quarta-feira, outubro 26, 2011

Oxum

Oxum é a Orixá da beleza, do amor, da fertilidade, da riqueza e das águas doces.
É a vaidade em forma de Orixá, muito bela, Oxum traz na mão um espelho onde aprecia sua beleza. Sua morada é o rio, riacho, cachoeira e lagoa, onde a água doce se faz presente.
Gosta do azul escuro em suas velas, roupas e objetos, o lírio branco, jasmim ou qualquer outra flor delicada e bonita como a orquídea lhe agrada. Suas ervas são o alecrim, a alfazema, a erva-cidreira, o girassol, a hortelã e a folha da fortuna.
Oxum gosta de uva, mel, melão, manga, figo, comidas que levam camarão seco, feijão fradinho, cará, pato e peixe, e bebe champagne, vinho branco doce e guaraná.
Oxum é a dona da fertilidade, ela é quem permite que o óvulo seja fecundado. É a dona das águas doces onde se dá a vida, a água que mata a sede.
Oxum recebe pedidos de prosperidade, amor, gravidez, riqueza e felicidade, além de proteger as crianças.
Tem um temperamento amoroso e carinhoso, mas pode se tornar intransigente, perigosa e vingativa, tem a passionalidade dentro de si. Não tem muitos meio termos, aliás sobre o mesmo assunto pode ter pensamentos ora favoráveis ora contrários. Sem tornar-se volúvel, apenas vê ângulos diferentes sobre o acontecimento.
Mas sua natureza amável acaba prevalecendo e faz dela símbolo do amor, assim como conta suas cantigas, que Oxum é um tesouro, que ela é a dona do ouro, da beleza, que ela protege seus filhos contra tudo.

Sob o clarão da lua, a água da cascata parece de prata.   (bis)
É de um lindo véu, é da Oxum, a minha Mãe que vem do céu.
Aiêiê mamãe Oxum, dona do ouro,
Aiêiê mamãe Oxum é o meu tesouro.

Oxum é sincretizada com Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, sinônimo de amor e compreensão para seus fiéis católicos. É festejada em 12 de outubro, feriado nacional. Talvez aí esteja a resposta para a cor de Oxum ser o azul escuro, cor do manto de Nossa Senhora.


Quando nós louvamos Oxum nos curvamos em respeito à tão grande mãe que é, e também por Oxum várias vezes se apresentar como mulher de idade avançada, curvada. Nas suas giras podemos encontrar suas mensageiras jovens, eretas e dançantes ou as carinhosas mães idosas e lentas. Oxum traz nas mãos flores ou então as movimenta como ondas que trazem pra si as energias e devolvem luz, podem emitir pequenos cantos que lembram choramingos ou mesmo chorar, é uma característica da mais dengosa das Orixás.
Oxum é saudada com “Ora yeyê Oxum” que significa: “Chamemos a benevolência da Mãe Oxum”, mas uma prova da bondade da Mãe da fertilidade.

Arquétipo de seus Filhos

O arquétipo de Oxum é o de pessoas graciosas e elegantes, com paixão por jóias, perfumes e vestimentas caras. Das mulheres que são símbolo de charme e beleza. Voluptuosas e sensuais, porem mais reservadas que Iansã. Eles evitam chocar a opinião pública, à qual dão grande importância. Sob sua aparência graciosa e sedutora esconde uma vontade muito forte e um grande desejo de ascensão social. (Verger)*

Fator: agregador ou conceptivo
No positivo: são amorosas, delicadas, meigas, sensíveis, perceptíveis, perfeccionistas, cuidadosas, amáveis, protetoras e maternais.
No negativo: são ciumentas, agressivas, vaidosas, insuportáveis, vingativas, não esquecem uma ofensa e não perdoam uma magoa.
Apreciam: festas familiares, danças, recitais românticos, poesia, medicina, crianças, lecionar e conselheiras.
Não apreciam: solidão, homens autoritários ou agressivos, reuniões monótonas, estudo das ciências exatas, políticas, lugares tristes, homens ciumentos e mulheres egoístas.
Obs.: possuem compleição delicada.

* Trecho retirado do livro “Orixás” de Pierre Verger, 1996.
Thiago Sá

quarta-feira, setembro 28, 2011

Cosme e Damião

A linha de Cosme e Damião representa as entidades infantis. A pureza, alegria, ingenuidade, carinho, sinceridade e a vibração de tudo que está ligado às crianças.
Reúne espíritos de crianças até mais ou menos os 12 anos, das mais distintas origens, pode-se encontrar Entidades de origem oriental, africana, européia e brasileira no caso de curumins, índios crianças. 
As cores predominantes são o cor de rosa, o branco e o azul claro, mas as crianças gostam de todas as cores.
O símbolo desta linha é o jardim florido, lugar onde eles se encontram para brincar e espalhar sua energia benéfica para os seres que ali lhe fazem oferendas. Estas compostas de doces e guloseimas dos mais variados tipos, predominando a cocada como um dos mais tradicionais. A comida característica é o caruru, famoso prato a base de quiabos que é distribuído em suas festas.
O dia em que se comemora Cosme e Damião é 27 de setembro, dia em que em todo o Brasil as pessoas rendem homenagens aos Santos crianças aos Ibeji, nome da divindade africana representada por gêmeos.
Aqui no Brasil o culto de Ibeji está limitado a poucas casas de tradição africana, pois desde o inicio seu culto foi superado pelo dos gêmeos católicos que segunda a história seriam jovens estudantes de medicina que ajudavam os necessitados.
Na Umbanda as festas de Cosme e Damião são mais do que tradicionais, os templos são enfeitados com balões coloridos, bandeirinhas e fitas, tudo muito semelhante a festas infantis, são preparadas cestas com doces, frutas, preferencialmente as pequenas, como uva, morango, pêssego, jabuticaba, maça e também refrigerante, geralmente guaraná, sucos de frutas, leite e água com açúcar, e bolos confeitados. Tudo é distribuído para as crianças presentes. Comum também é a distribuição de sacolinhas de doces e brinquedos para crianças pobres por empresários e pessoas que alcançaram graças de Cosme e Damião, estas nem sempre religiosas de Umbanda.
Essa é uma prova de mais um culto afro-brasileiro que transpôs os templos, assim como a festa de Iemanjá que ocupa as praias de diversas cidades no litoral brasileiro reunindo adeptos ou não da Umbanda, a festa de Cosme e Damião é livre de preconceito, sendo a fé e a caridade os principais intuitos.
Quando incorporados as Entidades se portam de acordo com sua idade, alguns apresentando a inquietação das crianças mais levadas e outras mais quietas e até mesmo choronas, as giras são muito alegres e movimentadas, os cosminhos ou erês nomes genéricos dados as Entidades, brincam com bonecas, carrinhos, bolas e outros brinquedos que possam ter. Também podem ter vestimentas próprias, como aventais ou vestidos no caso das meninas e macacões, calças curtas e até mesmo pijamas para os meninos, usam também chapéus, tocas, chiquinhas e fitas nos cabelos.
Os nomes dessas Entidades geralmente são no diminutivo, para demonstrar aos outros que se tratam de crianças. Mariazinha, Pedrinho, Joãozinho, Miguelzinho, Aninha, Lucinha. Nomes próprios que não necessariamente eram os de uso dessas Entidades quando em vida na Terra.
As cantigas cantam sobre a pureza e felicidade que eles carregam, sobre as coisas de criança e sobre os locais de sua morada.

Papai me solte um balão
Pra todas as crianças que vem lá do céu (bis)
Tem doce papai
Tem doce papai
Tem doce lá no jardim (bis)

Fui ao jardim colher as rosas
A vovozinha deu-me as rosas mais formosas (bis)
Cosme e Damião, ô Doum
Crispim e Crispiniano
São os filhos de Ogum (bis)

A linha de Cosme e Damião é regida por Orixá Ogum, considerado pai de todos os filhos de Umbanda que representa a figura paterna e Orixá Iemanjá mãe de todos os seres humanos e a figura materna. Mas cada Entidade pode trazer consigo características de outros Orixás com o qual este mantém ligação, como Iansã, Oxosse, Oxalá e etc. 

segunda-feira, setembro 19, 2011

Iansã - Gilberto Gil e Caetano Veloso

Em 1974, Gilberto Gil lançava seu disco "Cidade do Salvador", o 10º disco da sua carreira. Dentre as músicas do disco, numa parceria na composição de Caetano Veloso, Gil colocara a musica "Iansã". Anos depois, em 2009, Rita Ribeiro colocou a música no seu projeto "Tecnomacumba".
O audio original, cantado por Gilberto Gil ou por Caetano Veloso, é algo difícil de se encontrar, mas com a interpretação de Rita Ribeiro com participação de Maria Bethânia, o brilho dessa letra é o mesmo, arrepiante e emocionante.




Iansã - Gilberto Gil / Caetano Veloso
Senhora das nuvens de chumbo
Senhora do mundo
Dentro de mim
Rainha dos raios
Rainha dos raios
Rainha dos raios
Tempo bom, tempo ruim
Senhora das chuvas de junho
Senhora de tudo
Dentro de mim
Rainha dos raios
Rainha dos raios
Rainha dos raios
Tempo bom, tempo ruim
Eu sou um céu
Para as tuas tempestades
Um céu partido ao meio no meio da tarde
Eu sou um céu
Para as tuas tempestades
Deusa pagã dos relâmpagos
Das chuvas de todo ano
Dentro de mim
Rainha dos raios
Rainha dos raios
Rainha dos raios
Tempo bom, tempo ruim

domingo, setembro 04, 2011

Prece de Caritas


O que se apregoa nos mais religiosos, e principalmente no movimento espírita, é que “Cáritas” é um espírito que se comunicava através das faculdades de uma das grandes médiuns de seu tempo: Madame W. Krell, no circulo espírita de Bordeux, na França de Allá Kardec. A prece foi psicografada na véspera do Natal de dezembro de 1873, há mais de cem anos. Acredita-se que esse espírito foi no passado a figura de Irene, que foi martirizada em Roma no ano de 305, quando das perseguições do Imperador Diocleciano. Canonizada por sua religião – a posteriori veio a ser conhecida como Santa Irene – ela e suas irmãs foram convertidas ao Cristianismo. Diocleciano determinou perseguição aos cristãos, e ela foi acusada de possuir “livros proibidos” e, por isso mesmo, foi condenada à fogueira, enquanto suas irmãs foram degoladas à sua frente. Mandame Krell, esquecida no presente, pode ser considerada um dos maiores médiuns psicográficos dos maiores nomes da poesia francesa não poderia jamais colocar o nome da médium em cheque. Na prosa Madame Kreel recebia constantes comunicações do Espírito de/da Verdade, Dumas, Lacordaire, Lamennais, Pascal, do famoso grego Ésopo, Fénelon e outros, que foram publicados no livro “Rayonnementes de La Vie Spirituelle”, em maio de 1875. Ressalte-se que madame Kreel psicografava em transe, tendo colocado no papel o trabalho de Lamartine, André Chénier, Alfred de Musset, Edgar Allan Poe e Saint-Beuve.

“Chamo-me Caridade, sou o caminho principal que conduz a Deus; segui-me, sou a meta a que vós todos deveis visar”




----------------------------------------------------------------------------------------------

Deus, nosso Pai, que sois todo Poder e Bondade, dai a força àquele que passa pela provação, dai a luz àquele que procura a verdade; ponde no coração do homem a compaixão e a caridade! 
Deus, Dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso. 
Pai, Dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, à criança o guia, e ao órfão o pai!
Senhor, que a Vossa Bondade se estenda sobre tudo o que criastes. Piedade, Senhor,  para aquele que vos não conhece, esperança para aquele que sofre. Que a Vossa Bondade permita aos espíritos consoladores derramarem por toda a parte, a paz, a esperança, a fé.
Deus! Um raio, uma faísca do Vosso Amor pode abrasar a Terra; deixai-nos beber nas  fontes dessa bondade fecunda e infinita, e todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão. 
E um só coração, um só pensamento subirá até Vós, como um grito de reconhecimento e de amor.
Como Moisés sobre a montanha, nós Vos esperamos com os braços abertos, oh Poder!, oh Bondade!, oh Beleza!, oh Perfeição!, e queremos de alguma sorte merecer a Vossa Divina Misericórdia.
Deus, dai-nos a força para ajudar o progresso, afim de subirmos até Vós; dai-nos a caridade pura, dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas o espelho onde se refletirá a Vossa Divina e Santa Imagem.
Assim Seja.

Fonte de Pesquisa: Google - Sites especializados.

segunda-feira, agosto 22, 2011

Daqui, da assistência

           Tudo na Umbanda tem a sua importância - os médiuns, os cambonos, quem toca no atabaque. Todos têm sua importância, assim como quem freqüenta a gira e fica observando os trabalhos, a assistência. Buscando entender o papel da assistência na gira, essa categoria visa não só apenas relatar sobre, mas também entender e mostra a visão de quem está nela.

            A assistência é formada por pessoas da comunidade, ou por pessoas de outras localidades, que por indicação passam a frequentar a casa. As pessoas que estão presentes na assistência depois que as pessoas são defumadas são autorizadas à entrar na corrente espiritual para serem benzidas e se consultar com as Entidades.
As pessoas da assistência recebem a caridade de diversas formas, seja consultando e pedindo conselhos sobre questão espiritual, material ou de saúde, ou simplesmente recebendo o passe.

            Mas essa não é a única função que a assistência tem. A participação dela é importante em todos os momentos, seja com um simples bater de palma durante um ponto ou com o silêncio necessário em determinado momento. E será esse o assunto abordado por aqui.
Vamos mostrar a participação dela na organização das festas, na ajuda com a casa e em outros momentos. O que se deve e o que não se deve fazer durante uma gira, como se comportar, o poder do pensamento da assistência, seus trejeitos influenciam com a energia do local, por isso, como está em maior número, a assistência se torna uma das peças chave para o decorrer da gira.
Serão simples relatos de quem freqüenta a religião por mais de 3 anos, fatos narrados por olhares curiosos e atentos e de alguém que já foi chamado a atenção por cruzar os braços ou não ter tirado o sapato antes do benzimento, mas quem não vivenciou ou fez isso né?

terça-feira, agosto 16, 2011

Diário de Uma Médium Iniciante.

Minha família sempre teve laços com o espiritismo e durante minha infância minha mãe buscava algo que ajudasse a parar com os contínuos sonhos que atormentavam minha irmã.
Ela acabou encontrando ajuda na casa de Mãe Elizabeth de Iemanjá (nossa casa matriz) e por alguns anos frequentamos a casa inclusive minha irmã fazendo parte da corrente de médiuns.
Por motivos particulares acabamos nos afastando da Umbanda por um tempo mas a espiritualidade esteve sempre em nossas vidas.
Foi a abertura da Aldeia de Caridade e anos depois o falecimento de Mãe Elizabeth que acabou colocando a Umbanda de volta nos nossos caminhos.
Mãe Cecília, nossa Madrinha era filha de santo de Mãe Elizabeth e nossa vizinha por mais de 25 anos.
Foram esses laços de amizade e respeito que fizeram minha mãe voltar a frequentar a Umbanda e algum tempo depois eu também segui o mesmo caminho.
Foi com surpresa que me dei conta que outros membros da minha família já estavam fazendo parte da corrente espiritual e me senti mais confiante com tudo aquilo.
Durante os trabalhos, na assistência, eu sentia sensações dificeis de descrever, arrepios, choros e quase que um chamado para que eu entrasse e fizesse parte de tudo aquilo.
Foram as Entidades da casa que me aconselharam a conversar com a Madrinha e saber do que se tratavam aquelas sensações.
A conversa foi muito produtiva e acabei descobrindo quais Orixás me escolheram como filha e que eu tinha sim uma missão como médium à seguir. Aprendi sobre a vida de um médium umbandista, as obrigações, postura e responsabilidades. Tudo o mais que envolvia os preceitos e cerimonias da casa.
Uma vez dentro da corrente de médiuns, devidamente trajada em branco foi então que comecei a entrar em contato com o povo de Aruanda literalmente rsrsrs.
Tudo no começo é um pouco complicado e essa experiencia como médium não foi diferente, aos poucos comecei a aprender mais, estudar mais e conhecer mais sobre tudo que envolve a Umbanda e ser um médium de Umbanda.
Foi numa gira de Preto-Velho, na praia, que a Madrinha me ajudou na concentração e firmeza espiritual e ali mesmo incorporei minha primeira Entidade, a sensação foi estranha, diferente e foi só no fim dos trabalhos que me dei conta que eu havia mesmo tido minha primeira incorporação.
Depois disso as coisas só melhoraram e ficaram mais fortes e minha Entidades passaram a se fazer mais e mais presentes. Passei a diferenciar as energias que diferentes Entidades me passavam.
Aprender sobre as nossas Entidades é a parte mais interessante desse processo de desenvolvimento e cada gira que elas incorporam e trabalham é uma grande passo dado no aprendizado de ambos.
Não faz muito tempo, minha Preta Velha foi autorizada a benzer crianças da assistência, ao mesmo tempo que fiquei em choque com a novidade e principalmente a responsabilidade, fiquei feliz de saber que eu e minhas Entidades estamos no caminho certo e prontos pra começar a prestar a caridade aos que necessitam.
Abraços, Carolina Abla.

quinta-feira, agosto 11, 2011

Exu

          Orixá Exu é o senhor do destino, dos caminhos e da sexualidade. Ele é o mensageiro dos Orixás.
          Exu é o dono das encruzilhadas, seu pólo de força e sua morada, ao lado de Ogum ele rege os caminhos do mundo, sejam materiais, ruas, estradas e trilhas, ou espirituais.
          É o dono da sexualidade humana, é ele o dono do desejo sexual que propicia o ato que resultará na perpetuação da espécie.
          O jogo de búzios, oráculo adivinhatório dos Orixás e, por conseguinte as conchas usadas no jogo são de Exu, ele é quem permite essa comunicação. Exu, na maioria das vezes é quem responde as perguntas feitas através dos búzios, e quando outro Orixá responde é sob a permissão do dono do destino. Na verdade, Exu é o mensageiro dos Orixás, ele leva a pergunta ao Orixá em questão e traz a resposta de volta na forma da caída dos búzios.
Exu usa as cores preta e vermelha em suas velas, objetos e roupas, mas aceita também a cor branca.
          Exu come galo, farofas de carne, dendê, mel, bode, pipoca, pimenta e miúdos. Gosta de beber pinga ou bebidas alcoólicas em geral e água.
          Suas ervas são: bagaço de cana, aroeira, pimenta, arrebenta cavalo, urtiga e hortelã pimenta, suas flores são o cravo vermelho ou flores vermelhas de diversos tipos.
          Exu está ligado a forças das mais negativas, ele trabalha diretamente com Orixás de ligação as almas e a morte, como Omolu / Obaluaiê e Nanã Buruquê, ele transita por todos os lugares do mundo sem precisar pedir licença, ele poderia ser chamado de o “gari” das energias negativas, e é isso que ele faz, anda em todos os planos limpando os recintos de fluídos pesados, espíritos zombeteiros, e desmanchando trabalhos de má finalidade.
Devido a isso, Exu foi e é encarado como Orixá negativo, de finalidades ruins e maléficas, quando na realidade é ele quem combate esse tipo de realizações.
          Não é conhecido um sincretismo de Exu, infelizmente ele acabou sendo comparado com a imagem do Diabo cristão e até hoje essa figura lhe é associada. Fala-se que o santo católico mais próximo de Orixá Exu seria Santo Antonio, mas não há nenhuma certeza quanto a isso. Por não ter sincretismo Exu não tem data comemorativa, porém lhe são rendidas oferendas e festas normalmente no mês de agosto, mês conhecido por guardar energias pesadas.
          Assim como Orixá Oxosse, Exu, na Umbanda, tornou-se chefe de uma linha de Entidades, a linha chamada da Esquerda. Que reuniria espíritos de vida carnal desregrada, ilícita e vergonhosa. Na verdade, os espíritos que compõem essa linha da Esquerda são espíritos que estão no principio da evolução espiritual, dessa forma, eles estão trabalhando ligados às energias pesadas e negativas do Orixá. Abordarei a linha da Esquerda mais adiante.
          As cantigas de Exu normalmente trazem nomes de seus mensageiros e quando isso não acontece entende-se que a cantiga fala de todos os Exus em geral.

Toma lá Exu, toma lá o que é seu.
Vai no meio da rua, vai buscar o que é teu.



Exu da meia noite, Exu da madrugada. 
Oi salve o povo da encruza,
Sem Exu, não se faz nada.

         Portanto devido a várias idéias perdidas e desencontradas Exu, no papel de Orixá quase não existe dentro da Umbanda, o que existe são os espíritos de sua linha que também atendem pelo nome do Orixá.
          A Exu faz-se pedidos de descarrego, fechamento de corpo e principalmente prosperidade amorosa, sexual e financeira. Exu é a resposta para todos os males, sejam eles da origem que forem, é essa a sua imagem, o de curador de todos os males.
          Não existe registro de giras de Orixá Exu na Umbanda, somente as de seus mensageiros. O símbolo de Exu é o tridente de ferro com três pontas, chamado popularmente de garfo. Ele representa a força de Exu, que também teria relação com o ferro e o usa como arma para proteger a todos.
          Ele é o Orixá mais contraditório de todos, a sua personalidade é de atrevido, contestador e provocador. Ele é a divindade que mais se aproxima do caráter humano, por transitar livremente pelos dois mundos, carnal e espiritual, Exu tem uma ligação muito grande com os seres humanos, tem sentimentos que não são atribuídos aos outros Orixás, como inveja e luxúria. Exu exige que ele seja o primeiro Orixá a ser lembrado sempre que algo será feito, ele pede agrados, presentes e oferendas não mais que os outros Orixás, mas sempre ele deve ser o primeiro. Quando Exu está feliz, tudo o que se pede ele prontamente se dispõe a fazer.
          É quase uma lenda falar de templos de Umbanda que não cultuam Exu, ele está sempre presente nas entradas de todos os templos em grandes casas erguidas a ele ou em pequenas quartas de barro, é sempre muito prestigiado com grandiosas festas e oferendas de muita beleza. Quando se louva Exu, saúda-o com “Laroyê Exu”, ou “Mojubá Exu” cujos significados são próximos de “Eu me curvo perante Exu” e “Salve a força de Exu”.

            Arquétipo de seus filhos

O arquétipo de Exu é muito comum em nossa sociedade, onde proliferam pessoas com caráter ambivalente, ao mesmo tempo boas e más, porém com inclinação para a maldade, o desatino, a obscenidade, a depravação e a corrupção. Pessoas que têm a arte de inspirar confiança e dela abusar, mas que apresentam, em contrapartida, a faculdade de inteligente compreensão dos problemas dos outros e de dar ponderados conselhos, com tanto mais zelo quanto maior recompensa esperada. As cogitações intelectuais enganadoras e as intrigas políticas lhes convém particularmente e são, para eles, garantias de sucesso na vida. (Verger)*

* Trecho retirado do livro “Orixás” de Pierre Verger, 1996.
Por  Thiago Sá

sábado, agosto 06, 2011

Umbanda de Outras Bandas

Quando desembarquei na Nova Zelândia em dezembro de 2006 eu trazia na bagagem além de meus pertences e um coração cheio de expectativas eu trazia uma vida inteira dedicada à Umbanda. Eram quase dez anos como médium e dois anos de iniciação como Sacerdote ou Pai de Santo.
Sempre faço piadas dizendo que minha bagagem teve excesso de peso pois eu trouxe todos os Orixás e Entidades comigo.
Fui recebido por minha grande amiga Elisangela que foi a razão de eu escolher vir para um lugar tão longe de tudo e que mais tarde seria minha primeira filha de santo.
Logo de cara a gente se pergunta como vai se virar morando numa terra onde niguém sabe o que é Oríxá, Caboclo e Exu, muito menos Umbanda.
Acredito que minhas Entidades e os Orixás me acompanharam nessa jornada assim como acompanharam seus filhos africanos que cruzaram o Atlântico rumo à América e escolheram aceitar um culto diferente do original pois o mais importante é a fé que sentimos e não o local onde cultuamos.
Como Pai de Santo aprendi e me preparei pra me virar bem morando longe do templo e sem o convívio de minha Mãe de Santo, trouxe comigo meus búzios, umas duas guias e uns dois panos de cabeça, estava seguro, pensei.
Diferente de outros brasileiros umbandistas que moram em Portugal, EUA e Japão onde podem encontrar praticamente tudo oque encontramos no Brasil e assim praticar a Umbanda do mesmo jeito que constumavam, eu me deparei com as dificuldades mais primárias.
Vela comum? Não tem. Charuto? Não tem. Defumador? Não tem. Pemba? Não tem. E as sábias palavras de minha mãe cantavam no meu ouvido: "Meu filho, as Entidades entendem e aceitam aquilo que você puder oferecer."
Pois bem, as velas são as pequeninas que se usa de decoração e numa variedade de cores bem primárias, o charuto é cigarrilha ou cigarro comum, o defumador virou incenso e a pemba é giz.
Se não fosse pelas caixas super recheadas de artigos religiosos que chegaríam pelo correiro vindas do Brasil acho que Caboclo ainda ia estar fumando cigarrilha, obrigado Padrinho!
Lembro-me da primeira incorporação, Exu como sempre o primeiro veio discretamente entre as árvores de um parque gramado em frente ao lago da cidadezinha que morava com a vista das montanhas ainda com neve no topo. Ficou por alguns minutos, conversou com Eli e foi embora me deixando a sensação de que muita coisa ainda estava por vir.
Na quaresma no mesmo lugar Preto Velho veio, sentou na grama coitado, nao tínhamos um toco pro velho bancar. Veio para o fechamento de corpo da sexta-feira Santa, cruzou seu cavalo e sua filha e me mostrou que ali começava a jornada. Eu, uma filha de santo e uma terra completamente estrangeira para desbravar.
Acredito que vim pra cá por uma razão. Quem sabe não seja a de "levar ao mundo inteiro a bandeira de Oxalá".
Saravá a Umbanda!
Thiago Sá

quarta-feira, julho 27, 2011

Nanã Buruquê


Nanã Buruku, Nanã Buruquê ou simplesmente Nanã, é a Orixá feminina mais velha de todas.
Nanã usa as cores lilás, roxo e violeta em suas roupas, velas e objetos.
Suas comidas são, feijão branco ou fradinho, batata doce roxa, peixe, milho branco e arroz. Nanã bebe água, champagne ou vinho branco.
Alfavaca, assa-peixe, alfazema, quaresmeira, maria preta e palha da costa são suas ervas.
Nanã é a Orixá dos mortos, sua morada é o mangue, o brejo, o alagado todos os lugares onde a água e a terra se tornam um só, pois o barro seria o princípio da humanidade.
Sua saudação: “Saluba Nanã Buruquê”, significa: “Nos refugiamos com Nanã da morte ruim”. Mas ela não tem aspecto negativo, apenas se utiliza energias ligadas às almas, portanto mais densas e pesadas.
Nanã é sincretizada com Santa Ana ou Nossa Senhora de Santana, é personificada como a avó, protetora de crianças e educadores. No dia 26 de julho rendem-se festas em sua homenagem.


Nossa Senhora de Santana

Nas suas giras costumam incorporar suas mensageiras ou Caboclas, espíritos que trabalham com ligação direta à sua energia. Quando incorporada Nanã normalmente permanece curvada, pode emitir pequenos sons, sejam de choro ou algo parecido com um canto, dificilmente dançam, e quando isso ocorre acredita-se que é devido a grande satisfação e alegria da divindade. Nanã pode ter nas mãos flores que lhe são dadas, estas são abençoadas e devolvidas para que permaneçam no Congá até que murchem.
Seus pontos cantados costumam falar de sua ligação com Omolu também Orixá dos mortos, e de sua calma e paciência para resolver as coisas.

São flores Nanã, são flores,
são flores Nanã Buruquê.
São flores Nanã são flores,
de seu filho Obaluaiê.
Nas horas de agonia
ele sempre vem me valer,
É seu filho Nanã, é meu Pai
É ele Obaluaiê

Sua louvação é feita por todos curvados, respeitando sua velhice e conhecimento. A Nanã deve-se muito respeito e cuidado pois é um dos Orixás de culto mais complexo e trabalhoso, seu temperamento é ríspido e exigente, devendo-se sempre tomar cuidado com brincadeiras ou pouco caso, atitudes nada aprovadas por Nanã.
O culto de Nanã não é tão popular como o de Ogum ou Iemanjá, mas Nanã está presente em praticamente todas as casas, ao menos recebendo louvações.


Arquétipo de seus Filhos

Nanã Buruquê é o arquétipo das pessoas que agem com calma, benevolência, dignidade e gentileza. Das pessoas lentas no cumprimento de seus trabalhos e que julgam ter a eternidade a sua frente para acabar seus afazeres. Elas gostam de crianças e educam-nas, talvez, com excesso de doçura e mansidão, pois tem tendência a se comportarem com a indulgência das avós. Agem com segurança e majestade. Suas reações bem-equilibradas e a pertinência de suas decisões mantêm-nas sempre no caminho da sabedoria e da justiça. *

Fator: decantador.
No positivo: são calmas, conselheiras, orientadoras, religiosas, emotivas, muito simpáticas.
No negativo: são intratáveis, ríspidas, tagarelas, fuxiqueiras, vingativas, perigosas.
Apreciam: a boa mesa, companhias falantes e alegres, reuniões familiares e religiosas, pessoas que lhe dediquem afeto e respeito, vestes coloridas.
Não apreciam: pessoas egoístas, mesquinhas ou geniosas, festas ou reuniões agitadas, crianças peraltas, roupas espalhafatosas, desperdício e pessoas preguiçosas e exibicionistas.

* Trecho retirado do livro “Orixás” de Pierre Verger, 1996.
Por Thiago Sá

sexta-feira, julho 15, 2011

Rita Ribeiro - É D'Oxum

Rita Ribeiro nasceu no Maranhão, onde começou sua carreira musical, mas seu sucesso mesmo veio através do projeto "Tecnomacumba", considerado algo inovador, o projeto foi fruto de uma intervenção cultural. As letras são homenagens aos orixás e pontos cantados em centros de Umbanda e de Candomblé, nos moldes da MPB, gênero que Rita sempre gostou e seguiu.


O vídeo abaixo, é do DVD "Tecnomacumba - a tempo e ao vivo" de 2009, que foi lançado em comemoração do 6º ano do projeto que, continua na estrada trazendo mais publico aos shows.



É D'Oxum
Gerônimo - Vevé Calazans


Nessa Cidade Todo Mundo É d'Oxum
Homem, Menino, Menina, Mulher
Toda Essa Gente Irradia Magia
Presente Na Água Doce
Presente n'água Salgada
E Toda Cidade Brilha
Seja Tenente Ou Filho De Pescador
Ou Importante Desembargador
Se Der Presente É Tudo Uma Coisa Só
A Força Que Mora n'água
Não Faz Distinção De Cor
E Toda A Cidade É d'Oxum
É d'Oxum, É d'Oxum, É d'Oxum,
Eu Vou Navegar, Eu Vou Navegar
Nas Ondas Do Mar, Eu Vou Navegar
É d'Oxum, É d'Oxum