Como poderia ser um fenômeno se existem milhares de médiuns como lê?

Desde o início aceitou sua missão e entendeu que ele, médium, não é nada até que empreste sua consciência e seu corpo a um Guia ou Orixá e aí se torne menos do que o nada, afinal quem passa a agir é a divindade.

Sempre louvou Orixá, reverenciou as Entidades e com o Axé recebido em troca sempre prosperou. Por mais que pensem que prosperar é ganhar muito dinheiro, ter bens materiais, família e futilidades ele teve sempre saúde para viver, força para buscar e felicidade para compartilhar.

E para todos diz: “- Sou feliz, realizado e umbandista.”

Meu Axé a todos. Salve a Umbanda!            


O Jornal Tambor foi uma das publicações direcionadas à religiões afro-descendentes mais importantes no início dos anos 2000. Criado e idealizado pela Yalorixá Sandra Epega o jornal sempre pregou pelo diálogo inter-religioso, cultura de paz e sempre deu espaço para todos as tradições religiosas.
Nosso irmão e colaborador do blog, Thiago Sá foi colunista do jornal por quase três anos e sua coluna, Quotidiano Umbandista descrevia situações corriqueiras ao dia a dia dos templos umbandistas. Sempre descritas como ficção.
O blog Aldeia do Sultão acha pertinente trazer de volta alguns do textos publicados ao invés de deixa-los guardados num arquivo de computador ou numa gaveta.
          

segunda-feira, dezembro 03, 2012

IANSÃ

                                                                                                                                       *por Thiago Sá
 
Iansã e Santa Bárbara
 
É a Orixá da tempestade, dos ventos, do raio e do fogo.

Iansã usa amarelo ouro em suas velas, roupas e objetos. Gosta de palma amarela ou qualquer flor vistosa que brilhe como ouro.

Suas ervas são o manjericão, folha de bambu, alecrim, alfazema e folha de uva além da espada de Santa Bárbara.

Iansã é inseparável de Xangô, considerada por ele sua esposa predileta. Justamente ele, dono do trovão que vem junto com o vento, a tempestade e os raios de Iansã. Ela também compartilha do fogo com Xangô.

Iansã é guerreira de temperamento enérgico, tempestuoso e viril.

Gosta de comer melão, manga, lagostim, camarão fresco e seco, acarajé, pirão, xinxim de galinha e quiabo. Bebe champagne ou vinho branco doce.

Oferenda de feijão fradino e frango para Iansã
Costuma-se fazer à Iansã pedidos de graças merecedoras independente da origem, seja saúde, trabalho ou amor.

Não podemos esquecer que se trata de uma guerreira, portanto age impondo a lei e como mulher de Xangô traz consigo o senso de justiça.

Quando se louva Iansã, não se curva, não somente por não se tratar de uma divindade velha, mas porque na condição de guerreira ela não baixa a guarda em momento algum, mostrando novamente seu temperamento tempestuoso.

Iansã, uma das mais belas Orixás é sincretizada com Santa Bárbara, a virgem dos cabelos louros, que talvez por isso rendeu à Iansã a cor amarela. Santa Bárbara aparece empunhando uma espada novamente comprovando ser uma guerreira. Sua saudação cujo significado é desconhecido é “Epa Hei Iansã!”.

Quando incorporadas suas mensageiras dançam com grande beleza empunhando uma palma amarela, ou então dançam com as mãos semelhantes a leques que Iansã usa para se abanar e espantar o mal com o vento produzido por ele.

Suas cantigas contam que Iansã mora na pedreira, na cachoeira, que sua morada é a terra do ouro, que ela usa um abebê, o leque com o qual se abana e venta todo o mal para longe. Contam ainda que Iansã lutou e venceu várias guerras, que ela não teme nada nem ninguém.

 

Santa Bárbara virgem dos cabelos louros   (bis)

Mora na pedreira, na terra do ouro.   (bis)

 

Santa Bárbara é a dona do fogo, do raio, chuvisco e trovão.  (bis)

Epa Hei Iansã venceu guerra,  (bis)

Epa Hei com a espada na mão.

 

É festejada em 04 de dezembro e seu lugar de oferendas é a cachoeira, onde a água é forte, turbulenta e violenta como Iansã, ou então as pedreiras, casa de Xangô.
 

Arquétipo de seus filhos

 O arquétipo de Iansã é o das pessoas audaciosas, poderosas e autoritárias. Mulheres que podem ser fieis e de lealdade absoluta em certas circunstâncias, mas que, em outros momentos, quando contrariadas em seus projetos e empreendimentos, deixam-se levar a manifestações da mais extrema cólera. (Verger)*

 
Fator: direcionador

No positivo: são envolventes, risonhas, alegres, amorosas, mas sem pieguice (ridiculamente sentimental), possessivas com os seus, amigas e companheiras, leais, mulheres atiradas que tomam iniciativas ousadas, expeditas (desembaraçadas), ativas, ágeis no pensar e falar, são lideres natas.

No negativas: são emotivas, e se não se impõem, revoltam-se e abandonam quem não se se submetem a elas e logo estão estabelecendo novas ligações, em que se imporão.

Apreciam: festas, pessoas falantes e alegres, ambientes enfeitados e coloridos, viagens a passeio, homens envolventes, trabalhos agitados.

Não apreciam: homens introvertidos, reuniões monótonas, amizades egoístas, ambientes conservadores, trabalhos ou deveres monótonos, comidas pesadas, roupas pesadas, (a prisão) da vida domestica, a repetição das mesmas coisas no seu dia-a-dia.

Obs.: estatura média e compleição curvilínea bem delineada, tendendo para o sensualismo. 

 

 * Trecho retirado do livro “Orixás” de Pierre Verger, 1996.

 

segunda-feira, abril 23, 2012

Ogum


Orixá Ogum, Orixá da lei, da guerra, do ferro e dos caminhos.
Usa vermelho e branco, armado de espada, que usa nas guerras justas e ditadoras da ordem.
Suas ervas são a espada e lança de São Jorge, manga, pitanga, abre caminho, jurubeba e guiné. Sua flor é o cravo vermelho ou branco.
Ogum come peixe assado, feijoada, cará e milho, e bebe cerveja branca.
É sincretizado com São Jorge, santo católico cuja história conta ter sido um soldado que morreu nos campos de batalha assim como o Orixá que lutou em muitas guerras. Ogum assim como São Jorge traz uma espada, sua arma de guerra como símbolo de coragem o que o caracteriza como guerreiro.
Sua saudação, “Ogum nhê”, significa: “Ogum sobreviveu forte” relembrando mais uma vez que ele é o Orixá da guerra. Também se fala “Patakori Ogum”, que significa: “Importante, supremo, Orixá Ogum em nossa cabeça”.
Ogum é o Orixá da lei, pois respeita e exige respeito por tudo que é correto e direito, não admite trapaças ou atitudes que visam prejudicar o próximo.
É o Orixá do ferro, pois com ele desenvolveu as ferramentas e as armas, é também associado à agricultura e a tecnologia.
Ogum é o dono dos caminhos junto com Orixá Exu, seu irmão companheiro. Cuida das estradas que levam cada um ao seu destino, seja estrada material ou espiritual.
À Ogum são feitas oferendas que pedem abertura de caminhos, proteção, fechamento de corpo... Suas cantigas contam que ele vence demandas, derruba mandingueiro, ganha batalhas onde quer que sejam que protege e luta por seus filhos e é tido pelos outros Orixás como o soldado leal que a todos ajuda.

Eu tenho sete espadas pra me defender (bis)
Eu tenho Ogum na minha companhia (bis)
Se Ogum é meu Pai, Ogum é meu guia,
Se Ogum vem salvar,
            Venha com Deus e a Virgem Maria.

Ogum também é considerado na Umbanda como o Pai de todos os seres humanos independente do Orixá de cabeça, pois ele atua em todos os planos e lugares defendendo todos os filhos de Deus.
Ogum zela pela lei, e quando ela é descumprida, Ogum põe em prática as penas por tê-la descumprido.
Suas giras são movimentadas, os Caboclos de Ogum, espíritos que incorporam e trabalham na irradiação do Orixá costumam dançar e emitir pequenos sons que não são palavras, e também brados. Salvo em necessidades extremas um Caboclo de Ogum não fala quando incorporado. Podem portar espadas de metal, espadas de São Jorge ou ainda a lança de São Jorge, que são empunhadas com muita braveza e postura. Também pode ocorrer, mas com raridade um Caboclo fumar ou beber.
É o único Orixá cujo seus mensageiros possuem nomes próprios: Ogum Iara, Beira-mar, Naruê, Sete Ondas, Sete Espadas, Rompe-mato, Megê e etc. 
No Brasil, Ogum é festejado em 23 de abril e a ele rendem-se grandes festas e também procissões. É um dos Orixás de maior culto no país.


Arquétipo de seus Filhos

O arquétipo de Ogum é o das pessoas violentas, briguentas e impulsivas, incapazes de perdoar as ofensas de que foram vitimas. Das pessoas que perseguem energicamente seus objetivos e não se desencorajam facilmente. Daquelas que nos momentos difíceis triunfam onde qualquer outro teria abandonado o combate e perdido toda a esperança. Das que possuem humor mutável, passando de furiosos acessos de raiva ao mais tranqüilo dos comportamentos. Finalmente, é o arquétipo das pessoas impetuosas e arrogantes, daquelas que se arriscam a melindrar os outros por certa falta de discrição quando lhe prestam serviços, mas que, devido à sinceridade e franqueza de suas intenções, tornam-se difíceis de serem odiadas. (Verger)*

Fator: Ordenador.
No positivo: são leais, vigorosos no amparo dos seus afins, protetores, ciumentos dos seus, não abandonam seus amigos à própria sorte e dão a vida para salvar alguém.
No negativo: são irredutíveis e tentam impor-se a todo custo.
Apreciam: Viagens, competições, esportes violentos, discussões acaloradas, comidas e bebidas fortes e mulheres que se apaixonam por eles.
Não apreciam: A monotonia, o sedentarismo, as musicas suaves ou melancólicas, os trabalhos que devem ficar incomunicáveis ou presos a um mesmo lugar.


 * Trecho retirado do livro “Orixás” de Pierre Verger, 1996.
Por Thiago Sá

sexta-feira, janeiro 20, 2012

Oxosse





 Orixá Oxosse é o Orixá das matas, da caça, da prosperidade e do conhecimento. 
Oxosse usa a cor verde em tudo que lhe é dedicado, cor da mata, sua morada. Gosta de comer todos os tipos de frutas, milho, abóbora, raízes, mel e carnes de aves, caças e peixes e costuma beber vinho tinto doce, cerveja ou macerados de ervas e raízes.
Suas ervas são alecrim, guiné, arruda, alfazema, cipó caboclo, samambaia etc. As flores de Oxosse são normalmente aquelas que crescem naturalmente na mata.
Oxosse é também chamado Odé, que significa caçador. É ele quem prove a aldeia de caça e ensina a arte da caça e da guerra aos mais novos. Oxosse foi grande guerreiro, caçador e defensor de seu povo e da floresta que sempre lhe forneceu sustento. Traz consigo todo o conhecimento do homem da mata, conhecedor de remédios e venenos, conhecedor de todos os animais e folhas.
A ele são feitos pedidos de prosperidade, felicidade, saúde e firmeza mental e espiritual.
É sincretizado com São Sebastião, jovem guerreiro que morreu a flechadas amarrado a uma árvore. Sua história reúne todos os símbolos atribuídos a Oxosse. O guerreiro, a mata, e principalmente a flecha, símbolo de Oxosse que representa a meta, o destino. Oxosse traz com ele um arco e flecha chamados Ofá.
Saúda-se Oxosse com o grito “Okê Arô Oxosse” que significa “Oxosse, aquele que grita com honra”.
Na Umbanda as giras de Orixá Oxosse são raras, e poucas casas a fazem. Nessas ocasiões Oxosse quando chega dá seu brado característico como sua saudação diz, e costuma dançar muito. Oxosse pode ter nas mãos seu Ofá ou mantê-las como uma flecha.
 Sem explicação aparente, Orixá Oxosse tornou-se, na Umbanda, chefe de uma Linha de Entidades, a linha dos Caboclos, espíritos que tiveram vida terrena e que representam a imagem dos índios, homens ligados à natureza, a terra e a floresta, conseqüentemente associados ao Orixá da floresta e da natureza.
Oxosse e São Sebastião são festejados no dia 20 de janeiro com grandes festas em todo o país. Cantam-se pontos que falam da firmeza, determinação e grande luz desse Orixá, que no Brasil possui uma infinidade de filhos e milhares de casas consagradas a ele.

Eu vi um clarão nas matas, ouvi os tambores rufar (bis).
Eu vi meus Caboclos saudando Oxosse, o grande Orixá.  (bis)
Salve as folhas da Jurema, salve Oxosse o grande Orixá (bis).
Ai de mim que sou filho de pemba, meu Pai Oxosse venha me ajudar. (bis)


Arquétipo de seus Filhos

O arquétipo de Oxosse é o das pessoas espertas, rápidas, sempre alerta e em movimento. São pessoas cheias de iniciativa e sempre de vias de novas descobertas ou de novas atividades. Tem o senso da responsabilidade e dos cuidados para com a família. São generosas, hospitaleiras e amigas da ordem, mas gostam muito de mudar de residência e achar novos meio de existência e detrimento, algumas vezes, de uma vida domestica harmoniosa e calma. (Verger)*


 Fator: Expansor.
No positivo: são galanteadores, verborrágicos (falam muito), confiáveis, leais, sensíveis a necessidades alheias, muito prestativos e confiam muito facilmente.
No negativo: são críticos ácidos, linguarudos, respondões, vingativos, perigosos e brigam por qualquer motivo.
Apreciam: viajar, estudar, fazer muitas amizades.
Não apreciam: pessoas ignorantes, lugares fechados, monotonia, conversas tolas e pessoas falsas.
Obs.: curiosos, sentem atração por tudo que for interessante.
  
* Trecho retirado do livro “Orixás” de Pierre Verger, 1996.

sexta-feira, dezembro 16, 2011

Umbanda de Outras Bandas

Realmente não é preciso ter tudo exatamente como no Brasil para se poder seguir com a Umbanda.
Com o tempo a gente aprende o caminho das pedras e consegue achar muitas das coisas que fazem nossa caminhada mais fácil como velas maiores e de cores mais adequadas.
Foi Preto Velho que disse que teríamos de começar do começo e que nos preparássemos para trabalhar espiritualmente, em casa mesmo, pois nós tínhamos nossas missões para serem cumpridas aqui na Terra.
Foi assim que Eli e eu começamos nossa jornada de maneira oficial, numa noite de folga, sofás e mesas afastadas pro canto da sala, algumas velas acesas num prato branco pra proteger o carpete, um copo com água e um defumador espiritual. A gente rezou, cantou e me arrisco a dizer que trabalhamos com o povo da esquerda ( Exu sempre o primeiro) se minha memória não falha.
Foi assim quase toda semana durante o inverno, período em que tínhamos mais tempo livre, alternando as linhas de trabalho. Eu falando sobre os Orixás e as Linhas de Umbanda para a Eli e minhas Entidades desenvolvendo-a como médium.
Um período de aprendizado imenso para ela e para mim também, começando a dar os primeiros passos como um dirigente espiritual.
Foi desse jeito que eu pude matar a saudade dos Guias e dos Orixás que sempre me acompanharam e que não puderam trabalhar na minha matéria por longos meses, no carpete da sala, sem muito barulho e com a bateria do detector de fumaça removida, para evitar maiores transtornos.
Saravá a Umbanda.
Thiago Sá

quarta-feira, outubro 26, 2011

Oxum

Oxum é a Orixá da beleza, do amor, da fertilidade, da riqueza e das águas doces.
É a vaidade em forma de Orixá, muito bela, Oxum traz na mão um espelho onde aprecia sua beleza. Sua morada é o rio, riacho, cachoeira e lagoa, onde a água doce se faz presente.
Gosta do azul escuro em suas velas, roupas e objetos, o lírio branco, jasmim ou qualquer outra flor delicada e bonita como a orquídea lhe agrada. Suas ervas são o alecrim, a alfazema, a erva-cidreira, o girassol, a hortelã e a folha da fortuna.
Oxum gosta de uva, mel, melão, manga, figo, comidas que levam camarão seco, feijão fradinho, cará, pato e peixe, e bebe champagne, vinho branco doce e guaraná.
Oxum é a dona da fertilidade, ela é quem permite que o óvulo seja fecundado. É a dona das águas doces onde se dá a vida, a água que mata a sede.
Oxum recebe pedidos de prosperidade, amor, gravidez, riqueza e felicidade, além de proteger as crianças.
Tem um temperamento amoroso e carinhoso, mas pode se tornar intransigente, perigosa e vingativa, tem a passionalidade dentro de si. Não tem muitos meio termos, aliás sobre o mesmo assunto pode ter pensamentos ora favoráveis ora contrários. Sem tornar-se volúvel, apenas vê ângulos diferentes sobre o acontecimento.
Mas sua natureza amável acaba prevalecendo e faz dela símbolo do amor, assim como conta suas cantigas, que Oxum é um tesouro, que ela é a dona do ouro, da beleza, que ela protege seus filhos contra tudo.

Sob o clarão da lua, a água da cascata parece de prata.   (bis)
É de um lindo véu, é da Oxum, a minha Mãe que vem do céu.
Aiêiê mamãe Oxum, dona do ouro,
Aiêiê mamãe Oxum é o meu tesouro.

Oxum é sincretizada com Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, sinônimo de amor e compreensão para seus fiéis católicos. É festejada em 12 de outubro, feriado nacional. Talvez aí esteja a resposta para a cor de Oxum ser o azul escuro, cor do manto de Nossa Senhora.


Quando nós louvamos Oxum nos curvamos em respeito à tão grande mãe que é, e também por Oxum várias vezes se apresentar como mulher de idade avançada, curvada. Nas suas giras podemos encontrar suas mensageiras jovens, eretas e dançantes ou as carinhosas mães idosas e lentas. Oxum traz nas mãos flores ou então as movimenta como ondas que trazem pra si as energias e devolvem luz, podem emitir pequenos cantos que lembram choramingos ou mesmo chorar, é uma característica da mais dengosa das Orixás.
Oxum é saudada com “Ora yeyê Oxum” que significa: “Chamemos a benevolência da Mãe Oxum”, mas uma prova da bondade da Mãe da fertilidade.

Arquétipo de seus Filhos

O arquétipo de Oxum é o de pessoas graciosas e elegantes, com paixão por jóias, perfumes e vestimentas caras. Das mulheres que são símbolo de charme e beleza. Voluptuosas e sensuais, porem mais reservadas que Iansã. Eles evitam chocar a opinião pública, à qual dão grande importância. Sob sua aparência graciosa e sedutora esconde uma vontade muito forte e um grande desejo de ascensão social. (Verger)*

Fator: agregador ou conceptivo
No positivo: são amorosas, delicadas, meigas, sensíveis, perceptíveis, perfeccionistas, cuidadosas, amáveis, protetoras e maternais.
No negativo: são ciumentas, agressivas, vaidosas, insuportáveis, vingativas, não esquecem uma ofensa e não perdoam uma magoa.
Apreciam: festas familiares, danças, recitais românticos, poesia, medicina, crianças, lecionar e conselheiras.
Não apreciam: solidão, homens autoritários ou agressivos, reuniões monótonas, estudo das ciências exatas, políticas, lugares tristes, homens ciumentos e mulheres egoístas.
Obs.: possuem compleição delicada.

* Trecho retirado do livro “Orixás” de Pierre Verger, 1996.
Thiago Sá

quarta-feira, julho 27, 2011

Nanã Buruquê


Nanã Buruku, Nanã Buruquê ou simplesmente Nanã, é a Orixá feminina mais velha de todas.
Nanã usa as cores lilás, roxo e violeta em suas roupas, velas e objetos.
Suas comidas são, feijão branco ou fradinho, batata doce roxa, peixe, milho branco e arroz. Nanã bebe água, champagne ou vinho branco.
Alfavaca, assa-peixe, alfazema, quaresmeira, maria preta e palha da costa são suas ervas.
Nanã é a Orixá dos mortos, sua morada é o mangue, o brejo, o alagado todos os lugares onde a água e a terra se tornam um só, pois o barro seria o princípio da humanidade.
Sua saudação: “Saluba Nanã Buruquê”, significa: “Nos refugiamos com Nanã da morte ruim”. Mas ela não tem aspecto negativo, apenas se utiliza energias ligadas às almas, portanto mais densas e pesadas.
Nanã é sincretizada com Santa Ana ou Nossa Senhora de Santana, é personificada como a avó, protetora de crianças e educadores. No dia 26 de julho rendem-se festas em sua homenagem.


Nossa Senhora de Santana

Nas suas giras costumam incorporar suas mensageiras ou Caboclas, espíritos que trabalham com ligação direta à sua energia. Quando incorporada Nanã normalmente permanece curvada, pode emitir pequenos sons, sejam de choro ou algo parecido com um canto, dificilmente dançam, e quando isso ocorre acredita-se que é devido a grande satisfação e alegria da divindade. Nanã pode ter nas mãos flores que lhe são dadas, estas são abençoadas e devolvidas para que permaneçam no Congá até que murchem.
Seus pontos cantados costumam falar de sua ligação com Omolu também Orixá dos mortos, e de sua calma e paciência para resolver as coisas.

São flores Nanã, são flores,
são flores Nanã Buruquê.
São flores Nanã são flores,
de seu filho Obaluaiê.
Nas horas de agonia
ele sempre vem me valer,
É seu filho Nanã, é meu Pai
É ele Obaluaiê

Sua louvação é feita por todos curvados, respeitando sua velhice e conhecimento. A Nanã deve-se muito respeito e cuidado pois é um dos Orixás de culto mais complexo e trabalhoso, seu temperamento é ríspido e exigente, devendo-se sempre tomar cuidado com brincadeiras ou pouco caso, atitudes nada aprovadas por Nanã.
O culto de Nanã não é tão popular como o de Ogum ou Iemanjá, mas Nanã está presente em praticamente todas as casas, ao menos recebendo louvações.


Arquétipo de seus Filhos

Nanã Buruquê é o arquétipo das pessoas que agem com calma, benevolência, dignidade e gentileza. Das pessoas lentas no cumprimento de seus trabalhos e que julgam ter a eternidade a sua frente para acabar seus afazeres. Elas gostam de crianças e educam-nas, talvez, com excesso de doçura e mansidão, pois tem tendência a se comportarem com a indulgência das avós. Agem com segurança e majestade. Suas reações bem-equilibradas e a pertinência de suas decisões mantêm-nas sempre no caminho da sabedoria e da justiça. *

Fator: decantador.
No positivo: são calmas, conselheiras, orientadoras, religiosas, emotivas, muito simpáticas.
No negativo: são intratáveis, ríspidas, tagarelas, fuxiqueiras, vingativas, perigosas.
Apreciam: a boa mesa, companhias falantes e alegres, reuniões familiares e religiosas, pessoas que lhe dediquem afeto e respeito, vestes coloridas.
Não apreciam: pessoas egoístas, mesquinhas ou geniosas, festas ou reuniões agitadas, crianças peraltas, roupas espalhafatosas, desperdício e pessoas preguiçosas e exibicionistas.

* Trecho retirado do livro “Orixás” de Pierre Verger, 1996.
Por Thiago Sá

sexta-feira, julho 15, 2011

Rita Ribeiro - É D'Oxum

Rita Ribeiro nasceu no Maranhão, onde começou sua carreira musical, mas seu sucesso mesmo veio através do projeto "Tecnomacumba", considerado algo inovador, o projeto foi fruto de uma intervenção cultural. As letras são homenagens aos orixás e pontos cantados em centros de Umbanda e de Candomblé, nos moldes da MPB, gênero que Rita sempre gostou e seguiu.


O vídeo abaixo, é do DVD "Tecnomacumba - a tempo e ao vivo" de 2009, que foi lançado em comemoração do 6º ano do projeto que, continua na estrada trazendo mais publico aos shows.



É D'Oxum
Gerônimo - Vevé Calazans


Nessa Cidade Todo Mundo É d'Oxum
Homem, Menino, Menina, Mulher
Toda Essa Gente Irradia Magia
Presente Na Água Doce
Presente n'água Salgada
E Toda Cidade Brilha
Seja Tenente Ou Filho De Pescador
Ou Importante Desembargador
Se Der Presente É Tudo Uma Coisa Só
A Força Que Mora n'água
Não Faz Distinção De Cor
E Toda A Cidade É d'Oxum
É d'Oxum, É d'Oxum, É d'Oxum,
Eu Vou Navegar, Eu Vou Navegar
Nas Ondas Do Mar, Eu Vou Navegar
É d'Oxum, É d'Oxum