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segunda-feira, março 30, 2015

A missão de um Sacerdote.

Uma missão espiritual, mediúnica e sacerdotal, na maioria das vezes, é um compromisso assumido antes de encarnar. Uma missão como esta deve ser algo que dê um sentido para sua vida e para sua encarnação. É servir a algo maior que nós mesmos. Ter uma missão é sentir que existe algo muito especial a ser realizado por nós nesta encarnação. Claro, todos nascem com algo para realizar em vida. No entanto, o sacerdote nasce com a missão de conduzir e orientar pessoas.
Muitos se perguntam como saber ou ter certeza que têm mesmo esta missão? É muito simples, podemos começar dizendo que nunca será uma obrigação. Uma missão como esta é algo sentido no coração, é algo que se deseja e quer realizar, sem esperar nada em troca. Uma missão sacerdotal deve ser sempre um virtuosismo e, claro, “a virtude não espera recompensa”.  A missão sacerdotal é uma missão consigo mesmo, com o Astral, seus Guias, Orixás e com a Umbanda.
Mas antes de descobrirmos uma missão sacerdotal, em primeiríssimo lugar, descobrimos aptidão, interesse e inclinação pela espiritualidade para depois nos identificarmos com a mediunidade. Portanto, antes de conhecer e trabalhar sua missão sacerdotal, é preciso conhecer e trabalhar sua missão mediúnica. Estamos falando da Umbanda, uma religião mediúnica em que os sacerdotes são médiuns de incorporação. Apenas depois de alguns anos trabalhando como médium de incorporação desenvolvido o suficiente para dar passe e consulta, é que este umbandista pode assumir uma missão sacerdotal, o que deverá ser determinado e/ou confirmado por seus Guias espirituais. Mas não basta apenas este médium incorporar um Caboclo ou Preto Velho; antes de assumir uma missão sacerdotal, este médium deve incorporar os valores deste Caboclo, do Preto Velho, da Criança, etc.
O médium deve antes ser ele mesmo quem mais recebeu ajuda destes Guias, para então assumir uma missão junto dos mesmos para ajudar a muitos mais.  Sabemos que a missão mediúnica umbandista passa obrigatoriamente pelo fundamento mais básico da religião, muito bem definido por Zélio de Moraes e o Caboclo das Sete Encruzilhadas: “a manifestação do espírito para a prática da caridade” e “ensinar a quem sabe menos e aprender com quem sabe mais”.  Mas, não podemos esquecer que cada um dá o que tem, cada um faz o que pode e cada um é o que é. Não se espera melancias num pé de laranjas.  Mas também podemos dizer que Deus capacita os escolhidos e que todos são chamados, escolhidos são os que se dedicam mais.
O que quero dizer é que fazer a caridade é importante, ajudar o próximo é bom, mas antes deve-se ajudar a si mesmo se tornando alguém melhor para si e para o próximo. Precisamos entender o que é a caridade, pois esta mesma caridade tem sido objeto de vaidade, quando muitos acreditam estar comprando um pedaço do céu com a sua “caridade”. A maior caridade que podemos dar e receber é a consciência de nossa vida e da realidade que nos cerca. Costumam alegar que incorporar espíritos para evoluir é caridade, como uma obrigação de trabalhar na Umbanda para evoluir, ou trabalhar com espíritos para que eles possam evoluir. Como se não houvessem outras formas e meios de nós ou os espíritos evoluírem.
Num primeiro momento, pode até parecer uma verdade, que esta é a missão: evoluir. No entanto, com o tempo, passa a ser moeda de troca; estamos barganhando nossa evolução e comprando um pedacinho do céu, ou de Aruanda, por meio de uma obrigação, ou trabalho forçado.
O ponto é que uma missão é algo que você faz sem esperar nada em troca, nem evolução, nem pedaço do céu, nem nada. Missão é algo que fazemos de graça e assim é com nosso Guias também, que trabalham por amor a nós e ao próximo. Mesmo as entidades de menos luz, quando estão trabalhando, é porque receberam algo de bom e querem compartilhar. Na Lei e na luz não se barganha, não se negocia doação ou entrega.
Me lembro de ter ouvido uma história em que um homem muito doente, ao ser tratado por Madre Tereza de Calcutá, lhe disse assim: “Madre, eu não faria este seu trabalho por dinheiro nenhum no mundo!”, ao que ela lhe respondeu: “Eu também não!”. Nenhum dos grandes mestres da humanidade, dos grande missionários, fizeram nada esperando algo em troca.
Por isso, uma missão é sempre um AMOR, algo que é inexplicável para quem não tem, não sentiu ou não viveu.  O sacerdote é quase sempre alguém que sente em seu coração que já recebeu muito da religião, que aprendeu, cresceu, viveu, se levantou e quer de alguma forma retribuir.
Mãe Zilméia de Moraes, filha carnal de Zélio de Moraes, dizia que a única diferença entre ela a os médiuns da corrente era a responsabilidade. O sacerdote é um médium de incorporação com mais responsabilidade, com mais atribuições.  O sacerdote, em sua missão, vai atuar como mestre e orientador e, dentro desta missão, talvez, o mais importante que ele tenha a realizar é ajudar cada um dos seus médiuns a encontrarem seus mestres pessoais. A grande missão deste sacerdote é criar ambiente e condições para que cada médium de incorporação consiga um contato real e verdadeiro com seus Guias espirituais. A missão do mestre pessoal, dos Guias espirituais, é ensinar seu médium a tornar-se mestre de si mesmo, o que quer dizer simplesmente ajudá-lo a aprender com a vida.
Quando chegar neste ponto, o médium não precisa mais de sacerdote, nem de religião. Ele abandona todas as muletas espirituais, deixa de ser um pedinte e então descobre que está na Umbanda por amor e não por necessidade, muito menos por obrigação.
A missão do sacerdote não é brincadeira e não pode ser banalizada ou profanada. Entre outras atribuições, podemos dizer que a missão do sacerdote é conhecer a si mesmo, conhecer melhor o ser humano, ser feliz, se autorrealizar e ajudar a todos em sua volta nestas mesmas questões.

quarta-feira, janeiro 28, 2015

CABOCLOS - Parte 01

                                                                                                             por Débora Caparica


A marca mais característica da Umbanda, religião surgida no final do século XIX e início do século XX é a manifestação de entidades, por meio da mediunidade de incorporação. Os primeiros espíritos a “baixar” nos terreiros de Umbanda foram os caboclos e pretos velhos, a seguir surgiram outras formas de apresentação como as crianças, conhecidas como erês. Essas três formas, crianças, caboclos e pretos velhos, são consideradas as principais, representando as três fases da vida – a criança, o adulto e o velho – mostrando a dialética da existência. Além disso, trazem valores arquetipais de pureza e alegria na criança, simplicidade e fortaleza no caboclo e a sabedoria e humildade dos pretos velhos, mostrando o caminho para a evolução espiritual.
Com a expansão da Umbanda, muitas outras entidades apareceram, como os baianos, boiadeiros entre outros, sem falar dos Exus. A Umbanda cresceu porque soube levar em seu círculo de sabedorias ensinamentos de outras religiões. Assim a Umbanda se acresceu de pontos cantados, orações, defumações, etc. Essa diversidade confirma a abrangência desse movimento espiritual que chama a todos e recebe seres encarnados e desencarnados, com vibrações de fraternidade e amizade sob a luz de Oxalá. Em nosso trabalho trataremos mais especificamente, das entidades conhecidas como Caboclos, invariavelmente presentes nos terreiros de Umbanda, praticando a caridade e cumprindo sua missão espiritual. A influência dos caboclos dentro da Umbanda é tão grande, que talvez não existisse Umbanda sem eles. Que todos os caboclos nos iluminem e nos guie rumo à paz maior.
Os Caboclos
A palavra caboclo vem do tupi kareuóka, que significa da cor de cobre, acobreado. Podendo também designar o mestiço de branco com índio ou mulato, tem na Umbanda significado diferente, são espíritos que se apresentam como índios. Muitos que hoje se apresentam nos terreiros foram pajés, velhos curandeiros ou magos, tanto que são utilizados em trabalhos de cura através de ervas, demandas espirituais, pois foram hábeis guerreiros. Acresce ainda, que sob a forma fluídica de um índio, se esconde muitas vezes um padre, um missionário, um pacificador indígena, um bandeirante ou um médico, cujas primeiras existências humanas, foram como silvícolas. Dada essa relação dos caboclos com os indígenas, e aproximando esse fato ao Orixá Oxossi, que na África é cultuado como Odé, o caçador, o Senhor das Florestas, conhecedor dos segredos das matas e dos animais que lá vivem. Os caboclos são entidades fortes e viris, com uma postura forte, de voz vibrante, que trazem as forças da natureza, manipulando essas energias para trabalhar nas questões de saúde, vitalidade e no corte de correntes espirituais negativas alguns tem dificuldade de se expressar em nossa língua, são sérios, mas gostam de festas e fartura, dançam muito e gostam de cantar.
Relação com os Orixás
Primeiramente o que é Orixá? O planeta em que vivemos e todos os mundos dos planos materiais se mantêm vivos através do equilíbrio entre as energias da natureza. A harmonia só é possível devido a um intrincado e imenso jogo energético entre os elementos químicos que constituem estes mundos e entre cada um dos seres vivos que habitam estes planetas. Um dado característico do exercício da religião de Umbanda é o uso, como fonte de trabalho, destas energias. Vivendo no planeta terra, o homem convive com leis desde sua origem e evolução, leis que mantém a vitalidade, a criação e a transformação, dados essenciais à vida como a vemos desenvolver-se a cada segundo. Sem essa harmonia energética o planeta entraria no caos. O fogo, o ar, a terra, e a água são os elementos primordiais que combinados, dão origem a tudo que nossos corpos físicos sentem, assim como também são constituintes destes corpos. Acreditamos que esses elementos e suas ramificações são comandados e trabalhados por Entidades Espirituais que vão desde os elementais até aos espíritos superiores que inspecionam, comandam e fornecem o fluido vital para o trabalho constante de criar, manter e transformar a dinâmica evolutiva da vida no planeta terra. A essas energias de alta força vibratória chamamos Orixás, usando um vocábulo de origem Yorubana. Na Umbanda são tidos como maiores responsáveis pelo equilíbrio da natureza. Os caboclos, profundos conhecedores das forças da natureza estão ligados aos Orixás através dessas energias das quais fazem uso para os trabalhos. Para quem vivencia o terreiro, que há anos luta as batalhas espirituais e já viu os caboclos vencendo as demandas, afastando entidades negativas, tratando doenças que a medicina muitas vezes não resolve e dando lições de simplicidade, humildade, coragem e persistência, traz uma sensação de alegria que enche o coração, renova o ânimo e nos dá a certeza de que estamos no caminho certo. É também do linguajar de caboclo, que não cai uma folha da jurema (da mata), sem ordem de Oxalá, ou seja, que tudo na vida tem motivo e que nossas ações são registradas na lei de causa-e-efeito, ou lei do karma. Mas isso não significa ficar passivo, esperando o pior acontecer. Os Caboclos também ensinam a termos coragem e a sermos guerreiros na vida, lutando pelo que é justo e bom para todos. No que é possível, os caboclos nos ajudam a entrar na macaia (a mata que simboliza a vida), a cortar os cipós do caminho (vencer as dificuldades) e, se preciso caçar os bichos do mato (vencer as interferências espirituais negativas). Essa postura é evidenciada em vários pontos. Na Umbanda a linha de Caboclo e a linha de Preto Velho, são as únicas fundamentalmente capacitadas, diante seu grau de evolução, a apresentar-se como mentores de um médium, ou seja, são as únicas entidades que podem responder diretamente ao (Orixá de Cabeça) de um médium, sem desequilibrar a vida disciplinar dele. Os caboclos estão ligados a um determinado Orixá, respondendo diretamente a ele, a não ser em casos especiais, onde se precise de um reajuste cármico, assim passando-se a agir uma entidade, que tem um cruzamento vibratório, como por exemplo, um Ogum Rompe Mato, que pode atuar por Oxossi se for preciso. Assim, se na ancestralidade de um caboclo está o elemento fogo, quem o rege é Xangô; e se está o elemento mineral, quem o rege é Oxum, etc. E sua linha de trabalhos espirituais atuará no campo do Orixá que está dando amparo divino à atuação dos espíritos que se apresentam com o seu nome simbólico.

sábado, novembro 22, 2014

Buscando Meu Orixá

Ele andava triste, por muito tempo buscava uma resposta para suas aflições religiosas. Temia que sua fé minasse a ponto de não mais bater cabeça… quando aconteceu este encontro. Em meio ao perfume das ervas queimando na brasa, ao som dos atabaques, penumbra iluminada por velas, ele ajoelha e desaba:
- Vovô, já não agüento mais…
– O que te aflige meu fio?
– Vô, eu amo os Orixás, não tenho dúvida. Mas passei por tantas desilusões, fui enganado por pessoas que se diziam mestres no culto aos Orixás, ostentando todo tipo de títulos e artefatos. Sei que de certa forma aprendi coisas, mas no fim sempre uma desilusão…
- Continue meu fio…
Em lágrimas ele recobra o fôlego e prossegue.
– Então meu velho, já deitei pro Santo, já assentei Orixás, já passei por muitos fundamentos quando eu cultuava o Orixá em outro segmento que não era Umbanda. Hoje não sei como fazer, de uns tempos pra cá começou meu Caboclo se manifestar, descobri que amo a Umbanda e este é meu caminho, o Caboclo disse que devo me fundamentar na Umbanda e devo assentar meus Orixás. Acontece que meus assentos foram confiscados pelo meu último Babalaô. Acho que meus Orixás estão bravos, estão me cobrando, tenho certeza!
- Meu fio, o que eles cobram?
– Não sei meu velho.
– Então vois zuncê vai pagar o que nem sabe que deve?
– Veja meu velho, como estou confuso. Acredito que preciso assentar meus Orixás para me acalmar. Como faço isso?
– Hehe…É meu fio, vois zuncê ta numa encruza mesmo! Intonce, aquiete seu coração, sinta este cheiro de ervas queimando e escuita com atenção o que este velho nego tem pra te fala…
– Meu velho, sou toda atenção, obrigado… – disse ele em prantos.
- Meu fio, os homens nessa terra tem uma necessidade constante de criar formas para expressar-se, neste caso, o nego vai se ater na religião. Por isso muitas são as formas de cultuar os Orixás, muitas mesmo, e é certo que muitas práticas, nem mesmo sendo tolerante às diferenças, é possível aceitar. Pois meu fio, quando o amor não for o caminho e o bom senso não for o limite, intonce muito problema vai acontecer. Sabe fio, esse velho conheceu os Orixás na antiga África, e lá era tudo muito diferente, simplesmente diferente, não me arriscaria a dizer que melhor, pois assim o nego negaria a evolução constante. Este contato da minha alma com essa luz que chamamos de Orixás mudou a existência do nego, e de tanto que amo e sinto-me bem, após minha passagem para o mundo espiritual, insisti para que Olorum me deixasse perto dos seus Orixás. Sou feliz por isso fio, porque nosso Criador me ouviu.
E foi assim que este velho aprendeu algumas coisas simples. Na carne este nego procurou muito os Orixás pela vida, por entre as coisas da Terra, minha Yá tinha ensinado que os Orixás estavam na Natureza, mas como eu não fugia à regra geral, entendia que essa natureza seria o plano físico da arvore, mata, água, fogo, hehe. Como que se eu tendo um pouco da água eu teria “aprisionado” o Orixá. Entendi já aqui no mundo espiritual fio que Orixá não está fora de nós, mas encontra-se dentro. Ele extrapola nossos poros e nos toma por inteiro quando entendemos e reconhecemos isso. Fio, Orixá é a essência de tudo o que você vê, escuta e sente, está muito além destes parcos sentidos humanos e muitíssimo além da nossa razão humana. Mesmo este velho tentando explicar Orixá, cometo um erro, pois sei meu fio, que Orixá não se explica, se sente. Mas como já disse, precisamos criar formas, então fio, que a sua forma seja a mais próxima do abstrato e do sutil, porque assim talvez esteja próximo do que seja Orixá.
Por isso meu fio não se apegue tanto às formas de como cultuam ou assentam os Orixás, principalmente quando lhe ensinam métodos que não encontra aceitação no seu coração. Os Orixás falam ao coração, intonce é ele que você deve escutar para saber como encontrará os Orixás. Se, por exemplo, você qué assentar um Orixá das matas, vá numa mata, sinta o cheiro das folhas, toque elas, converse com o Orixá, cante, dance, colha as folha, cipó, raízes, terra, vai pegando um pouquinho do que tem lá, porque isso simboliza o tal Orixá fragmentado na natureza, com isso monte um espaço onde colocará isso e lá você reza pro tal Orixá. Entendeu meu fio?
Ele soluçando e enxugando as lágrimas com a voz embargada responde:
- Meu velho, vovô querido, muito obrigado. Agora sinto o Orixá dentro de mim. Entendi sua mensagem e não sei como agradecer.
– Fio não tem de quê. Agora vai ao encontro de si mesmo para encontrar os Orixás. Seja feliz meu fio por entender que da essência só bebe aqueles que amam simplesmente por não saber explicar.
E sempre que irmanados os filhos deste plano estiverem, sem máscaras, sem receios, sem pretensões, lá, através do coração sincero de cada um, o Orixá se manifestará. Todos vocês são filhos de Orixá e adotados por todos os Orixás do Universo, somos filhos dos Pai e Mães Celestiais e nada existe sem a relação harmoniosa e contínua de todos Orixás num emaranhado perfeito. E se buscas o “teu” Orixá, então o encontra dentro de ti! Saravá!
E assim, com três estalos de dedo, o Velho sacudiu seu médium, retornando para sua Aruanda, uma sensação de paz profunda pairava no ambiente e o atabaque secou o couro, um silêncio se fez no ar e podia ouvir o crepitar do fogo nas velas, este silêncio eram os Orixás falando ao coração de cada um presente naquela Gira.

Por rodrigo queiroz

terça-feira, maio 13, 2014

13 de Maio - Dia dos Pretos Velhos



 
Apesar de toda a história de dor, injustiça e sofrimento enfrentado pelos negros no Brasil, após passarem pela sofrida expiação, desencarnaram e alcançaram a evolução.
Foram acolhidos por Zambi e Oxalá na Aruanda e hoje em dia baixam em nossos terreiros, trazendo a paz, a sabedoria e, principalmente, ensinando-nos a importância  do amor ao próximo, da humildade e da caridade.
Devemos aos pretos velhos todos os conhecimentos dos Orixás, pois o culto à Eles nasceu no continente africano.
As sessões de pretos velhos são marcadas pela calmaria que invade o terreiro. Uma sensação de paz e amor toma conta do ambiente, fazendo com que os filhos de fé sintam essa energia de luz e de sabedoria que se manifesta.
Os atabaques são tocados de maneira mais leve, mais suave. Assim como com qualquer outra entidade, todo o respeito é prestado para com nossos vovôs e vovós. Geralmente, tais entidades chegam arcadas, demonstrando o peso da idade e o sofrimento que tiveram.Os pretos velhos quando manifestados, gostam de sentar em seu “toco” (um banquinho), fumar seu “pito” (cachimbo ou palheiro) e auxiliar aqueles que precisam. Com sábios ensinamentos, sabem tocar na ferida moral de cada filho de fé, ensinando a maneira correta de se viver, qual seja: Com amor ao próximo, com amor em Deus e com a prática constante da caridade.
Os pretos velhos não gostam de luxo. Preferem que seus médiuns estejam com a boa e velha roupa branca, miçanga e muita disposição para ajudar quem precisa. Atuam também no campo da cura, aliviando, com receitas simples e humildes, as dores dos enfermos que batem em nossas portas.
Nossos vovôs e vovós também são “mandigueiros”. Desmancham qualquer magia feita, tiram de cima do obsediado todas as cargas negativas e “maus olhados”, além de abrirem os caminhos e dar muita proteção no dia-a-dia.
Geralmente, utilizam em seus benzimentos e trabalhos a arruda, o guiné, o rosário, o crucifixo, água com mel, vinho, cachaça, velas, fumo, etc.
São entidades ligadas a Linha das Santas Almas e a vibração de Omulú, apesar de existirem pretos e pretas velhas de outros Orixás, como por exemplo,  a linha de Quenguelê de onde vêm pretos velhos de Xangô. Sua linha também é conhecida como “Yorimá”.
Os pretos velhos representam a resignação, a humildade, a superação, o amor incondicional, a caridade desinteressada. Atendem a todos, independentemente da cor, classe social e religião e repudiam qualquer forma de promoção e cobrança.
Nossos vovôs e vovós também podem ser o guia chefe de um terreiro e comandar as sessões de desenvolvimento, apesar de tal encargo ser mais comum aos caboclos.
Os pretos velhos também são organizados em falages, nas quais, inúmeros espíritos se agrupam sob o mesmo nome.  As mais conhecidas são: Pai Joaquim; Pai Francisco; Pai Maneco; Pai João; Pai José; Pai Mané; Pai Antônio; Pai Roberto; Pai Cipriano; Pai Tomaz; Pai Jobim; Pai Roberto; Pai Guiné; Pai Jacó; Pai Benedito; Rei Congo, Pai Anacleto, Vó Cambinda; Vó Cecília; Vó Maria Conga; Vó Catarina; Vó Ana; Vó Quitéria; Vó Benedita; Vó Cambinda; Vó Rita; Vó Rosa; Tia Catarina, Tia Luiza, Mãe Justina, etc.
Esses nomes são adicionados, geralmente, ao nome do local de onde viveram ou de onde vieram. Por exemplo: Pai João de Angola; Pai José de Aruanda; Mãe Maria de Minas; Pai João do Congo, Pai Cipriano das Almas e assim por diante.
Suas cores são o preto e branco e também o amarelo.
Sua saudação é “Adorei as almas!”
 
*Fonte: Falando de Umbanda

domingo, setembro 08, 2013

Quotidiano Umbandista - Linha de Produção

 
É dia de uma das giras mais populares da Umbanda, há aqueles que a renegam e outros que só falam dela, a gira dos Exus, dos compadres, dos homens da encruzilhada e de suas companheiras de encruza, as Pombagiras.

Os trabalhos ainda não começaram, mas lá fora as pessoas lotam os bancos da assistência, vieram pedir, agradecer e observar essas entidades que tanto fazem sucesso, por seu comportamento, sua força e suas realizações.

Os trabalhos estão correndo normalmente, Ogum já abriu os caminhos e nada de ruim acontecerá, os Exus já estão em terra, fumam e bebem e se preparam para iniciar as consultas. Entre os freqüentadores estão alguns médiuns de outra casa, vieram especialmente para espiar. Um deles vai se consultar com um Exu, fala, ouve, e antes de ir embora toda a boa impressão que tivera do Exu cai por terra, o compadre lhe dá de beber, o médium já espera o sabor forte de pinga, mas se surpreende e se indigna ao perceber que o Exu bebe água quente. A bebida queimou sua garganta, mas não subiu para sua cabeça.

Na volta pra casa comenta revoltado com seus irmãos que jamais viu e não admite Exu que beba água, Exu bebe pinga, conhaque, whisky e de preferencia em grandes quantidades. - reclama o pobre médium.

Ora, penso eu, será que existe uma Maria só no mundo? E será que todas as Marias bebem café? Por que então todos os Exus devem ter o mesmo comportamento?

Não é todo Caboclo que grita, nem todo Preto-Velho é negro. Será que todas as entidades são iguais, mas com nomes diferentes?

Meu Axé a todos. Salve a Umbanda!                                      
                                                                                            Jornal Tambor - 06 / 07 / 2002

terça-feira, maio 31, 2011

Cativeiro



Numa noite linda
noite de luar
preto velho orou à Zambi
prá cativeiro acabar (bis)
Trabalha Zé, trabalhou
trabalha Zé, trabalhou
Trabalha Zé
que o cativeiro acabou (bis)

quarta-feira, maio 18, 2011

As 7 lágrimas de um Preto Velho


Num cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, pitando o seu cachimbo, um triste preto-velho chorava. De seus olhos molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pelas faces e não sei porque contei-as... Foram sete.
Na incontida vontade de saber aproximei-me e o interroguei. Fala, meu preto-velho, diz ao teu filho por que externas assim uma tão visível dor?
E ele, suavemente respondeu: Estás vendo esta multidão que entra e sai? As lágrimas contadas estão distribuídas a cada uma delas.



A PRIMEIRA, eu dei a estes indiferentes que aqui vem à busca de distração, para saírem ironizando aquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber…
A SEGUNDA , a esses eternos duvidosos que acreditam , desacreditando, na expectativa de um milagre que os façam alcançar aquilo que seus próprios merecimentos negam.
A TERCEIRA, distribui aos maus, aqueles que somente procuram a umbanda, em busca de vingança, desejando sempre prejudica a um seu semelhante.
A QUARTA, aos frios e calculistas que sabem que existe uma força espiritual e procuram beneficiar – se dela de qualquer forma e não conhecem a palavra gratidão:
A QUINTA, chega suave, tem o riso, o elogio da flor dos lábios, mas se olharem bem o seu semblante, verão escrito: creio no umbanda, nos teus caboclos e no teu zambi, mas somente se vencerem o meu caso, ou me curarem disso ou daquilo.
A SEXTA, eu dei aos fúteis que vão de centro em centro não acreditando em nada, buscam aconchegos e conchavos e seus olhos revelam um interesse diferente.
A SETIMA, filho, nota como foi grande e como deslizou pesada? Foi a ultima, aquele que vive nos “olhos” de todos os orixás. Fiz doação dessas aos médiuns vaidosos que só aparecem no centro em dia de festa e faltam as doutrinas. Esquecem que existem tantos irmãos precisando de caridade e tantas criancinhas precisando de amparo materno e espiritual
Assim, filho meu, foi para esses todos, que vistes cair, uma a uma. As sete
Lágrimas de um preto velho.

segunda-feira, maio 16, 2011

Os Pretos Velhos

Espíritos de velhos africanos que viveram nas senzalas como escravos, e que morreram no tronco ou de velhice.
Entidades desencarnadas que tiveram pela sua idade avançada o poder do segredo de viver longamente, apesar da rudeza do cativeiro demonstrando qualidades insuperáveis para suportar as amarguras da vida, conseqüentemente são espíritos guias de elevada sabedoria trazendo esperança aos consulentes que os procuram para amenizar suas dores.

Costumam fazer suas “mirongas” (trabalhos mágicos), para ajudar os necessitados, sentados em seus banquinhos fumando seu cachimbo, benzendo, demandam contra o baixo astral para afastar os perigosos Kiumbas.
Com suas várias experiências em outras vidas, entenderam que somente o amor constrói e une os seres, que a matéria só nos permite existir e vivenciar fatos e sensações, mas a matéria não existe por si só, nós que a criamos para tais experiências, e que a realidade é o espírito.
Mestres da sabedoria e humildade nos auxiliando na busca de sempre termos forças para levantar, mesmo diante de nossas dores, com conselhos e vibrações de amor incondicional.



“Vêm curvados mal conseguem andar;
Trabalham sentados em seus banquinhos, apóiam-se em suas bengalas;
Arruda, Guiné e Manjericão, folhas para as suas mirongas poderosíssima;
Um cachimbo, chapéu de palha, com sua roupa branca e preta e um rosário na mão.”
          “E assim nossos VOVÔS E VOVÓS seguem sua caminhada... Ajudando seus filhos que caíram, mas que souberam levantar”


Dia da semana: Segunda-Feira.
Cor: Preto e Branco.
Fumo: Cachimbo (Com folhas e ervas) ou cigarro de palha.
Local: Cruzeiro das Almas.
Fio de Contas (Guias): Muitos Pretos Velhos gostam de guias com contas de Rosário de Nossa Senhora, alguns misturam favas e colocam cruzes ou figas feitas de Guiné ou Arruda.
Roupas: Preta e Branca; carijó (xadrez preto e branco).
As Pretas Velhas usam lenços na cabeça ou batas, e os Pretos Velhos usam chapéu de palha.
Bebidas: Café preto, chá, garapa, vinho tinto, cachaça com mel, água, algumas vezes misturam ervas, sal, alho e outros elementos.
Comidas: Tutu de feijão preto, bolinhos de tapioca, pães, bolos, mandioca, queijadinha, batata doce, pamonha, mingau, canjica mungunzá, acarajé, couve, farofa, cuscuz, feijoada completa com miúdos e carne salgada de boi (em dia de festa).
Ervas: Guiné, arruda, manjericão, junco, carqueja, carquejinha, romã (folha) etc.
Kiumbas:
Exus pagãos – São espíritos trevosos ou obsessores,encontram -se desajustados perante a lei, provocando os mais variados distúrbios moras e mentais nas pessoas, desde pequenas confusões até as mais duras e tristes obsessões. São espíritos que se comprazem na prática do mal apenas por sentirem prazer ou por vinganças colocadas por ódio doentio.
Sentimentos Baixos – São paixões, ódios, rancores, raivas, vinganças, sensualidade, desenfreada e vícios de toda estripe, dessa forma alimentam essa faixa vibracional e os Kiumbas se comprazem nisso, já que se sentem mais fortalecidos.

Oração dos Pretos Velhos 
                                  
“Senhor, Nosso Pai, que sois o poder, a bondade, a misericórdia, olhai por aqueles que acreditam em vós e esperam por vossa bondade, poder e misericórdia. Dá Pai aos que vacilam ao vosso poder, na vossa misericórdia, a bondade, a clareza de pensamento e abri-lhes senhor, os olhos para que pratique sempre o bem, a caridade de vossa sabedoria, reconhecendo assim a vossa existência, poder e misericórdia bem assim, a vosso reino. Senhor perdoa aqueles que a escuridão ainda não deixou ver os erros cometidos na sua passagem terrena. Dá Senhor, a eles que sofrem a luz e seu imenso amor e dá sua sabedoria.
Que a luz nos ilumine neste mundo e em outros os lugares por onde passarmos nos proteja.
Oh! Meu Pai santíssimo!! A nós pecadores, aceita o nosso arrependimento dos erros que temos cometidos.
Pai, pela sua sagrada bondade e paixão consenti que caminhe até vós pelo caminho da perfeição. Dá Senhor, orientação perfeita no caminho da virtude, único caminho pelo qual devemos trilhar.
Misericórdia aos nossos inimigos. Perdão aos nossos erros e que vossa piedade não falhe hoje e sempre...”
                                                            Amém.  

Fonte:
Foi usado como fonte de pesquisa a pagina "Google" e através dele sites especializados.
Livro: Inicialização a Umbanda.
Acervo: Aldeia de Caridade Iemanjá e Cacique Sultão das Matas