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terça-feira, outubro 07, 2014

Hoje é dia de festa - São Cosme e São Damião.

 
As festividades de São Cosme e São Damião são uma das maiores representações da presença da Umbanda no cotidiano dos brasileiros.
Por todos os cantos do país crianças recebem doces e brinquedos como prova de devoção e agradecimentos aos santos gêmeos, os Ibejis.
Eles representam a pureza, inocência e alegria típica das crianças.
Nos abençoam todos os dias com pequenas demonstrações de amor e afeto que trazem mais leveza ao nosso cotidiano.
Para nos tornarmos adultos precisamos primeiro ser crianças, aprender com nossos erros, ser inocentes, amar as coisas simples e ter um coração puro para perdoar todas as coisas.
Os eres, quando descem no terreiro nos lembram desse tempo, em que o importante era brincar e não se preocupar tanto com os problemas. Mas sem perceber eles ouvem, sentem e cuidam de todas as nossas preocupações e quando voltam para Aruanda, eles levam com eles nossos problemas, nos deixando no lugar um coração leve e cheio de esperança.
Salve a Ibeijada!

 
 
Aldeia toda enfeitada e pronta para festejar as crianças da Umbanda.

Balões e bandeirolas e muita cor.

Os balões vão pro céu levando nossos pedidos e agradecimentos.

A alegria dos eres contagia o ambiente.

Na Nova Zelândia a Aldeia também estava pronta.

Enfeitada para as crianças.

 
E as crianças também vieram pra brincar.

E mais balões foram pro céu lá também.

quinta-feira, abril 10, 2014

Quotidiano Umbadista - A surpreendida



De postura e comportamento exemplares, uma senhora moradora do sobrado verde, passa todos os dias religiosamente no mesmo horário para ir à igreja evangélica.

É tida pelos vizinhos como a obreira mais fervorosa da região. E fazia por merecer, não abria mão da saia comprida e da bíblia embaixo do braço por onde ia.

Um simples bom – dia era motivo para uma sessão de evangelização. Falar em “macumba” para ela então era motivo para gritos de louvor e demonstração pública de discriminação religiosa.

Mas alheios às proibições da igreja, os filhos da distinta senhora, uma menina de dez anos e um menino de oito, não pensaram duas vezes para ir com seus amigos à festa de Cosme e Damião do terreiro que fica a um quarteirão dali.

Vale dizer que a festa de Cosme e Damião se tornou um evento em separado da Umbanda, e a distribuição de doces e bolos contribuem para que membros de outras religiões freqüentem os terreiros durante as festas sem que se sintam constrangidos.

Claro que não demorou a mãe dar pela falta de seus filhos, e logo descobriu seus paradeiros. Imediatamente foi ao terreiro, e mesmo hesitante adentrou ao salão que estava tomado de gente, repleto de balões e com o som dos atabaques regendo a festa.

Não pôde deixar de notar que os médiuns estavam todos incorporados com suas crianças e muito menos de sentir a vibração do local que lhe fazia suar as mãos.

A senhora caminhou até seus filhos que estavam próximos aos Cósminhos e um deles segurou sua mão, mas antes que ela a soltasse, uma força enorme e assustadora tomou seu corpo fraquejando suas pernas e fazendo-lhe cair. Os Cósminhos aplaudiram e daí em diante pode-se imaginar o resto.

Abaladíssima, após a desincorporação a senhora pegou seus filhos e as pressas deixou o terreiro a não foi mais vista por ali.

Pode ter achado que um espírito ruim tenha tomado seu corpo e correu para a igreja.

Mas os que ali estavam durante a festa, garantem que aquela senhora daria uma médium daquelas que não se vê em toda casa tamanha foi à firmeza e entrega à entidade.

Quem sabe àquela senhora, em casa, tenha parado por um momento e pensado no que aconteceu. E isso a faça ao menos mudar sua visão em relação a Umbanda.

Meu Axé a todos. Salve a Umbanda!                         31 / 08 / 2002


 
O Jornal Tambor foi uma das publicações direcionadas à religiões afro-descendentes mais importantes no início dos anos 2000. Criado e idealizado pela Yalorixá Sandra Epega o jornal sempre pregou pelo diálogo inter-religioso, cultura de paz e sempre deu espaço para todos as tradições religiosas.
Nosso irmão e colaborador do blog, Thiago Sá foi colunista do jornal por quase três anos e sua coluna, Quotidiano Umbandista descrevia situações corriqueiras ao dia a dia dos templos umbandistas. Sempre descritas como ficção.
O blog Aldeia do Sultão acha pertinente trazer de volta alguns do textos publicados ao invés de deixa-los guardados num arquivo de computador ou numa gaveta.

quarta-feira, setembro 28, 2011

Cosme e Damião

A linha de Cosme e Damião representa as entidades infantis. A pureza, alegria, ingenuidade, carinho, sinceridade e a vibração de tudo que está ligado às crianças.
Reúne espíritos de crianças até mais ou menos os 12 anos, das mais distintas origens, pode-se encontrar Entidades de origem oriental, africana, européia e brasileira no caso de curumins, índios crianças. 
As cores predominantes são o cor de rosa, o branco e o azul claro, mas as crianças gostam de todas as cores.
O símbolo desta linha é o jardim florido, lugar onde eles se encontram para brincar e espalhar sua energia benéfica para os seres que ali lhe fazem oferendas. Estas compostas de doces e guloseimas dos mais variados tipos, predominando a cocada como um dos mais tradicionais. A comida característica é o caruru, famoso prato a base de quiabos que é distribuído em suas festas.
O dia em que se comemora Cosme e Damião é 27 de setembro, dia em que em todo o Brasil as pessoas rendem homenagens aos Santos crianças aos Ibeji, nome da divindade africana representada por gêmeos.
Aqui no Brasil o culto de Ibeji está limitado a poucas casas de tradição africana, pois desde o inicio seu culto foi superado pelo dos gêmeos católicos que segunda a história seriam jovens estudantes de medicina que ajudavam os necessitados.
Na Umbanda as festas de Cosme e Damião são mais do que tradicionais, os templos são enfeitados com balões coloridos, bandeirinhas e fitas, tudo muito semelhante a festas infantis, são preparadas cestas com doces, frutas, preferencialmente as pequenas, como uva, morango, pêssego, jabuticaba, maça e também refrigerante, geralmente guaraná, sucos de frutas, leite e água com açúcar, e bolos confeitados. Tudo é distribuído para as crianças presentes. Comum também é a distribuição de sacolinhas de doces e brinquedos para crianças pobres por empresários e pessoas que alcançaram graças de Cosme e Damião, estas nem sempre religiosas de Umbanda.
Essa é uma prova de mais um culto afro-brasileiro que transpôs os templos, assim como a festa de Iemanjá que ocupa as praias de diversas cidades no litoral brasileiro reunindo adeptos ou não da Umbanda, a festa de Cosme e Damião é livre de preconceito, sendo a fé e a caridade os principais intuitos.
Quando incorporados as Entidades se portam de acordo com sua idade, alguns apresentando a inquietação das crianças mais levadas e outras mais quietas e até mesmo choronas, as giras são muito alegres e movimentadas, os cosminhos ou erês nomes genéricos dados as Entidades, brincam com bonecas, carrinhos, bolas e outros brinquedos que possam ter. Também podem ter vestimentas próprias, como aventais ou vestidos no caso das meninas e macacões, calças curtas e até mesmo pijamas para os meninos, usam também chapéus, tocas, chiquinhas e fitas nos cabelos.
Os nomes dessas Entidades geralmente são no diminutivo, para demonstrar aos outros que se tratam de crianças. Mariazinha, Pedrinho, Joãozinho, Miguelzinho, Aninha, Lucinha. Nomes próprios que não necessariamente eram os de uso dessas Entidades quando em vida na Terra.
As cantigas cantam sobre a pureza e felicidade que eles carregam, sobre as coisas de criança e sobre os locais de sua morada.

Papai me solte um balão
Pra todas as crianças que vem lá do céu (bis)
Tem doce papai
Tem doce papai
Tem doce lá no jardim (bis)

Fui ao jardim colher as rosas
A vovozinha deu-me as rosas mais formosas (bis)
Cosme e Damião, ô Doum
Crispim e Crispiniano
São os filhos de Ogum (bis)

A linha de Cosme e Damião é regida por Orixá Ogum, considerado pai de todos os filhos de Umbanda que representa a figura paterna e Orixá Iemanjá mãe de todos os seres humanos e a figura materna. Mas cada Entidade pode trazer consigo características de outros Orixás com o qual este mantém ligação, como Iansã, Oxosse, Oxalá e etc.