quinta-feira, novembro 27, 2014

Palmas, cantos, tambores e sons na Umbanda













A importância de bater palma para acompanhar o toque do atabaque e de cantar as músicas junto com quem comanda os trabalhos é essencial na Umbanda. A energia gerada pela soma das ações de todos estimula, vibra e modifica os ambientes, tornando-os favoráveis à nossa prática religiosa. 
São muitas as culturas que fazem uso da música como forma de se religar com o Divino, não apenas com o som, mas com a dança também. A música, as palmas, os ritmos, etc, estão aí, desde os tempos mais remotos, criando um vínculo mágico e astral com o plano espiritual. E a Umbanda não só reconhece como também faz uso deste mesmo conhecimento primordial. 
Todo som produz freqüência de ondas eletromagnéticas que, se vibrada no tom e na cadência certa, pode atingir as mais variadas esferas astrais. Daí a importância dos atabaques (tocado com as mãos), dos atabaqueiros (também conhecidos como Ogãs), dos Pontos Cantados (orações na forma de cântico, com letra e melodia próprias a cada Orixá ou alma trabalhadora da Umbanda) e dos umbandistas presentes nas Giras, que com suas palmas ritmadas auxiliam na composição do ambiente. 
Assim, se um dia, você estiver de visita a uma casa de Umbanda e lá os trabalhos usarem tambor e palmas, participe!
Doe seu próprio corpo, com palmas e cantos para ajudar a não apenas segurar a corrente espiritual que se sustenta o templo, como também para alcançar as diversas esferas do plano espiritual. E não tenha vergonha de soltar a voz!
A harmonia das palmas e dos sons facilitam para que os médiuns se desliguem das distrações terrenas e se concentrem inteiramente no ritmo dos pontos, facilitando a incorporação de tal forma que o espírito do médium fica adormecido momentaneamente. Assim, todos podem ajudar para que o atendimento espiritual seja o melhor possível, mantendo também os pensamentos focados na energia circundante e na alegria de pertencer a esta maravilhosa religião, onde a soma de todos é infinitamente maior quando a verdadeira fé nos une!

Por: Engels de Xangô

sábado, novembro 22, 2014

Buscando Meu Orixá

Ele andava triste, por muito tempo buscava uma resposta para suas aflições religiosas. Temia que sua fé minasse a ponto de não mais bater cabeça… quando aconteceu este encontro. Em meio ao perfume das ervas queimando na brasa, ao som dos atabaques, penumbra iluminada por velas, ele ajoelha e desaba:
- Vovô, já não agüento mais…
– O que te aflige meu fio?
– Vô, eu amo os Orixás, não tenho dúvida. Mas passei por tantas desilusões, fui enganado por pessoas que se diziam mestres no culto aos Orixás, ostentando todo tipo de títulos e artefatos. Sei que de certa forma aprendi coisas, mas no fim sempre uma desilusão…
- Continue meu fio…
Em lágrimas ele recobra o fôlego e prossegue.
– Então meu velho, já deitei pro Santo, já assentei Orixás, já passei por muitos fundamentos quando eu cultuava o Orixá em outro segmento que não era Umbanda. Hoje não sei como fazer, de uns tempos pra cá começou meu Caboclo se manifestar, descobri que amo a Umbanda e este é meu caminho, o Caboclo disse que devo me fundamentar na Umbanda e devo assentar meus Orixás. Acontece que meus assentos foram confiscados pelo meu último Babalaô. Acho que meus Orixás estão bravos, estão me cobrando, tenho certeza!
- Meu fio, o que eles cobram?
– Não sei meu velho.
– Então vois zuncê vai pagar o que nem sabe que deve?
– Veja meu velho, como estou confuso. Acredito que preciso assentar meus Orixás para me acalmar. Como faço isso?
– Hehe…É meu fio, vois zuncê ta numa encruza mesmo! Intonce, aquiete seu coração, sinta este cheiro de ervas queimando e escuita com atenção o que este velho nego tem pra te fala…
– Meu velho, sou toda atenção, obrigado… – disse ele em prantos.
- Meu fio, os homens nessa terra tem uma necessidade constante de criar formas para expressar-se, neste caso, o nego vai se ater na religião. Por isso muitas são as formas de cultuar os Orixás, muitas mesmo, e é certo que muitas práticas, nem mesmo sendo tolerante às diferenças, é possível aceitar. Pois meu fio, quando o amor não for o caminho e o bom senso não for o limite, intonce muito problema vai acontecer. Sabe fio, esse velho conheceu os Orixás na antiga África, e lá era tudo muito diferente, simplesmente diferente, não me arriscaria a dizer que melhor, pois assim o nego negaria a evolução constante. Este contato da minha alma com essa luz que chamamos de Orixás mudou a existência do nego, e de tanto que amo e sinto-me bem, após minha passagem para o mundo espiritual, insisti para que Olorum me deixasse perto dos seus Orixás. Sou feliz por isso fio, porque nosso Criador me ouviu.
E foi assim que este velho aprendeu algumas coisas simples. Na carne este nego procurou muito os Orixás pela vida, por entre as coisas da Terra, minha Yá tinha ensinado que os Orixás estavam na Natureza, mas como eu não fugia à regra geral, entendia que essa natureza seria o plano físico da arvore, mata, água, fogo, hehe. Como que se eu tendo um pouco da água eu teria “aprisionado” o Orixá. Entendi já aqui no mundo espiritual fio que Orixá não está fora de nós, mas encontra-se dentro. Ele extrapola nossos poros e nos toma por inteiro quando entendemos e reconhecemos isso. Fio, Orixá é a essência de tudo o que você vê, escuta e sente, está muito além destes parcos sentidos humanos e muitíssimo além da nossa razão humana. Mesmo este velho tentando explicar Orixá, cometo um erro, pois sei meu fio, que Orixá não se explica, se sente. Mas como já disse, precisamos criar formas, então fio, que a sua forma seja a mais próxima do abstrato e do sutil, porque assim talvez esteja próximo do que seja Orixá.
Por isso meu fio não se apegue tanto às formas de como cultuam ou assentam os Orixás, principalmente quando lhe ensinam métodos que não encontra aceitação no seu coração. Os Orixás falam ao coração, intonce é ele que você deve escutar para saber como encontrará os Orixás. Se, por exemplo, você qué assentar um Orixá das matas, vá numa mata, sinta o cheiro das folhas, toque elas, converse com o Orixá, cante, dance, colha as folha, cipó, raízes, terra, vai pegando um pouquinho do que tem lá, porque isso simboliza o tal Orixá fragmentado na natureza, com isso monte um espaço onde colocará isso e lá você reza pro tal Orixá. Entendeu meu fio?
Ele soluçando e enxugando as lágrimas com a voz embargada responde:
- Meu velho, vovô querido, muito obrigado. Agora sinto o Orixá dentro de mim. Entendi sua mensagem e não sei como agradecer.
– Fio não tem de quê. Agora vai ao encontro de si mesmo para encontrar os Orixás. Seja feliz meu fio por entender que da essência só bebe aqueles que amam simplesmente por não saber explicar.
E sempre que irmanados os filhos deste plano estiverem, sem máscaras, sem receios, sem pretensões, lá, através do coração sincero de cada um, o Orixá se manifestará. Todos vocês são filhos de Orixá e adotados por todos os Orixás do Universo, somos filhos dos Pai e Mães Celestiais e nada existe sem a relação harmoniosa e contínua de todos Orixás num emaranhado perfeito. E se buscas o “teu” Orixá, então o encontra dentro de ti! Saravá!
E assim, com três estalos de dedo, o Velho sacudiu seu médium, retornando para sua Aruanda, uma sensação de paz profunda pairava no ambiente e o atabaque secou o couro, um silêncio se fez no ar e podia ouvir o crepitar do fogo nas velas, este silêncio eram os Orixás falando ao coração de cada um presente naquela Gira.

Por rodrigo queiroz

sexta-feira, novembro 07, 2014

Cantando a Umbanda. Maria Bethânia e Ivete Sangalo

Duas grandes figuras da música brasileira se reunem para uma apresentação descontraida mas de uma qualidade incrivel.
Maria Bethânia e Ivete Sangalo. Muito obrigado, axé.

sexta-feira, outubro 24, 2014

Sobre Exu.

O que é Exu? e qual a diferença entre Exú Orixá e Exú de umbanda?

Exú orixá é um dos Deuses africanos que representa a dinâmica e o inicio de tudo, este Orixá tem varios nomes só diversificando de região o pais ao qual ele foi ou é cultuado. Veja os mais comuns ao qual este ser é chamado: Eleguá, Elebara, Bara (aquele que habita o corpo), Akesan (exú de ifá), Iangi (exú do inicio da criação), Ona...n (Exú senhor dos caminhos), Exú Tiriri (aquele que encherga tudo), este são apenas alguns de muitos nomes aos quais este Orixá é conhecido dentro da religião africana e também no Candomblé.

Conta uma das lendas que Exú Yangi fez parte da criação do mundo, tendo como papel de mensageiro de Deus (olodumare), asssim foi ordenado que viesse a terra para saber se ela já poderia ser habitada pelos seres humanos e os Orixás. Chegando aqui não quis mais voltar a Orun (ceú), então percebe-se que logo este orixá novamente foi o primeiro orixá e ser a chegar na terra, por isso ele é o primeiro a ser reverenciado no Culto como: Agrados, Matanças, Primeiro do Xirê (canticos), etc. As Cidades africanas que ele é mais cultuado são: Ekiti, Ketu (onde se tornou rei), Ondo, Inebu, etc.

O que é Exu de Umbanda?

Exú de Umbanda não é Exú Orixá. Por que? Exú na Umbanda são entidades ou espíritos de luz que tem por missão ajudar seus protegidos dando lhes orientação em forma de consultas de adivinhação, pois estes incorporados em seus mediuns respondem com a verdade aquilo que o consulente quer saber com a finalidade de lhe avisar de algum mal ou bem que esteja preste a acontecer, com o intuito de impedir algum mal ou lhe mostrar algum bem em seus caminhos (sua vida).

No Candomblé esses Exús que não são Orixás são conhecidos como Ecuru ou Ekuru (próprios Eguns ancestrais) que no Candomblé já pertencem a outro típico de culto, na Africa existe um culto típico somente para este tipo de espírito (O culto aos Eguns ou Elesé Egum). Então como podem ver

Exú Orixá não se manifesta em Giras de Exú na Umbanda, porém, algumas casas de candomblé cultuam Exús Ekurus (entidades), pois alguns devotos já vieram antes de se iniciar dentro do culto ao Orixá (candomblé) da religião da Umbanda, então ja traziam estas entidades que as vezes não querem deixar de dar suas consultas e orientações aos seus devotos. Casas de Santo como na nação de Angola tem por natureza cultuar essas entidades, mas hoje em dia é muito comum dentro do candomblé assentar estes Exús mo no Ketu, Jeje, Engenho velho, etc. Escute Pontos de Exú na Umbanda no final do artigo.

sexta-feira, outubro 17, 2014

Aprendendo Sempre: A bebida e a Comida na Umbanda

Segunda a história do Mestre Jesus na Bíblia Sagrada, um dia antes de sua prisão Cristo realizou uma ceia onde reuniu seus apóstolos proferindo as seguintes palavras:
Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. 
(1 Coríntios 11:24)
Este cálice (vinho) é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim.
(1 Coríntios 11:25)



 Lendo estas belas passagens da Bíblia Sagrada, podemos entender em uma visão livre da Igreja Católica – e livre de qualquer Igreja que tem como base a Bíblia ou Cristo – que a Santa Ceia foi um ritual “Mágico” na qual Mestre Jesus ensinou aos apóstolos um ritual para que eles pudessem se conectar à força espiritual de Cristo que vos levaria a Deus.
Neste ritual, Cristo transforma o pão em sua carne e o vinho em seu sangue, ambos elementos sagrados que purificariam e uniriam seus apóstolos ao amor e fé do Mestre Jesus. Mas, olhando com atenção esse ritual, Cristo transforma simples alimentos em componentes mágicos, assim despertando o lado sagrado da vida, o lado sagrado do alimento, da bebida, da união.
Agora, com isso em mente, voltamos nossa atenção para os rituais de Umbanda e seus rituais tão criticados sem fundamento.
Temos as famosas e criticadas oferendas, na qual muito se fala em desperdício de alimento, que são oferecidas às Divindades (Orixás) para “n” motivos que os seres humanos necessitem no momento e, se assim posso me aventurar, associo as oferendas de alimentos ou as mesas feitas dentro dos Terreiros de Umbanda com alimentos que homenageiam os Guias como a Santa Ceia, pois o mesmo ato que Cristo teve ao consagrar aquele alimento aos seus apóstolos, também nós fazemos com os alimentos e bebidas em nossas oferendas; nós as consagramos aos Orixás, pedindo que irradiem suas energias vivas e divinas para que possam ser direcionadas em nossas vidas, nos trazendo paz, conforto, amor, entre outros sentimentos.
Mas também é importante frisar que toda oferenda ou mesa pode e deve sim ser aproveitada pela comunidade ou pelo Terreiro, assim não desperdiçando o axé ali imantado.
Da mesma forma que a oferenda foi associada à Santa Ceia, associo também a bebida que os Guias bebem com o cálice que Cristo ofereceu aos seus apóstolos.
No momento que Cristo oferece o vinho a todos, ele consagra e transmuta o vinho, virando assim uma bebida purificadora e assim também é nos Terreiros de Umbanda, pois quando um Guia pega seu copo e faz seus rituais de consagração, nesse momento aquela bebida deixa de ter um significado pejorativo e passa a se tornar um líquido mágico, composto por energias fortes, capazes de purificar energias densas internas tanto do médium incorporado como do consulente em atendimento.
Não quero causar discussões com esse texto, pois os Guias de Umbanda bebem por um fundamento já difundido na Umbanda e não porque Jesus o fez. As oferendas por si antecedem o nascimento de Cristo e sempre foram um ritual de agradecimento que hoje na Umbanda também já é fundamentada e bem difundida no meio.
O que quero passar nesse texto é que o julgamento entre as religiões e seus rituais são fúteis e sem base no estudo, pois facilmente podemos conectar pontos de rituais, doutrinas e crenças, como fizemos na história da Santa Ceia com o que acontece nos Templos de Umbanda.
Nós, umbandistas, somos cristãos, pois seguimos e admiramos os ensinamentos de Cristo e, além disso, respeitamos todas as religiões. Antes de criticar qualquer ritual de nossa religião, olhe e estude a sua religião, pois muito do que se fala pode ser uma inversão de valores.
                                      
                                                                                                                       Por Nikolas Peripolli

 
 

domingo, outubro 12, 2014

Cantando a Umbanda

Rita Ribeiro dispensa apresentações. Com seu album Tecnomacumba ela rompeu barreiras e preconceito e levou a Umbanda, os Orixás e os cultos afros para os palcos arrastando um enorme número de fans aos seus shows.
Suas canções, uma mistura dos pontos cantados nos terreiros e pura poesia nos faz mais orgulhosos da nossa raíz.
Nessa data tão linda, celebrando Oxum com uma linda apresentação.
Salve Rita Ribeiro!
 
 
 
 
 

Salve OXUM!


Oxum é a Orixá da beleza, do amor, da fertilidade, da riqueza e das águas doces.
É a vaidade em forma de Orixá, muito bela, Oxum traz na mão um espelho onde aprecia sua beleza. Sua morada é o rio, riacho, cachoeira e lagoa, onde a água doce se faz presente.
Gosta do azul escuro em suas velas, roupas e objetos, o lírio branco, jasmim ou qualquer outra flor delicada e bonita como a orquídea lhe agrada. Suas ervas são o alecrim, a alfazema, a erva-cidreira, o girassol, a hortelã e a folha da fortuna.
Oxum gosta de uva, mel, melão, manga, figo, comidas que levam camarão seco, feijão fradinho, cará, pato e peixe, e bebe champagne, vinho branco doce e guaraná.
Oxum é a dona da fertilidade, ela é quem permite que o óvulo seja fecundado. É a dona das águas doces onde se dá a vida, a água que mata a sede.
Oxum recebe pedidos de prosperidade, amor, gravidez, riqueza e felicidade, além de proteger as crianças.
Tem um temperamento amoroso e carinhoso, mas pode se tornar intransigente, perigosa e vingativa, tem a passionalidade dentro de si. Não tem muitos meio termos, aliás sobre o mesmo assunto pode ter pensamentos ora favoráveis ora contrários. Sem tornar-se volúvel, apenas vê ângulos diferentes sobre o acontecimento.
Mas sua natureza amável acaba prevalecendo e faz dela símbolo do amor, assim como conta suas cantigas, que Oxum é um tesouro, que ela é a dona do ouro, da beleza, que ela protege seus filhos contra tudo.

Sob o clarão da lua, a água da cascata parece de prata.   (bis)
É de um lindo véu, é da Oxum, a minha Mãe que vem do céu.
Aiêiê mamãe Oxum, dona do ouro,
Aiêiê mamãe Oxum é o meu tesouro.

Oxum é sincretizada com Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, sinônimo de amor e compreensão para seus fiéis católicos. É festejada em 12 de outubro, feriado nacional. Talvez aí esteja a resposta para a cor de Oxum ser o azul escuro, cor do manto de Nossa Senhora.


Quando nós louvamos Oxum nos curvamos em respeito à tão grande mãe que é, e também por Oxum várias vezes se apresentar como mulher de idade avançada, curvada. Nas suas giras podemos encontrar suas mensageiras jovens, eretas e dançantes ou as carinhosas mães idosas e lentas. Oxum traz nas mãos flores ou então as movimenta como ondas que trazem pra si as energias e devolvem luz, podem emitir pequenos cantos que lembram choramingos ou mesmo chorar, é uma característica da mais dengosa das Orixás.
Oxum é saudada com “Ora yeyê Oxum” que significa: “Chamemos a benevolência da Mãe Oxum”, mas uma prova da bondade da Mãe da fertilidade.
                                                                                                       
                                                                                                             por Thiago Sá

Arquétipo de seus Filhos

O arquétipo de Oxum é o de pessoas graciosas e elegantes, com paixão por jóias, perfumes e vestimentas caras. Das mulheres que são símbolo de charme e beleza. Voluptuosas e sensuais, porem mais reservadas que Iansã. Eles evitam chocar a opinião pública, à qual dão grande importância. Sob sua aparência graciosa e sedutora esconde uma vontade muito forte e um grande desejo de ascensão social. (Verger)*

Fator: agregador ou conceptivo
No positivo: são amorosas, delicadas, meigas, sensíveis, perceptíveis, perfeccionistas, cuidadosas, amáveis, protetoras e maternais.
No negativo: são ciumentas, agressivas, vaidosas, insuportáveis, vingativas, não esquecem uma ofensa e não perdoam uma magoa.
Apreciam: festas familiares, danças, recitais românticos, poesia, medicina, crianças, lecionar e conselheiras.
Não apreciam: solidão, homens autoritários ou agressivos, reuniões monótonas, estudo das ciências exatas, políticas, lugares tristes, homens ciumentos e mulheres egoístas.
Obs.: possuem compleição delicada.

* Trecho retirado do livro “Orixás” de Pierre Verger, 1996.
 

terça-feira, outubro 07, 2014

Hoje é dia de festa - São Cosme e São Damião.

 
As festividades de São Cosme e São Damião são uma das maiores representações da presença da Umbanda no cotidiano dos brasileiros.
Por todos os cantos do país crianças recebem doces e brinquedos como prova de devoção e agradecimentos aos santos gêmeos, os Ibejis.
Eles representam a pureza, inocência e alegria típica das crianças.
Nos abençoam todos os dias com pequenas demonstrações de amor e afeto que trazem mais leveza ao nosso cotidiano.
Para nos tornarmos adultos precisamos primeiro ser crianças, aprender com nossos erros, ser inocentes, amar as coisas simples e ter um coração puro para perdoar todas as coisas.
Os eres, quando descem no terreiro nos lembram desse tempo, em que o importante era brincar e não se preocupar tanto com os problemas. Mas sem perceber eles ouvem, sentem e cuidam de todas as nossas preocupações e quando voltam para Aruanda, eles levam com eles nossos problemas, nos deixando no lugar um coração leve e cheio de esperança.
Salve a Ibeijada!

 
 
Aldeia toda enfeitada e pronta para festejar as crianças da Umbanda.

Balões e bandeirolas e muita cor.

Os balões vão pro céu levando nossos pedidos e agradecimentos.

A alegria dos eres contagia o ambiente.

Na Nova Zelândia a Aldeia também estava pronta.

Enfeitada para as crianças.

 
E as crianças também vieram pra brincar.

E mais balões foram pro céu lá também.

quinta-feira, setembro 11, 2014

Sacramentos da Umbanda - Funeral

Morte e Vida Umbandista - crença pós-morte e funeral na Umbanda.

Em novembro, temos tradicionalmente o Dia de Finados (ou Dia dos Mortos), data que tem todo um significado religioso para os cristãos. Porém, devido ao sincretismo presente na Umbanda, esta data também nos têm grande importância: é quando louvamos a força do Divino Orixá Omulu, Senhor da Morte e das transições no Universo.
De forma geral, a Umbanda, em sua doutrinação se apega intensamente na vida, ou seja, em como devemos nos comportar enquanto encarnados para então, quando chegar a hora do desencarne, garantir um bom lugar nas esferas espirituais. Hoje, vou comentar sobre a visão de morte e a importância da mesma sendo que cultuamos uma divindade regente deste Sentido da Vida.
Para a Umbanda, a morte do corpo físico não é o fim da vida. Entende-se apenas como o fim de um ciclo, ou seja, passagem encarnatória; após o ato de morte física do ser desencarnado, este será encaminhado para uma esfera espiritual condizente com seus atos e vibração emocional acumulada durante a passagem no corpo físico. Aqui, no plano físico, estamos numa esfera neutra ou mista, onde tudo se encontra, sem distinção. Já no plano astral, os seres vivem em realidades dimensionais pertinentes às suas condições emocionais e vibracionais. Logo, se vibras ódio, um lugar com seres odiosos será sua morada; se vibras o amor, sua morada será um lugar agradável. É como diz Saint Exupéry em sua obra O Pequeno Príncipe: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas” , e é exatamente isto, nós somos aquilo que criamos ao nosso redor e a realidade que desenvolvemos é a que levamos além do pós-morte.
Então, nada se acaba com o fim da vida física. Quando o corpo perece, este é o fim de uma etapa e o inicio de outra. Morremos para o mundo físico e renascemos para o mundo espiritual. Assim ocorre também com o inverso, ou seja, quando reencarnamos, “morremos” para a vida no plano etérico e nascemos para o plano físico.  O umbandista deve se preocupar com o que cria na sua vida, pois já pode desconfiar do resultado no desencarne.
A Umbanda não crê em ressurreição, como não crê num Salvador ou Messias resgatador de seu rebanho, uma vez que ela prega a transcendência individual que cada ser deve alcançar, ninguém fará nada por ninguém, cada qual com seu quinhão. No entanto, a crença no reencarne é a explicação do resgate dos débitos e aprendizado constante do ser.
No Dia de Finados é fundamental que o umbandista, ao realizar o culto ao Divino Orixá Omulu, vibre seus pensamentos nos antepassados, seus parentes desencarnados, solicitando ao Pai Omulu que ilumine a todos, pois se algum antepassado estiver precisando de ajuda por estar perdido nas questões emocionais e ainda não ter alcançado a luz, pode ser oportuno de acontecer este resgate e aquele que já estiver em situações privilegiadas então se sentirá gratificado pelas vibrações, além de ser o momento de demonstrar gratidão aos antepassados que promoveram a sua passagem presente.
O culto ao Orixá Omulu é o momento de exaltação da Divindade e o que o mesmo representa, pois como entendemos que ele é a Divindade do “fim”, logo não está presente apenas na tão temida morte física, gerando uma imagem temerosa em relação a este Orixá. Sua vibração se faz presente centenas de vezes durante nossa vida como, por exemplo, no fim de um relacionamento amoroso, quando há o rompimento de cordões emocionais e o fim de um ciclo de convivência entre duas pessoas. Neste momento de finalização lá está presente a vibração deste Orixá para encaminhar os envolvidos em seus caminhos individuais. Também posso citar mudança de emprego, de moradia, fim de amizades, etc, sempre em situações principalmente de rompimentos ou encerramentos de ciclos é esta vibração divina que se faz presente na vida dos envolvidos.
Mesmo ficando a cargo de cada um a colheita necessária após o desencarne, a Umbanda tem na cerimônia fúnebre a preocupação de garantir que o espírito desencarnado fique a cargo da Lei Divina e não tenha problemas maiores com ataques de espíritos negativos.
Cito aqui um procedimento, conforme ensinado por Rubens Saraceni no livro “Doutrina e Teologia de Umbanda” da Editora Madras, a seguir faço um comentário:
O funeral umbandista é dividido em duas partes: purificação do corpo e do espírito, que acontece somente com a presença do Sacerdote, ajudante e um parente e depois a cerimônia social para encomenda do espírito realizada no velório e no túmulo.  Ainda no necrotério,  antes de vestir o corpo do desencarnado, o Sacerdote procede com alguns atos como:
- Purificação do corpo com incenso: Primeiro ato para a purificação energética do corpo físico e do espírito que na maioria das vezes ainda está próximo ao corpo. Caso não esteja, o corpo é seu endereço vibratório e onde estiver o espírito o mesmo receberá esta purificação. As ervas queimadas na brasa propagam através do ar suas qualidades purificadoras e imantadoras do espírito;
- Purificação do corpo com água consagrada: É o mesmo que água benta; neste momento cria-se uma diluição de qualquer energia material ainda presente no corpo e no espírito do desencarnado;
- Cruzamento com a pemba consagrada: Neste ato se faz uma cruz na testa, garganta, peito, plexo, umbigo e costas das mãos e pés para desligar qualquer iniciação ou cruzamentos feitos na encarnação desobrigando o espírito a responder aos iniciadores do plano físico, desta forma se neutraliza;
- Cruzamento com óleo de oliva consagrado: Repete o ato de cruzamento acima e também cruza o ori (coroa) para que libere do chakra coronário qualquer firmeza de forças purificando o espírito e o livrando de qualquer chamamento por alguém que se acha superior querendo prejudicar o desencarnado;
- Aspergir com essências e óleos aromáticos: Aspergir todo o corpo para criar uma aura positiva e perfumada em volta do espírito, protegendo-o de qualquer entrechoque energético;

Esta é a primeira parte do funeral. Após isto o corpo será vestido e levado ao velório. Então, momentos antes do enterro, é ministrada a cerimônia fúnebre de encomenda do espírito:
- Apresentação do Falecido: Alguma pessoa escolhida irá ministrar algumas palavras positivas sobre a vida e a pessoa do desencarnado;
- Palavras sobre a missão do espírito que desencarna: Explicações do Sacerdote sobre a vida eterna e o conceito de pós-morte;
- Prece ao Divino Criador Olorum (Deus);
- Canto a Oxalá: O Sacerdote com a Curimba entoa uma música em louvor a Oxalá, caso o desencarnado seja umbandista;
- Hino da Umbanda;
- Canto a Obaluayê: Orixá das passagens é louvado para que receba e encaminhe o desencarnado;
- Canto ao Orixá Regente do desencarnado: Caso seja umbandista;
- Despedida dos presentes na cerimônia: Os presentes se despedem do falecido;
- Fechamento do Caixão;
- Transporte do corpo ao cemitério;
- Enterro do corpo: Após o caixão ser colocado na cova, o Sacerdote assopra uma fina camada de pó de pemba consagrada para proteção etérica do desencarnado e após isto se cobre com a terra;
- Cruzamento da cova onde o falecido foi enterrado: Após o túmulo ser fechado, o Sacerdote cerca o mesmo com pó de pemba criando um círculo protetor à sua volta e acende quatro velas brancas formando uma cruz, sendo uma na cabeça do tumulo, outra no pé, outra na esquerda e outra na direita. Este procedimento é para garantir a proteção do corpo e do espírito para que não seja profanado por espíritos malignos.
Este ritual não deve ser envolvido de tristeza e sim de alegria, pois o desencarnado está retornando para o plano eterno fora das ilusões e poderá retomar sua evolução de forma consciente se assim estiver preparado.
Irmãos minha intenção neste texto era exaltar a força de Pai Omulu e promover uma reflexão sobre a ideia de morte na Umbanda.
Viva a Vida e a Morte!
Salve Pai Omulu!
Saravá!
* Este texto é resumo de um seminário apresentado na Universidade do Sagrado Coração de Bauru (SP).
* O ritual de funeral apresentado é ensinado por Rubens Saraceni no curso de Sacerdócio Umbandista e multiplicado pelos Colégios coligados, e pode ser encontrado no livro “Doutrina e Teologia de Umbanda” da Editora Madras.