segunda-feira, agosto 22, 2011

Daqui, da assistência

           Tudo na Umbanda tem a sua importância - os médiuns, os cambonos, quem toca no atabaque. Todos têm sua importância, assim como quem freqüenta a gira e fica observando os trabalhos, a assistência. Buscando entender o papel da assistência na gira, essa categoria visa não só apenas relatar sobre, mas também entender e mostra a visão de quem está nela.

            A assistência é formada por pessoas da comunidade, ou por pessoas de outras localidades, que por indicação passam a frequentar a casa. As pessoas que estão presentes na assistência depois que as pessoas são defumadas são autorizadas à entrar na corrente espiritual para serem benzidas e se consultar com as Entidades.
As pessoas da assistência recebem a caridade de diversas formas, seja consultando e pedindo conselhos sobre questão espiritual, material ou de saúde, ou simplesmente recebendo o passe.

            Mas essa não é a única função que a assistência tem. A participação dela é importante em todos os momentos, seja com um simples bater de palma durante um ponto ou com o silêncio necessário em determinado momento. E será esse o assunto abordado por aqui.
Vamos mostrar a participação dela na organização das festas, na ajuda com a casa e em outros momentos. O que se deve e o que não se deve fazer durante uma gira, como se comportar, o poder do pensamento da assistência, seus trejeitos influenciam com a energia do local, por isso, como está em maior número, a assistência se torna uma das peças chave para o decorrer da gira.
Serão simples relatos de quem freqüenta a religião por mais de 3 anos, fatos narrados por olhares curiosos e atentos e de alguém que já foi chamado a atenção por cruzar os braços ou não ter tirado o sapato antes do benzimento, mas quem não vivenciou ou fez isso né?

terça-feira, agosto 16, 2011

Diário de Uma Médium Iniciante.

Minha família sempre teve laços com o espiritismo e durante minha infância minha mãe buscava algo que ajudasse a parar com os contínuos sonhos que atormentavam minha irmã.
Ela acabou encontrando ajuda na casa de Mãe Elizabeth de Iemanjá (nossa casa matriz) e por alguns anos frequentamos a casa inclusive minha irmã fazendo parte da corrente de médiuns.
Por motivos particulares acabamos nos afastando da Umbanda por um tempo mas a espiritualidade esteve sempre em nossas vidas.
Foi a abertura da Aldeia de Caridade e anos depois o falecimento de Mãe Elizabeth que acabou colocando a Umbanda de volta nos nossos caminhos.
Mãe Cecília, nossa Madrinha era filha de santo de Mãe Elizabeth e nossa vizinha por mais de 25 anos.
Foram esses laços de amizade e respeito que fizeram minha mãe voltar a frequentar a Umbanda e algum tempo depois eu também segui o mesmo caminho.
Foi com surpresa que me dei conta que outros membros da minha família já estavam fazendo parte da corrente espiritual e me senti mais confiante com tudo aquilo.
Durante os trabalhos, na assistência, eu sentia sensações dificeis de descrever, arrepios, choros e quase que um chamado para que eu entrasse e fizesse parte de tudo aquilo.
Foram as Entidades da casa que me aconselharam a conversar com a Madrinha e saber do que se tratavam aquelas sensações.
A conversa foi muito produtiva e acabei descobrindo quais Orixás me escolheram como filha e que eu tinha sim uma missão como médium à seguir. Aprendi sobre a vida de um médium umbandista, as obrigações, postura e responsabilidades. Tudo o mais que envolvia os preceitos e cerimonias da casa.
Uma vez dentro da corrente de médiuns, devidamente trajada em branco foi então que comecei a entrar em contato com o povo de Aruanda literalmente rsrsrs.
Tudo no começo é um pouco complicado e essa experiencia como médium não foi diferente, aos poucos comecei a aprender mais, estudar mais e conhecer mais sobre tudo que envolve a Umbanda e ser um médium de Umbanda.
Foi numa gira de Preto-Velho, na praia, que a Madrinha me ajudou na concentração e firmeza espiritual e ali mesmo incorporei minha primeira Entidade, a sensação foi estranha, diferente e foi só no fim dos trabalhos que me dei conta que eu havia mesmo tido minha primeira incorporação.
Depois disso as coisas só melhoraram e ficaram mais fortes e minha Entidades passaram a se fazer mais e mais presentes. Passei a diferenciar as energias que diferentes Entidades me passavam.
Aprender sobre as nossas Entidades é a parte mais interessante desse processo de desenvolvimento e cada gira que elas incorporam e trabalham é uma grande passo dado no aprendizado de ambos.
Não faz muito tempo, minha Preta Velha foi autorizada a benzer crianças da assistência, ao mesmo tempo que fiquei em choque com a novidade e principalmente a responsabilidade, fiquei feliz de saber que eu e minhas Entidades estamos no caminho certo e prontos pra começar a prestar a caridade aos que necessitam.
Abraços, Carolina Abla.

quinta-feira, agosto 11, 2011

Exu

          Orixá Exu é o senhor do destino, dos caminhos e da sexualidade. Ele é o mensageiro dos Orixás.
          Exu é o dono das encruzilhadas, seu pólo de força e sua morada, ao lado de Ogum ele rege os caminhos do mundo, sejam materiais, ruas, estradas e trilhas, ou espirituais.
          É o dono da sexualidade humana, é ele o dono do desejo sexual que propicia o ato que resultará na perpetuação da espécie.
          O jogo de búzios, oráculo adivinhatório dos Orixás e, por conseguinte as conchas usadas no jogo são de Exu, ele é quem permite essa comunicação. Exu, na maioria das vezes é quem responde as perguntas feitas através dos búzios, e quando outro Orixá responde é sob a permissão do dono do destino. Na verdade, Exu é o mensageiro dos Orixás, ele leva a pergunta ao Orixá em questão e traz a resposta de volta na forma da caída dos búzios.
Exu usa as cores preta e vermelha em suas velas, objetos e roupas, mas aceita também a cor branca.
          Exu come galo, farofas de carne, dendê, mel, bode, pipoca, pimenta e miúdos. Gosta de beber pinga ou bebidas alcoólicas em geral e água.
          Suas ervas são: bagaço de cana, aroeira, pimenta, arrebenta cavalo, urtiga e hortelã pimenta, suas flores são o cravo vermelho ou flores vermelhas de diversos tipos.
          Exu está ligado a forças das mais negativas, ele trabalha diretamente com Orixás de ligação as almas e a morte, como Omolu / Obaluaiê e Nanã Buruquê, ele transita por todos os lugares do mundo sem precisar pedir licença, ele poderia ser chamado de o “gari” das energias negativas, e é isso que ele faz, anda em todos os planos limpando os recintos de fluídos pesados, espíritos zombeteiros, e desmanchando trabalhos de má finalidade.
Devido a isso, Exu foi e é encarado como Orixá negativo, de finalidades ruins e maléficas, quando na realidade é ele quem combate esse tipo de realizações.
          Não é conhecido um sincretismo de Exu, infelizmente ele acabou sendo comparado com a imagem do Diabo cristão e até hoje essa figura lhe é associada. Fala-se que o santo católico mais próximo de Orixá Exu seria Santo Antonio, mas não há nenhuma certeza quanto a isso. Por não ter sincretismo Exu não tem data comemorativa, porém lhe são rendidas oferendas e festas normalmente no mês de agosto, mês conhecido por guardar energias pesadas.
          Assim como Orixá Oxosse, Exu, na Umbanda, tornou-se chefe de uma linha de Entidades, a linha chamada da Esquerda. Que reuniria espíritos de vida carnal desregrada, ilícita e vergonhosa. Na verdade, os espíritos que compõem essa linha da Esquerda são espíritos que estão no principio da evolução espiritual, dessa forma, eles estão trabalhando ligados às energias pesadas e negativas do Orixá. Abordarei a linha da Esquerda mais adiante.
          As cantigas de Exu normalmente trazem nomes de seus mensageiros e quando isso não acontece entende-se que a cantiga fala de todos os Exus em geral.

Toma lá Exu, toma lá o que é seu.
Vai no meio da rua, vai buscar o que é teu.



Exu da meia noite, Exu da madrugada. 
Oi salve o povo da encruza,
Sem Exu, não se faz nada.

         Portanto devido a várias idéias perdidas e desencontradas Exu, no papel de Orixá quase não existe dentro da Umbanda, o que existe são os espíritos de sua linha que também atendem pelo nome do Orixá.
          A Exu faz-se pedidos de descarrego, fechamento de corpo e principalmente prosperidade amorosa, sexual e financeira. Exu é a resposta para todos os males, sejam eles da origem que forem, é essa a sua imagem, o de curador de todos os males.
          Não existe registro de giras de Orixá Exu na Umbanda, somente as de seus mensageiros. O símbolo de Exu é o tridente de ferro com três pontas, chamado popularmente de garfo. Ele representa a força de Exu, que também teria relação com o ferro e o usa como arma para proteger a todos.
          Ele é o Orixá mais contraditório de todos, a sua personalidade é de atrevido, contestador e provocador. Ele é a divindade que mais se aproxima do caráter humano, por transitar livremente pelos dois mundos, carnal e espiritual, Exu tem uma ligação muito grande com os seres humanos, tem sentimentos que não são atribuídos aos outros Orixás, como inveja e luxúria. Exu exige que ele seja o primeiro Orixá a ser lembrado sempre que algo será feito, ele pede agrados, presentes e oferendas não mais que os outros Orixás, mas sempre ele deve ser o primeiro. Quando Exu está feliz, tudo o que se pede ele prontamente se dispõe a fazer.
          É quase uma lenda falar de templos de Umbanda que não cultuam Exu, ele está sempre presente nas entradas de todos os templos em grandes casas erguidas a ele ou em pequenas quartas de barro, é sempre muito prestigiado com grandiosas festas e oferendas de muita beleza. Quando se louva Exu, saúda-o com “Laroyê Exu”, ou “Mojubá Exu” cujos significados são próximos de “Eu me curvo perante Exu” e “Salve a força de Exu”.

            Arquétipo de seus filhos

O arquétipo de Exu é muito comum em nossa sociedade, onde proliferam pessoas com caráter ambivalente, ao mesmo tempo boas e más, porém com inclinação para a maldade, o desatino, a obscenidade, a depravação e a corrupção. Pessoas que têm a arte de inspirar confiança e dela abusar, mas que apresentam, em contrapartida, a faculdade de inteligente compreensão dos problemas dos outros e de dar ponderados conselhos, com tanto mais zelo quanto maior recompensa esperada. As cogitações intelectuais enganadoras e as intrigas políticas lhes convém particularmente e são, para eles, garantias de sucesso na vida. (Verger)*

* Trecho retirado do livro “Orixás” de Pierre Verger, 1996.
Por  Thiago Sá

sábado, agosto 06, 2011

Umbanda de Outras Bandas

Quando desembarquei na Nova Zelândia em dezembro de 2006 eu trazia na bagagem além de meus pertences e um coração cheio de expectativas eu trazia uma vida inteira dedicada à Umbanda. Eram quase dez anos como médium e dois anos de iniciação como Sacerdote ou Pai de Santo.
Sempre faço piadas dizendo que minha bagagem teve excesso de peso pois eu trouxe todos os Orixás e Entidades comigo.
Fui recebido por minha grande amiga Elisangela que foi a razão de eu escolher vir para um lugar tão longe de tudo e que mais tarde seria minha primeira filha de santo.
Logo de cara a gente se pergunta como vai se virar morando numa terra onde niguém sabe o que é Oríxá, Caboclo e Exu, muito menos Umbanda.
Acredito que minhas Entidades e os Orixás me acompanharam nessa jornada assim como acompanharam seus filhos africanos que cruzaram o Atlântico rumo à América e escolheram aceitar um culto diferente do original pois o mais importante é a fé que sentimos e não o local onde cultuamos.
Como Pai de Santo aprendi e me preparei pra me virar bem morando longe do templo e sem o convívio de minha Mãe de Santo, trouxe comigo meus búzios, umas duas guias e uns dois panos de cabeça, estava seguro, pensei.
Diferente de outros brasileiros umbandistas que moram em Portugal, EUA e Japão onde podem encontrar praticamente tudo oque encontramos no Brasil e assim praticar a Umbanda do mesmo jeito que constumavam, eu me deparei com as dificuldades mais primárias.
Vela comum? Não tem. Charuto? Não tem. Defumador? Não tem. Pemba? Não tem. E as sábias palavras de minha mãe cantavam no meu ouvido: "Meu filho, as Entidades entendem e aceitam aquilo que você puder oferecer."
Pois bem, as velas são as pequeninas que se usa de decoração e numa variedade de cores bem primárias, o charuto é cigarrilha ou cigarro comum, o defumador virou incenso e a pemba é giz.
Se não fosse pelas caixas super recheadas de artigos religiosos que chegaríam pelo correiro vindas do Brasil acho que Caboclo ainda ia estar fumando cigarrilha, obrigado Padrinho!
Lembro-me da primeira incorporação, Exu como sempre o primeiro veio discretamente entre as árvores de um parque gramado em frente ao lago da cidadezinha que morava com a vista das montanhas ainda com neve no topo. Ficou por alguns minutos, conversou com Eli e foi embora me deixando a sensação de que muita coisa ainda estava por vir.
Na quaresma no mesmo lugar Preto Velho veio, sentou na grama coitado, nao tínhamos um toco pro velho bancar. Veio para o fechamento de corpo da sexta-feira Santa, cruzou seu cavalo e sua filha e me mostrou que ali começava a jornada. Eu, uma filha de santo e uma terra completamente estrangeira para desbravar.
Acredito que vim pra cá por uma razão. Quem sabe não seja a de "levar ao mundo inteiro a bandeira de Oxalá".
Saravá a Umbanda!
Thiago Sá

quarta-feira, julho 27, 2011

Nanã Buruquê


Nanã Buruku, Nanã Buruquê ou simplesmente Nanã, é a Orixá feminina mais velha de todas.
Nanã usa as cores lilás, roxo e violeta em suas roupas, velas e objetos.
Suas comidas são, feijão branco ou fradinho, batata doce roxa, peixe, milho branco e arroz. Nanã bebe água, champagne ou vinho branco.
Alfavaca, assa-peixe, alfazema, quaresmeira, maria preta e palha da costa são suas ervas.
Nanã é a Orixá dos mortos, sua morada é o mangue, o brejo, o alagado todos os lugares onde a água e a terra se tornam um só, pois o barro seria o princípio da humanidade.
Sua saudação: “Saluba Nanã Buruquê”, significa: “Nos refugiamos com Nanã da morte ruim”. Mas ela não tem aspecto negativo, apenas se utiliza energias ligadas às almas, portanto mais densas e pesadas.
Nanã é sincretizada com Santa Ana ou Nossa Senhora de Santana, é personificada como a avó, protetora de crianças e educadores. No dia 26 de julho rendem-se festas em sua homenagem.


Nossa Senhora de Santana

Nas suas giras costumam incorporar suas mensageiras ou Caboclas, espíritos que trabalham com ligação direta à sua energia. Quando incorporada Nanã normalmente permanece curvada, pode emitir pequenos sons, sejam de choro ou algo parecido com um canto, dificilmente dançam, e quando isso ocorre acredita-se que é devido a grande satisfação e alegria da divindade. Nanã pode ter nas mãos flores que lhe são dadas, estas são abençoadas e devolvidas para que permaneçam no Congá até que murchem.
Seus pontos cantados costumam falar de sua ligação com Omolu também Orixá dos mortos, e de sua calma e paciência para resolver as coisas.

São flores Nanã, são flores,
são flores Nanã Buruquê.
São flores Nanã são flores,
de seu filho Obaluaiê.
Nas horas de agonia
ele sempre vem me valer,
É seu filho Nanã, é meu Pai
É ele Obaluaiê

Sua louvação é feita por todos curvados, respeitando sua velhice e conhecimento. A Nanã deve-se muito respeito e cuidado pois é um dos Orixás de culto mais complexo e trabalhoso, seu temperamento é ríspido e exigente, devendo-se sempre tomar cuidado com brincadeiras ou pouco caso, atitudes nada aprovadas por Nanã.
O culto de Nanã não é tão popular como o de Ogum ou Iemanjá, mas Nanã está presente em praticamente todas as casas, ao menos recebendo louvações.


Arquétipo de seus Filhos

Nanã Buruquê é o arquétipo das pessoas que agem com calma, benevolência, dignidade e gentileza. Das pessoas lentas no cumprimento de seus trabalhos e que julgam ter a eternidade a sua frente para acabar seus afazeres. Elas gostam de crianças e educam-nas, talvez, com excesso de doçura e mansidão, pois tem tendência a se comportarem com a indulgência das avós. Agem com segurança e majestade. Suas reações bem-equilibradas e a pertinência de suas decisões mantêm-nas sempre no caminho da sabedoria e da justiça. *

Fator: decantador.
No positivo: são calmas, conselheiras, orientadoras, religiosas, emotivas, muito simpáticas.
No negativo: são intratáveis, ríspidas, tagarelas, fuxiqueiras, vingativas, perigosas.
Apreciam: a boa mesa, companhias falantes e alegres, reuniões familiares e religiosas, pessoas que lhe dediquem afeto e respeito, vestes coloridas.
Não apreciam: pessoas egoístas, mesquinhas ou geniosas, festas ou reuniões agitadas, crianças peraltas, roupas espalhafatosas, desperdício e pessoas preguiçosas e exibicionistas.

* Trecho retirado do livro “Orixás” de Pierre Verger, 1996.
Por Thiago Sá

sexta-feira, julho 15, 2011

Rita Ribeiro - É D'Oxum

Rita Ribeiro nasceu no Maranhão, onde começou sua carreira musical, mas seu sucesso mesmo veio através do projeto "Tecnomacumba", considerado algo inovador, o projeto foi fruto de uma intervenção cultural. As letras são homenagens aos orixás e pontos cantados em centros de Umbanda e de Candomblé, nos moldes da MPB, gênero que Rita sempre gostou e seguiu.


O vídeo abaixo, é do DVD "Tecnomacumba - a tempo e ao vivo" de 2009, que foi lançado em comemoração do 6º ano do projeto que, continua na estrada trazendo mais publico aos shows.



É D'Oxum
Gerônimo - Vevé Calazans


Nessa Cidade Todo Mundo É d'Oxum
Homem, Menino, Menina, Mulher
Toda Essa Gente Irradia Magia
Presente Na Água Doce
Presente n'água Salgada
E Toda Cidade Brilha
Seja Tenente Ou Filho De Pescador
Ou Importante Desembargador
Se Der Presente É Tudo Uma Coisa Só
A Força Que Mora n'água
Não Faz Distinção De Cor
E Toda A Cidade É d'Oxum
É d'Oxum, É d'Oxum, É d'Oxum,
Eu Vou Navegar, Eu Vou Navegar
Nas Ondas Do Mar, Eu Vou Navegar
É d'Oxum, É d'Oxum

sábado, julho 02, 2011

Hoje é dia de Festa: Xangô

No ultimo sábado, 25 de junho, foi realizada uma festa em homenagem ao orixá Xangô.






Com as bênçãos de nosso pai Xangô e de nossa mãe Iansã




Com a alegria dos Baianos









E com o encanto de Cosme e Damião



A festa fez jus a gradeza que é Xangô.

quinta-feira, junho 23, 2011

Xangô

Xangô usa a cor marrom em suas velas, roupas e objetos que também podem ter a cor amarela, cor de Iansã sua esposa ou ainda o vermelho.
Xangô bebe vinho tinto e cerveja preta. Suas comidas são a rabada, o carneiro, quiabo, acarajé, peixe de couro, camarão seco e fresco, pirão de peixe além de pimenta.
As ervas de Xangô são o manjericão, alecrim, quebra pedra, inhame, abacate e hortelã. Suas flores, palmas vermelhas e cravos brancos.
Xangô teria tido três esposas; as Orixás Oxum, Iansã e Obá, esta ultima cultuada somente no Candomblé.
Xangô usa um machado duplo chamado Oxê. Ele é o Orixá do fogo, do trovão e principalmente da justiça.
Está sempre na companhia de Iansã, sua esposa predileta, justamente a Orixá do raio e da tempestade.
Xangô tem a pedreira como sua morada, ele é o dono das pedras, tão duras quanto sua justiça. A Xangô são feitos pedidos de justiça, jurídica ou moral, mas sempre é salientado que Xangô só ajuda aqueles que são merecedores, pois seu senso de justiça é tão grande que sua ira ataca mesmo aquele que lhe pediu ajuda caso Xangô considere que o pedido feito seja para benefício próprio.
O leão que acompanha Xangô serve para mostrar que Xangô é um líder tão forte, destemido e respeitado quanto o leão no reino animal.
É chamado o Rei da Umbanda, até porque ele é o único Orixá que segundo histórias africanas foi Rei, e por isso usa coroa.
Xangô é velho, suas cantigas contam que morreu com a idade. Por isso nos curvamos para louvá-lo, por respeito a um Orixá de idade avançada. Talvez Xangô não seja tão velho como pensamos, mas a sabedoria está ligada à idade por isso sua representação seja do velho de cabelos brancos sentado numa pedra.

Xangô morreu na maior idade,
Morreu escrevendo em uma pedra.  (bis)
Ele escreveu a justiça,
quem deve paga quem merece recebe.  (bis)

Suas cantigas também contam que ele era muito leal e companheiro, e que escreveu um livro, o livro da Justiça. Coincidentemente, Xangô é sincretizado com São Jerônimo que na Teologia Católica foi quem traduziu a bíblia. O dia de São Jerônimo é 24 de junho.

Xangô é filho de aurora é,
Xangô é filhos de aurora.
Xangô era bom pai, bom filho e bom irmão,
Você brinca com Nagô mas com Xangô não brinca não.

Nas giras de Xangô, incorporamos espíritos que trabalham diretamente na energia e vibração de Orixá Xangô, que chamamos de mensageiros ou de Caboclos de Xangô. Eles podem se apresentar prostrados, levemente curvados ou eretos de acordo com a idade que o espírito apresenta. Podem também trazer nas mãos pequenas pedras que costumam bater uma contra a outra emitindo sons ou apenas como símbolos de sua força. Não é comum, mas um Caboclo de Xangô pode fumar quando incorporado ou ainda beber. Alguns permanecem calados, outros emitem sons ou brados. É possível que um mensageiro de Xangô jovem e robusto dance, mas é raro.
A saudação “Caô Cabieci” ou “Caô Cabiecilê” significam “Venham ver o Rei descer sobre a Terra” ou então “Salve o grande Rei”. Xangô é, ao lado de Ogum, Oxosse e Iemanjá um dos Orixás de mais fervoroso culto no Brasil, tendo milhares de casas dedicadas a ele.


Arquétipo de seus Filhos

O arquétipo de Xangô é aquele  das pessoas voluntariosas e enérgicas, altivas e conscientes de sua importância real e suposta. Das pessoas que podem ser grandes senhores, cortese, mas que não toleram a menor contradição, e, nesses  casos, deixam-se possuir por crises de cólera, violentas e incontroláveis. Das pessoas sensíveis ao charme do sexo oposto e que se conduzem contato e encanto do decurso das reuniões sociais, mas que podem perder o controle e ultrapassar o limite da decência. Enfim, o arquétipo de Xangô é aquele das pessoas possuem um elevado sentido da sua própria dignidade e das suas obrigações, o que as leva a se comportarem com um misto de severidade e de benevolência, segundo o humor do momento, mas sabendo guardar, geralmente, um profundo e constante sentimento de justiça. (Verger)*

Fator: equilibrador
No positivo: são passivos, racionais, meditativos e observadores, atentos, mas pouco falantes e geniais.
Negativo: são reclusos, calados, rancorosos, implacáveis em seus juízos, intratáveis.
Apreciam: a leitura, a musica, os discursos, a boa companhia, e a companhia de mulheres vivazes (vigorosas, vivas, ligeiras), aconchego do lar e a boa mesa, gostam de se vestir bem, mas com sobriedade.
Não apreciam: festas arrivistas, reuniões emotivas, companhias desequilibradas ou mulheres monótonas, apáticas, os egoístas e os soberbos.
Obs.: estatura baixa ou media, de compleição robusta ou atarracada.

* Trecho retirado do livro “Orixás” de Pierre Verger, 1996.


segunda-feira, junho 13, 2011

Hoje é dia de festa: Ciganos

Em homenagem a Santa Sara Kali, santa protetora do povo Cigano, no último dia 28 de maio foi realizada uma festa para celebrar e comemorar tal data.



Com as bençãos de nosso pai Ogum, os trabalhos foram iniciados. E a magia e a alegria dos Ciganos tomaram conta do local.




Uma mesa farta e uma fogueira não poderiam faltar numa festa cigana. E nada seria possível se não fosse pela disposição e trabalho dos filhos e amigos da Aldeia.




Para saber mais sobre a história do povo Cigano e sobre a Santa Sara Kali, clique.



O Ritual do Arco Iris

sexta-feira, junho 10, 2011

Santa Sara Kali

Sua história e milagres a fez Padroeira Universal do Povo Cigano, sendo festejada todos os anos nos dias 24 e 25 de maio. Ocorre procissão e festejos com banhos no mar. A imagem de Santa Sara é vestida de azul, rosa, branco e dourado, adornada de flores, jóias e lenços coloridos e levada para as águas do mar. Após o banho de mar, a imagem, volta ao altar onde os que participaram da procissão possam pedir suas graças.Muitos buscam nos olhos de Santa Sara a obtenção das graças, pois nos olhos de Santa Sara, tudo está contido: a força de Deus, a força da mãe, a força do amor da irmã e da mulher, a força das mãos, a energia, o sorriso, a magia do toque e a paz. E assim, todos que buscam graças no seu olhar, retornam sempre aos pés de Santa Sara para agradecer.
Embora seja uma santa da igreja católica canonizada em 1712, até hoje a própria Igreja omite o seu culto.



Kali, em sânscrito quer dizer negra, e foi acrescentado ao seu nome devido a cor bem morena de sua pele.

Além de trazer saúde e prosperidade, Sara Kali é cultuada também pelas ciganas por ajudá-las diante da dificuldade de engravidar. Muitas que não conseguiam ter filhos faziam promessas a ela, no sentido de que, se concebessem, iriam à cripta da Santa, em Saintes-Maries-de-La-Mer no sul da França, fariam uma noite de vigília e depositariam em seus pés como oferenda um diklô, o mais bonito que encontrassem. E lá existem centenas de lenços, como prova que muitas ciganas receberam esta graça.
Oferecer um manto ou um lenço à Santa Sara faz parte de seu culto e devoção. Geralmente os mantos ou lenços são para agradecer uma graça alcançada através de um pedido ou promessa.

A  História
Por volta dos anos 50 d.c, uma embarcação cruzou os mares a partir de terras Palestinas levando a bordo para fugir das perseguições de Roma aos primeiros cristãos, um grupo de personagens bíblicos:Maria Jacobina ou Jacobé, irmã de Maria, mãe de Jesus, Maria Salomé, mãe dos apóstolos Tiago e João, Maria Madalena, Marta, Lázaro, Maximinio e Sara, uma negra serva das mulheres santas.
Eles foram atirados ao mar, numa barca sem remos e sem provisões.
Desesperadas, as três Marias puseram-se a orar e a chorar. Aí então Sara retira o diklô (lenço) da cabeça, chama por Kristesko (Jesus Cristo) e promete que se todos se salvassem ela seria escrava de Jesus, e jamais andaria com a cabeça descoberta em sinal de respeito. Milagrosamente, a barca sem rumo e à mercê de todas as intempéries, atravessou o oceano e aportou com todos salvos em Petit-Rhône, hoje a tão querida Saintes-Maries-de-La-Mer. Sara cumpriu a promessa até o final dos seus dias.
Então nasceu a tradição de toda mulher cigana casada usar um lenço que é a peça mais importante do seu vestuário: a prova disto é que quando se quer oferecer o mais belo presente a uma cigana se diz: Dalto chucar diklô (Te darei um bonito lenço).