quarta-feira, maio 07, 2014

Aprendendo sempre - Mediunidade




A palavra “incorporar” tem vários significados:
 
- Ela nos dá a idéia de unir,(incorporar alguma coisa a algo que já temos; unir conceitos ou práticas);
- Igualmente, nos traz o sentido de reunir ou fazer fusões,(de empresas, instituições, etc.);
- Também a de introduzir,(incorporar um conceito: assimilar e aplicar esse conceito a alguma coisa que já fazemos);
- E ainda sugere a idéia de dar forma física, forma material ou forma corpórea, (dar corpo).
 
Na Umbanda, dentro do campo da mediunidade, falar em “incorporação” sugere a idéia de “dar passagem a uma Entidade”, geralmente um Guia Espiritual que vem trazendo uma mensagem de orientação; outras vezes, ocorre a incorporação de Encantados (ex.: a de Crianças) ou a de Naturais (ex.: a do Orixá do médium).  E a vontade de incorporar deixa muitos médiuns angustiados ! 
Uns, porque temem o fenômeno- esquecidos de que, na incorporação o que acontece é uma espécie de união de dois mentais : o do Guia Espiritual ou Entidade e o do médium, que se sintonizam, “unindo” os respectivos campos áuricos, para que um possa expressar suas idéias e “falar com a voz do outro”- isso, resumindo na forma mais simples.
Mas o que vai “ganhar corpo”, ou “ganhar forma”, é a expressão das idéias do Guia Espiritual ou da Entidade, bem como a energia do arquétipo. Ao incorporar, os Amparadores da Luz certamente que não se apossam do corpo do médium, apenas irão moldá-lo às próprias características, fazendo com que o médium assuma todo um gestual e movimentos de apresentação do arquétipo que representam, (postura corporal, dança, giros, forma de caminhar, ritmo etc.). E aqui se pode, inclusive, distinguir a psicofonia, estudada no Espiritismo, da mediunidade de incorporação na Umbanda. A incorporação é mais do que “falar por intermédio do outro”, pois também envolve que o médium assuma características do Ser que se manifesta por meio da sua mediunidade e não se limita à comunicação com espíritos desencarnados.
 
No início da atividade mediúnica, acontece de o médium ficar angustiado, querendo logo incorporar, para “se sentir médium”; ignorando talvez que existem outras formas de mediunidade, igualmente importantes, tais como:
 
a) a intuitiva ou de pressentimentos - na qual o médium sente ou recebe intuições de Guias Espirituais e Entidades, (sem vê-los e nem ouvi-los, propriamente);
b) a sensitiva- na qual o médium “sente” a presença de espíritos ou de energias extra físicas, (sem vê-los ou ouvi-los);
c) a auditiva- na qual o médium apenas ouve as mensagens dos espíritos ou das Entidades;
d) a da clarividência- na qual o médium vê os seres e/ou energias astrais do local onde está ou de um lugar no espaço distante dali ; ou visualizando “cenas do passado” ; ou ainda pela psicometria, (“vendo” cenas do passado ou captando energias do passado, ao tocar objetos, roupas, etc.);
e) de desdobramento ou sonambúlica.Não confundir com sonambulismo, situação em que a pessoa adormece e fala, ela mesma, sobre o que está à sua volta. Porque no desdobramento o médium “se solta”, desprende-se parcialmente do corpo físico, acessa e descreve o que está vendo da realidade não-material, podendo receber e passar as mensagens que os espíritos ou Entidades vão ditando (exemplo raro: Chico Xavier psicografava numa reunião mediúnica em Minas Gerais. Em desdobramento, participou de uma reunião mediúnica extra física e lá também psicografou, transmitindo a mensagem de um filho desencarnado à mãe também desencarnada. Mãe e filho se encontravam em regiões astralinas diversas, a mãe sofria por não ter notícias dele.);
f) psicografia- na qual o médium escreve textos ditados pelos espíritos e Entidades ou, então, sob a orientação deles, a partir de idéias básicas que recebe e desenvolve;
g) de cura- pela qual, mesmo sem incorporar, o médium pode aplicar passes que irradiam energias de cura, bem como fazer projeções de energias curadoras à distância;
h) a que permite falar ou entender línguas estrangeiras que não são do conhecimento do médium, que é a xenoglossia ;
i) a que permite pintar ou desenhar, sob a instrução de artistas já desencarnados; também chamada de pictórica ou pintura mediúnica;
j) a olfativa, que permite ao médium sentir perfumes e odores de uma realidade não-física;
i) a de materialização, pela qual os Guias Espirituais e Entidades se utilizam de energias do médium, (ectoplasma), para se materializar diante das pessoas ou para materializar objetos etc. Exemplo elevado é o de Jesus que, entre outros, materializou: pães e peixes para a multidão que o acompanhava ; fez surgir uma abundância de peixes na rede dos pescadores ; transformou água em vinho, nas Bodas de Canaã.
 
As orientações que recebemos na Umbanda através da mediunidade de incorporação são importantes. Contudo, há outras formas de nos comunicarmos com a Espiritualidade e de trazermos esse aprendizado para a nossa vida.
Incorporar, “receber o Guia”, não é o mais importante. Fundamental é que nos dediquemos a assimilar as orientações e os exemplos dos Guias Espirituais e das Entidades que nos amparam, procurando entender-lhes o sentido para aplicá-los em nossa vida diária e ficando atentos para as intuições que eles nos dão, (que podem chegar como novas idéias, como sensações, até como perfumes e odores variados que, de repente, invadem o ambiente etc.).
Importante é “incorporar”, (assimilar e aplicar), o fundamento da mensagem, assim como a lição embutida no exemplo de conduta dos Guias Espirituais diante de um consulente ou de um médium “difícil”, buscando analisar o quanto aquilo pode ter aplicação útil em nosso dia-a-dia.
Espiritualidade não é algo para se viver apenas entre as paredes do Terreiro. É algo para vivermos “dentro de nós”, em silêncio, com naturalidade, sem alarde, sem roupa especial, sem dia marcado, sem que ninguém precise elogiar e aplaudir. É um caminho interno, é aprender a olhar tudo com os olhos da alma, porque isso vai nos ajudar a encontrar novas soluções, novas formas de viver e enxergar a vida “lá fora”.
Não tem sentido fazer as coisas para se receber elogios. O essencial é fazermos as coisas em que acreditamos, pelo bem que elas representam. Agir assim nos livra de muitas mágoas, de muitas bobagens... Espiritualidade é algo que nos ajuda a caminhar de mãos dadas com os outros, pelo prazer de ajudar e participar, apesar de sermos diferentes, apesar de pensarmos de forma diferente, apesar dos pesares...
Ser médium é ser veículo, canal, meio de comunicação. Dentro e fora do Terreiro.
A melhor forma de transmitirmos as mensagens do Astral é colocá-las na prática : em família, no trabalho, com os amigos, com os vizinhos, com as pessoas difíceis”...
Espiritualidade é união, é a “incorporação”, (assimilação e aplicação), do verdadeiro sentido da vida : somos todos filhos de Deus, somos todos feitos de Luz, temos valores e méritos, mas também temos nossas limitações e lições a aprender.
Incorporar o Guia não é tudo, é apenas uma parte das infinitas possibilidades de aprendizado que a Vida nos concede, inclusive no campo mediúnico.
Portanto, no desenvolvimento mediúnico, não nos preocupemos apenas em girar, em rodar, para “mostrar que o Guia chegou”...  Na verdade, os Guias e Entidades chegam ali muito antes de nós, preparando o ambiente para o trabalho. Bom mesmo será a gente conseguir abrir o coração, para incorporar, (assimilar, absorver), os ensinamentos do Astral e colocá-los em prática.
E, se o Guia quiser incorporar, por favor : entregue-se, deixe, permita-se a experiência ! Não perca mais tempo se perguntando : “Será que sou eu, será que é o Guia...? Abra o coração ! Busque o contato com a Espiritualidade, que a resposta virá, do jeito que precisa e pode vir, sem dificuldade, naturalmente, e só por um motivo : somos seres espirituais !
 
                                                                       
                                                                                                               *Fonte: Portal Sete Porteiras.

terça-feira, abril 29, 2014

OGUM - Programa Especial

O vídeo abaixo é parte de uma série de reportagens que o programa Fantástico da Rede Globo apresentou chamada "Êxtase - Ritos Sagrados".
Neste programa, Ogum.
Saravá à todos.

sexta-feira, abril 25, 2014

Ogum na Umbanda

 
Ogum é um dos orixás mais cultuados dentro do panteão Umbandista, o soldado de Aruanda, Ogum é o general de guerra, o vencedor de demandas. O patrono do ferro, dos metais em geral. Sua cor geralmente é o vermelho e branco, mas varia muito dependendo do culto e da casa.Suas festividades ocorrem no dia 23 de abril, seu sincretismo quase que absolutamente é São Jorge, mas também pode variar dependendo da casa e da liturgia praticada.
Sabe-se que Ogum é o patrono do Ferro, dos metalúrgicos, da tecnologia e dos soldados, também é o Senhor das Estradas, portanto, a área de atuação da vibração de Ogum é muito vasta, portanto, tentarei esmiuçá-la no decorrer do texto.
Ogum é a vibração que nos impulsiona à Luta, às Guerras, é a nossa coragem, o nosso ânimo para vencer as constantes guerras que travamos em nosso cotidiano, é o patrono do Ferro, não penso só no ferro que conhecemos como o metal utilizado para matéria prima, mas também no papel biológico de nosso corpo, como as ligações de ferro em nosso sangue, a hemoglobina, por exemplo, que é formada por Ferro e leva o Oxigênio por todo nosso sistema circulatório. Sua carência nos humanos pode causar, além da anemia, anorexia, sensibilidade óssea e a clima frio, prisão de ventre, distúrbios digestivos, tontura, fadiga, problemas de crescimento, irritabilidade, inflamação da língua.  Portanto, também temos aí uma grande importância do Ferro em nosso corpo, onde a vibração de Ogum também é atuante.
Ogum nos move, é a direção para o campo de batalha, é a força que nos dá a esperança e nos anima para continuar lutando, é uma vibração muito evocada, juntamente com exu, para vencer demandas, desfazer malefícios causados por espíritos de baixo grau evolutivo.
NA Umbanda todos os filhos possuem um caboclo de Ogum, a falange de Ogum é muito vasta,na Umbanda recebemos algumas qualidades de Ogum, que vem como caboclos representantes dessa qualidade, não vamos misturar os caboclos falantes que atuam nos passes, consultas da casa com os caboclos que aqui representam a qualidade do Orixá, vou explicando gradativamente para que não haja confusão, mas abaixo citarei as qualidades de Ogum na Umbanda que já presenciei:
 
 
OGUM
Ogum é um poderoso Orixá, dono do ferro e do fogo. Ele é um guerreiro,um lutador que defende a lei e a ordem. Este Orixá abre os caminhos e vence as lutas, agindo pelo instinto para defender e proteger os mais fracos. Todas as lutas, as conquistas, as vitórias são presididas por Ogum.

A cor é vermelho e branco, predominando o vermelho, sua erva é folha de arueira, mangueira, espada de são jorge, seu símbolo é a espada, sua saudação é ogunhê patacurí ogum, sua guia é de cristal em contas vermelhas e brancas com firma vermelha, sua pedra é a ágata de fogo, rubí, sárdio e garnet, sua essência é violeta, seu metal é o ferro, seu número é o sete, sua comida preferida é inhame acará assado com palitos de dendezeiro, ele come também feijão preto cozido com camarão seco dendê e cebola, feijoada, inhame cozido com mel,ou churrasco no rio grande do sul  sua bebida é o vinho de palma ou vinho tinto ou cerveja branca, sua fruta é manga espada,laranja, seu dia é terça-feira,e no sul as quinta-feiras é sincretizado com São Jorge.

Legião de Ogum Beira-mar, aliada ao povo do mar
Legião de Ogum Malei, aliada à Linha de Malei (Povo de Exu)
Legião de Ogum Megê, aliada ao povo Megê (negros africanos)
Legião de Ogum Naruê, aliada ao povo Naruê (escravos de várias raças)
Legião de Ogum Nagô, aliado ao povo de ganga (Linha de Nagô)
Legião de Ogum Iara, aliada ao povo dos rios (Caboclos)
Legião de Ogum Rompe-Mato, aliada a Oxossi e seu povo da mata


 
Como já vimos, Ogum domina a primeira Linha de Umbanda, que controla todos os fatos de execução e cobrança do carma de cada indivíduo ou grupo, daí serem soldados.

1. Falange de Ogum Beira-Mar
 
Colaboradores de Iemanjá, Ogum Beira-Mar trabalha sobre a areia molhada, enquanto Ogum Sete-Ondas trabalha sobre as ondas.
Aceitam oferendas com velas nas cores branca, verde, vermelha e azul-clara.caboclos dessa falange são: Sete Ondas, Marinho, Sete Mares, Ogum da Praia.Sua oferenda geralmente é um peixe ou camarão frutas tropical.flores brancas vermelhas e gravos
 
2. Falange de Ogum Rompe-Mato
 
Ogum Rompe-Mato trabalha para Oxóssi (Ode) e Ossãe, nas matas.
Ogum das Pedreiras trabalha para Xangô, nas pedreiras. Em ambos os casos, é a mesma falange que trabalha para os dois Orixás, com nomes diferentes. Rompe-Mato aceita suas oferendas na entrada da mata, nas cores verde, vermelha e branca, sendo a vela vermelha. Ogum das Pedreiras aceita suas oferendas em torno das pedreiras, nas cores verde e vermelha (misturadas geram o marrom), com velas nas mesmas cores.Nessa falange também existe, Ogum Sete Espadas, Ogum Caçador, Ogum Sete Matas, Ogum Sete Cachoeiras.
 
 3. Falange de Ogum Megê
Meji, do yorubá, duas faces, é a falange de Ogum que atua nos campos da vibração da direita e da vibração da esquerda, é um Ogum relativamente raro nos dias de hoje, sua falange se apresentam muito poucos, como Ogum Sete Catacumbas e Ogum Sete Estradas. outro muito conhecido que pode vir sob os auspícios dessa vibração, seria Ogum Xoroque. É uma vibração de Ogum que atua nos cemitérios ou encruzilhadas, por trabalhar diretamente com Exú, tem uma vasta falange de exus sob seus domínios, é um Ogum extremamente eficiente para desmanche de trabalhos e atuação para quebrar demandas. Atua também no cemitério juntamente com Obaluaie.
É colaborador de Iansã; seu nome significa “Sete”. É o guardião dos cemitérios, rondando suas calçadas, lidando diretamente com a Linha das Almas. Toda sua oferenda será em vermelho e branco,as  vezes preto próxima ao cruzeiro do cemitério (calunga pequena).

4. Falange de Ogum Naruê
 
Seu nome significa “Aquele que é o primeiro a gerar valor”.
Trabalhando diretamente na Linha das Almas, desmanchando a magia negra, controla as almas quibandeiras. Aceita suas oferendas com Ogum Megê ou, ainda, dentro ou fora dos cemitérios, nas cores branca e vermelha. Alguns incluem uma pedra-ímã nos itens a oferecer-lhe
Existem outras falanges, como Ogum Nagô, Ogum Naruê, Ogum Malei, que também atuam fortemente na vibração da esquerda, são Oguns que tem como grande poder o feitiço e o exímio conhecimento da Quimbanda, raramente se manifestam atuando somente nos bastidores.
5. Falange de Ogum Matinata
 
Com poucos médiuns que o incorporam, sua falange protege os campos de Oxalá, os locais abertos, floridos e iluminados. Mas não trabalha diretamente para esse Orixá. Aceita suas oferendas nos campos floridos, nas cores vermelha e branca. é 0 Ogum de Branco, é um Ogum que atua nos montes altos verdejantes, as colinas, as montanhas, os locais altos onde a energia do Sol é refletida para os locais mais baixos. É um tipo de Ogum muito raro.
 
6. Falange de Ogum Iara
É a falange de Ogum que atua nos rios, sob os auspícios de Oxum, é o Ogum das águas doces, dos pântanos, geralmente vêem com as mãos espalmadas simbolizando conchas, mas também já vi manifestações com as mãos fechadas ou apenas os indicadores espalmados. Ele ronda os rios e alguns as cachoeiras, juntamente com Ogum Rompe-Mato, suas cores são o vermelho e o branco, alguns o vermelho e amarelo. Suas oferendas são semelhantes ao do Ogum Rompe-Mato. Alguns caboclos dessa falange são: Ogum dos Rios, Riacho Grande, Sete Rios.Seu nome significa “Senhor”, trabalhando para Oxum. Suas oferendas deverão ser entregues na beira de rios, lagos ou cachoeiras, onde vibram, nas cores vermelha e branca ou verde e branca.
7. Falange de Ogum Delê (ou de Lei)
 
“Aquele que Toca o Solo”; como seu nome significa, é uma falange que vibra na linha pura de Ogum. São eles que trabalham diretamente no carma e sua cobrança, rondando o mundo. Suas cores são vermelha e branca e suas oferendas podem ser em qualquer lugar, ao ar livre.
Oferendas: todas as falanges citadas recebem velas nas cores indicadas, cravos vermelhos (alguns aceitam cravo branco também), cerveja branca, ou, menos comum, vinhos, charutos e fósforos, sobre um pano branco.

 
Ervas: as mais comuns são espada-de-são-jorge, losna, jurubeba, comigo-ninguém-pode, romã.

 
Ele é o responsável pela manutenção da lei na Umbanda. As falanges de Ogum, que divergem muito de um terreiro para outro, combatem diretamente as falanges do mal. Aprendemos ainda que a Linha de Ogum possui um mentor e esse mentor não é São Jorge e sim, São Miguel (o Arcanjo).

Com São Jorge ocorre o sincretismo na chefia da linha no sul e no sudeste do Brasil. Como na Linha de Oxalá, todos os trabalhadores da Umbanda têm por Ogum tremendo respeito e obediência. Seus guerreiros são imbatíveis no combate ao mal. Não conhecemos rabo de encruza, quiumba ou qualquer outro espírito maligno que não o respeite.
Os trabalhadores dessa linha foram normalmente guerreiros ou militares, como os legionários romanos, os cavaleiros das cruzadas, os sarracenos e muitos outros. Comparativamente, Ogum é na Umbanda o mesmo que a polícia é para o povo. Se a situação ameaçar sair do controle ou se nos sentirmos ameaçados, ele agirá trazendo e mantendo a ordem.

O Homem de Ogum
Ele é confiante ,entusiasmado, generoso,solidário, enérgico, ousado, ativo em seu lado positivo e pode também ser intolerante, violento, impulsivo, obstinado, egoísta e exigente em seu lado negativo.

A mulher de Ogum
Elas são  sinceras, encantadoras, vigorosas, corajosas, entusiasmadas, românticas que são qualidades que excedem seu lado negativo já que ela também pode ser mandona, irritada e impulsiva

As 21 qualidades de Ogum

Ogum Beira Mar         
Ogum Nagô
Ogum Guarda da Pedreira      
Ogum Naruê
Ogum Guerreiro         
Ogum do Oriente
Ogum Iara      
Ogum das matas
Ogum rompe mato
Ogum da bandeira
Ogum Quebra Demanda
Ogum de Lei   
Ogum de Ronda
Ogum da Lua  
Ogum Sete Espadas
Ogum Marinho           
Ogum Sete Estrelas
Ogum Matinata           
Ogum Sete Linhas
Ogum Megê
Ogum 7campina         
Ogum Xoroquê Cruzado Exú/Ogum
 
                                                           

quinta-feira, abril 10, 2014

Quotidiano Umbadista - A surpreendida



De postura e comportamento exemplares, uma senhora moradora do sobrado verde, passa todos os dias religiosamente no mesmo horário para ir à igreja evangélica.

É tida pelos vizinhos como a obreira mais fervorosa da região. E fazia por merecer, não abria mão da saia comprida e da bíblia embaixo do braço por onde ia.

Um simples bom – dia era motivo para uma sessão de evangelização. Falar em “macumba” para ela então era motivo para gritos de louvor e demonstração pública de discriminação religiosa.

Mas alheios às proibições da igreja, os filhos da distinta senhora, uma menina de dez anos e um menino de oito, não pensaram duas vezes para ir com seus amigos à festa de Cosme e Damião do terreiro que fica a um quarteirão dali.

Vale dizer que a festa de Cosme e Damião se tornou um evento em separado da Umbanda, e a distribuição de doces e bolos contribuem para que membros de outras religiões freqüentem os terreiros durante as festas sem que se sintam constrangidos.

Claro que não demorou a mãe dar pela falta de seus filhos, e logo descobriu seus paradeiros. Imediatamente foi ao terreiro, e mesmo hesitante adentrou ao salão que estava tomado de gente, repleto de balões e com o som dos atabaques regendo a festa.

Não pôde deixar de notar que os médiuns estavam todos incorporados com suas crianças e muito menos de sentir a vibração do local que lhe fazia suar as mãos.

A senhora caminhou até seus filhos que estavam próximos aos Cósminhos e um deles segurou sua mão, mas antes que ela a soltasse, uma força enorme e assustadora tomou seu corpo fraquejando suas pernas e fazendo-lhe cair. Os Cósminhos aplaudiram e daí em diante pode-se imaginar o resto.

Abaladíssima, após a desincorporação a senhora pegou seus filhos e as pressas deixou o terreiro a não foi mais vista por ali.

Pode ter achado que um espírito ruim tenha tomado seu corpo e correu para a igreja.

Mas os que ali estavam durante a festa, garantem que aquela senhora daria uma médium daquelas que não se vê em toda casa tamanha foi à firmeza e entrega à entidade.

Quem sabe àquela senhora, em casa, tenha parado por um momento e pensado no que aconteceu. E isso a faça ao menos mudar sua visão em relação a Umbanda.

Meu Axé a todos. Salve a Umbanda!                         31 / 08 / 2002


 
O Jornal Tambor foi uma das publicações direcionadas à religiões afro-descendentes mais importantes no início dos anos 2000. Criado e idealizado pela Yalorixá Sandra Epega o jornal sempre pregou pelo diálogo inter-religioso, cultura de paz e sempre deu espaço para todos as tradições religiosas.
Nosso irmão e colaborador do blog, Thiago Sá foi colunista do jornal por quase três anos e sua coluna, Quotidiano Umbandista descrevia situações corriqueiras ao dia a dia dos templos umbandistas. Sempre descritas como ficção.
O blog Aldeia do Sultão acha pertinente trazer de volta alguns do textos publicados ao invés de deixa-los guardados num arquivo de computador ou numa gaveta.

quarta-feira, abril 02, 2014

Cantando a Umbanda

Martinho da Vila, grande cantor e compositor com mais de 45 anos de carreira, sempre ligado a religiosidade afro. Sempre com muito orgulho e respeito.
Essa canção, praticamente uma gira completa é uma louvação de fé aos nossos Orixás.
Imperdível.

Saravá!

Cantando a Umbanda

 
Se tem um músico/intérprete que canta a Umbanda, as Entidades e os Orixás de uma maneira tão bonita, carinhosa e principalmente tão sutil a ponto de fazer adeptos de outras religiões cantarem juntos sem se importar com a melodia esse artista é Zeca Pagodinho.
Conhecido em todos os cantos do Brasil, Zeca nunca escondeu sua religiosidade e por isso jamais enfrentou resistência do público que se identifica com suas canções de letra simples mas com muita sinceridade e sempre retratando o dia a dia do povo brasileiro.
Temos uma seleção de vídeos com as canções mais "macumbeiras" do Zeca, que fazem qualquer um cantar junto. Abaixo, "Minha Fé".
 
Saravá Zeca! Salve a sua banda!
 
  
 

quarta-feira, março 26, 2014

Para que servem as ferramentas e paramentos na Umbanda? Parte 2 de 2

Algumas ferramentas ou paramentos como chapéus, cocares, capas, saias, etc., servem como proteção ao médium de corrente; outras como bengalas, tridentes, espadas, flechas, etc., servem como um meio para descarregar o médium ou o consulente; e há também as ferramentas como incenso, jóias, pedras, coco verde, doces, bebidas, etc., que servem para atrair e carregar o médium com energia positiva, ajudando no seu fortalecimento, equilibrando-o e acalmando-o.
 
 

Não há uma regra com relação à função de cada paramento, pois os guias utilizam a mesma ferramenta para diversos usos, dependendo de sua vontade e do objetivo que ele quer atingir, como por exemplo, a bengala do preto velho pode descarregar o médium, mas também pode servir como meio para atrair energia positiva e carregar o médium e isto “apenas a entidade’’ sabe manipular...

Como são utilizadas as ferramentas e paramentos ?

Cada guia espiritual utiliza a ferramenta de acordo com seu fundamento e axé e há variação no uso ou no tipo de ferramenta até mesmo entre guias de mesma linha - como a linha de caboclos, onde um caboclo pode utilizar um cocar e outro utilizar apenas uma cuia com água e mel. O médium de corrente também influencia na escolha da ferramenta, pois o seu corpo é um transmissor e receptor de energias, mas a facilidade por onde “entra e sai” energia do seu corpo (que pode ser através das mãos ou dos pés ou da cabeça ou do tronco, etc.) é o que ajuda o guia a definir qual ferramenta utilizar e como utilizar para sua proteção.

Para fazer o uso dos paramentos iremos descrever - com linguagem humana - como um (a) preto (a) velho (a) faz uso das mesmas:

I. Chapéu de palha, lenço, xale,caneca etc.

a. Energia positiva: atrai bons fluídos e energia para a coroa do médium.

b. Energia negativa: protege a coroa do médium de vibrações negativas que estão no ambiente e ainda não foram processadas durante o ritual.
               
II. Cachimbo, cigarro de palha, cigarro, etc.

a. Energia positiva: o odor do fumo sendo queimado atrai bons fluídos ao médium e ajuda na concentração.

b. Energia negativa: queima os miasmas do corpo do médium e dos consulentes.

III. Rosário, terço, figa, crucifixo, guia de contas, etc.

a. Energia positiva: concentra energia positiva e fluído de essência divina para ser repassado ao médium ou aos consulentes. Também serve como meio para o médium se concentrar no trabalho do guia.

b. Energia negativa: concentra energia negativa que está no corpo do médium ou do consulente sendo descarregada quando a ferramenta é jogada ao chão ou quando ela quebra.

IV.    Bengala, espada de Ogum, lança de Ogum, galho de guiné, etc.

a. Energia positiva: concentra energia positiva e fluído de essência divina para ser repassado ao médium ou aos consulentes.

b. Energia negativa: concentra energia negativa que está no corpo do médium ou do consulente sendo descarregada quando a ferramenta é batida no chão.

V. Comidas e bebidas como café, bolo de fubá, mandioca, arroz, etc.

a. Energia positiva: concentra energia positiva e fluído de essência divina para ser repassado ao médium ou aos consulentes.

b. Energia negativa: concentra energia negativa que está no corpo do médium ou do consulente sendo descarregada quando descartado (cuspido) no “cuspidor”.

 

VI. Tapete de folhas*, tapete de palha, chinelo de palha, etc.

a. Energia positiva: concentra energia positiva e fluído de essência divina localizado no congá para ser repassado ao médium ou aos consulentes (*Me refiro á tapete de folhas tal qual fazemos em nossas festas de Oxóssi)

b. Energia negativa: concentra energia negativa que está no corpo do médium ou do consulente sendo descarregada quando o guia bate os pés e ou as mãos contra a ferramenta ou contra o chão.

Para deixar bem claro, quem direciona o tipo de energia, positiva ou negativa, para a ferramenta é o guia espiritual, pois é ele que está visualizando o excesso ou a falta dessas energias, é ele que sabe como manipular essas energias, sem afetar o médium ou o consulente.

Mas quem é que define as ferramentas que os guias utilizarão nos trabalhos?; os próprios guias e não o auto sugestionamento do médium...

Por mais “legais e belas” que achamos algumas ferramentas ou paramentos, e até gostaríamos de presentear nossos guias, somente os guias é que pedirão o que necessitam em seus trabalhos,tendo ainda que acolher a doutrina e a permissão de cada casa acerca disso, somente os guias é que sabem quais as ferramentas que eles mesmos utilizam e se são ou não necessárias.

Há casos em que alguns terreiros proíbem o uso de ferramentas pelos guias, mas é claro que os guias sabem dessa “proibição” e por isso, manipulam as energias de outras maneiras, reforçando o direcionamento das energias para assentamentos ou para o altar, por exemplo.
           
E se o médium de corrente quiser presentear um guia espiritual com um paramento? E se um consulente presentear o guia espiritual de um médium com uma ferramenta?

 

Quando decidimos presentear um guia espiritual que trabalha conosco, através do uso de nossa mediunidade, o melhor que se tem a fazer é perguntar para ele (ou pedir para que outra pessoa pergunte para o guia) se o presente será útil ou será uma coisa para atrapalhar. Acredite: se o guia precisar de uma ferramenta ele pedirá ao médium ou ao cambone do médium, e às vezes, o que chamamos de “intuição”, como num caso desses, pode ser apenas uma “vaidade”e “sugestionamento” de nossa parte. Todo cuidado é pouco,sempre lhes ensino isso né?

Se um consulente resolve presentear o guia espiritual devemos ter em consciência o seguinte caso: a consulta com o guia espiritual é gratuita, logo um presente pode caracterizar, indiretamente, como pagamento por um “serviço bem feito”. A vaidade do médium também pode ser exacerbada com este ato. O procedimento neste caso é: alertar para que os consulentes não ofereçam presentes aos guias espirituais, mas caso aconteça, o consulente deve oferecer o presente diretamente para o guia que saberá o que fazer com o presente.

E para finalizar esta postagem, uma dúvida de muitas pessoas e médiuns é: uma guia de contas estourou durante a gira, isso foi descarrego?

Sim e não. Sim se o médium estava muito carregado negativamente e a única ferramenta que estava em seu poder era a guia de contas, daí, em decorrência do excesso de energia ela pode vir á estourar. Porém não é sempre que uma guia de contas estoura em decorrência do excesso de energia.
O médium constantemente molha a guia de contas em banhos de firmeza, amaci,água do mar,água de cachoeira e até mesmo com o próprio suor. Alguns colocam as guias para  energizar com a luz solar ou com a luz lunar. Esse processo de molhar e secar a guia por diversas vezes faz com que o fio de nylon da guia de contas não suporte tanta variação e quebre, e claro, como o médium só utiliza a guia de contas em dias de gira, é nesse momento que vai haver o “estouro” da mesma, e isso não é descarrego e sim falta de observação do médium em relação ás suas guias. 
 
 

terça-feira, março 18, 2014

Ferramentas, paramentos e outras vestimentas usadas na Umbanda. Parte 1 de 2



Quem nunca foi á um terreiro de umbanda e se perguntou: Porque as entidades usam determinados paramentos,como copos,taças,punhais,canecas,bengalas,chapéus e demais utensílios

Muitos guias de umbanda usam paramentos para absorver energias condensadas, atrair ou projetar ondas vibratórias, descarregar os médiuns e os consulentes de energias negativas, e até para sua auto proteção.

Para muitos que desconhecem os fundamentos da Umbanda, para os que estão iniciando na religião ou mesmo para aqueles que estão apenas visitando um terreiro para tomar um passe, as ferramentas utilizadas pelos guias são justamente utilizados nestas funções e jamais para chamar á atenção de ninguém.

Mas tudo na Umbanda tem sua razão de ser e existir. nada é por acaso e as entidades usam estas ‘’ferramentas’’para captar as energias densas dos médiuns ou consulentes para depois do atendimento dissipá-las de forma conveniente

Antes de explicar para que servem as ferramentas utilizadas pelos guias espirituais, vamos conhecer algumas:
 
 

· Pretos Velhos: cachimbo, bengala, rosário, terço, figa, crucifixo, lenço,canecas,cuias, xale, chapéu de palha, cigarro de palha, etc.

· Exu: tridente, corrente, marafo, charuto, cigarro, capa, cartola, guias de aço, etc.

· Pombo Gira: batom, cigarrilha, anéis, colares, saias, lenços, jóias,taças etc.

· Caboclos de Oxóssi: penachos, cocares, arco e flecha, charuto, cuia e demais paramentos que a casa permitir.

· Caboclos de Ogum: lança, espada, elmo, espada de São Jorge ou Ogum e demais paramentos que a casa permitir.

· Caboclos de Xangô: oxé (machado de pedra de duas pontas), pedras, charuto e demais paramentos que a casa permitir.

· Baiano: chapéu, cigarro de palha, badulaques, coco verde, facão e demais paramentos que a casa permitir.

· Marinheiro: boné branco, copo com pinga, cigarro, cordas e demais paramentos que a casa permitir.

· Boiadeiro: chicote, chapéu, cinto, lenço e demais paramentos que a casa permitir.

· Cigano: baralho, lenço, incenso, pedras, jóias, almofadas e demais paramentos que a casa permitir.

· Erês: brinquedos, bexigas, doces, bebidas, óculos coloridos, bonés, saias e demais paramentos que a casa permitir.

Há outras linhas de trabalho nos terreiros, por isso enumeramos as mais conhecidas com apenas algumas ferramentas que cada uma delas utiliza, cada qual com sua devida utilidade não servindo apenas como mero adereço, como um batom, por exemplo.

 

quarta-feira, março 05, 2014

A ligação entre o Carnaval, a Quaresma e a Umbanda


Muitos centros de umbanda fecham ou tem o atendimento limitado no período do carnaval e quaresma mesmo não sendo datas ligadas a nossa religião. Porque isso acontece?
A dúvida sobre o funcionamento das casas de santo (os terreiros de umbanda) durante o carnaval e quaresma, vem da época que os orixás eram proibidos de serem cultuados e deveriam ser sincretizados com os santos católicos.

Como o período da quaresma corresponde a uma época de reclusão e reflexão dentro da igreja católica, muitos terreiros de umbanda e candomblé ficavam em uma posição delicada junto a comunidade católica e fechavam as portas para não ter problemas com as autoridades locais e com as pessoas em geral, quando poderiam ser acusados de desrespeitosos com a religião católica.
As pessoas consideravam que as casas de santo não deveriam bater tambores ou praticar qualquer ritual na quaresma, a exemplo da igreja católica que deixa suas imagens cobertas por mantos de cor roxa em sinal de respeito, onde os cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo.
Mas devemos lembrar que estes são rituais católicos e não pertencem a religião umbandista.  A quaresma para nós vai marcar apenas o final do ano litúrgico na umbanda, com a chegada da semana santa e da páscoa.
 
Os terreiros de umbanda precisam parar as atividades na quaresma?

As casas de santo não precisam parar suas atividades durante a quaresma e podem funcionar normalmente, pois não estão ligadas aos dogmas da igreja católica que determinem que não possam fazer atendimento espiritual nessa ocasião.
Certos terreiros de umbanda tem preferencia por trabalhar apenas com Exús e Pombagiras na quaresma; outras casas de santo preferem trabalhar na linha de Pretos Velhos e Caboclos. Vai depender da linha de trabalho espiritual seguida em cada casa de santo.
 
Lorogun –  final do ano litúrgico na umbanda marcado pela quaresma
 
Lorogun, lórogún ou olorogum é uma cerimônia ritual que paralisa a maiorias das atividades nos terreiros de umbanda, estimulando o povo de santo e adeptos da umbanda ao descanso coletivo, marcado o final do ano litúrgico.
lorogun acontece propositadamente no período da quaresma católica, logo depois do carnaval, terminando justamente no sábado de aleluia, onde começa o início do ano litúrgico (Ano Novo) para os frequentadores das casas de santo.
O encerramento do ano litúrgico acontece durante os quarenta dias que antecedem a Páscoa no católicismo, com o Lorogun, em homenagem a Oxalá
 
Boa Quaresma à todos.